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Soja

Soja brasileira perde competitividade e preços da safra 2026/27 podem ter alta limitada, aponta Itaú BBA

Agro Mensal mostra que grande safra nos Estados Unidos, prêmios mais baixos no Brasil e expectativa de oferta recorde na América do Sul podem restringir o repasse das altas de Chicago ao produtor brasileiro


Publicado em: 19/08/2026 às 18:40hs

Soja brasileira perde competitividade e preços da safra 2026/27 podem ter alta limitada, aponta Itaú BBA

O mercado brasileiro de soja deve enfrentar um cenário mais desafiador na safra 2026/27. Apesar da possibilidade de valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, o aumento da produção mundial, a maior competitividade da oleaginosa norte-americana e os prêmios de exportação mais pressionados no Brasil podem limitar os ganhos recebidos pelos produtores.

A análise consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo o levantamento, os preços brasileiros permaneceram firmes nas últimas semanas, sustentados pelo dólar, pela demanda externa e pela menor disponibilidade de soja no mercado físico. Para a safra nova, porém, o quadro exige cautela.

Soja sobe em Sorriso com dólar e exportações aquecidas

No mercado brasileiro, os preços físicos avançaram de forma mais intensa do que as cotações internacionais. Em julho, a soja negociada em Sorriso (MT) registrou média de R$ 120 por saca, valorização de 10,8% em relação ao mês anterior.

Na parcial de agosto, a média subiu para R$ 125 por saca, avanço adicional de 4,3% sobre julho.

De acordo com o Itaú BBA, a valorização foi impulsionada principalmente pelo câmbio, pelo fortalecimento das indicações nos portos, pelos prêmios de exportação e pela demanda internacional aquecida. A postura mais cautelosa dos produtores na comercialização também reduziu a disponibilidade imediata e ajudou a sustentar os preços.

Risco climático levou soja a US$ 11,97 por bushel em Chicago

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento da soja alcançou média de US$ 11,97 por bushel em julho, alta de 6,2% na comparação com junho.

O movimento foi provocado pelas preocupações com temperaturas elevadas e chuvas irregulares em importantes áreas produtoras dos Estados Unidos durante parte do período crítico de desenvolvimento das lavouras.

A firmeza do óleo de soja, apoiada pela demanda da indústria norte-americana de biocombustíveis, também contribuiu para a valorização do complexo.

Em agosto, entretanto, a melhora das condições climáticas no cinturão agrícola dos Estados Unidos reduziu os prêmios de risco. Na parcial do mês, a média do contrato recuou para US$ 11,62 por bushel, queda de 2,7% em relação a julho.

Com a diminuição das preocupações climáticas, o mercado voltou a concentrar as atenções no tamanho da safra norte-americana, que mantém potencial para uma produção elevada.

USDA eleva produção de soja dos Estados Unidos para 123 milhões de toneladas

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), elaborado a partir de levantamentos de campo, indicou uma safra norte-americana ligeiramente superior à estimada anteriormente.

A projeção de produção foi elevada de 122 milhões para 123 milhões de toneladas. O ajuste refletiu o aumento da área cultivada, que compensou a revisão negativa da produtividade.

Mesmo com a produção maior, o avanço do processamento doméstico ajudou a conter o crescimento dos estoques finais. A demanda dos setores de esmagamento e biocombustíveis também levou o USDA a elevar suas projeções para a produção de farelo e óleo de soja.

Produção mundial de soja pode alcançar 442 milhões de toneladas

O balanço global apresentado pelo Itaú BBA aponta que a produção mundial de soja poderá atingir 442 milhões de toneladas na temporada 2026/27, crescimento de 3% sobre as 429 milhões estimadas para 2025/26.

O consumo global também está projetado em 442 milhões de toneladas, avanço de aproximadamente 3% no comparativo anual.

Confira os principais números do balanço mundial:

  • Produção global: 442 milhões de toneladas;
  • Consumo mundial: 442 milhões de toneladas;
  • Estoque inicial: 125 milhões de toneladas;
  • Estoque final: 124 milhões de toneladas;
  • Relação estoque/consumo: 28%;
  • Produção dos Estados Unidos: 123 milhões de toneladas;
  • Produção do Brasil: 186 milhões de toneladas;
  • Produção da Argentina: 50 milhões de toneladas;
  • Produção da China: 21 milhões de toneladas.

Apesar do crescimento da oferta, os estoques finais podem recuar 1%, enquanto a relação entre estoques e consumo deve cair de 29% para 28%. Isso indica um mercado abastecido, mas sem expansão proporcional das reservas globais.

Brasil pode colher 186 milhões de toneladas de soja

Para o Brasil, o balanço considera uma produção de 186 milhões de toneladas na safra 2026/27. O volume representa crescimento de 3% em relação às 181 milhões de toneladas projetadas para o ciclo anterior.

A expectativa de uma oferta brasileira elevada, combinada à produção argentina de aproximadamente 50 milhões de toneladas, reforça a perspectiva de ampla disponibilidade de soja na América do Sul.

Esse cenário aumenta a concorrência entre as origens exportadoras e pode pressionar os prêmios brasileiros, especialmente durante o avanço da colheita e a concentração da oferta no primeiro semestre de 2027.

Soja dos Estados Unidos ganha competitividade

A competitividade da soja norte-americana deverá aumentar nos próximos meses, período em que a oferta brasileira disponível começa a diminuir e os Estados Unidos assumem maior presença no mercado internacional.

Segundo o relatório, os prêmios de exportação praticados no Golfo dos Estados Unidos variam entre US$ 1 e US$ 1,15 por bushel. No Brasil, os valores estão próximos de US$ 1,50 a US$ 1,60 por bushel.

O diferencial torna o produto norte-americano mais competitivo para compradores internacionais. Esse movimento costuma ocorrer nesta época do ano, quando os embarques brasileiros perdem ritmo devido à menor disponibilidade e à mudança sazonal da oferta para o Hemisfério Norte.

China acelera compras de soja norte-americana

A China ampliou recentemente as compras de soja dos Estados Unidos para entrega no último trimestre de 2026, especialmente nos meses de outubro, novembro e dezembro.

De acordo com os dados citados pelo Itaú BBA, os chineses já haviam adquirido 4,6 milhões de toneladas da safra norte-americana 2026/27. O país está praticamente abastecido para setembro, mas ainda apresenta baixa cobertura para os últimos meses do ano.

A expectativa do mercado é de que a China compre aproximadamente 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos ao longo da temporada 2026/27.

Além do mercado chinês, a maior competitividade norte-americana pode atrair outros importadores, reduzindo temporariamente a participação do Brasil nas negociações internacionais.

Prêmios pressionados podem limitar alta da soja no Brasil

O comportamento do basis, formado pela relação entre os contratos futuros, os prêmios e as condições de comercialização em cada origem, aparece como um dos principais limitadores para uma recuperação mais expressiva da soja brasileira da safra 2026/27.

Embora Chicago possa oferecer suporte às cotações, parte da valorização internacional tende a ser compensada por prêmios mais baixos nos portos brasileiros.

Na prática, isso significa que uma eventual alta na Bolsa de Chicago não será necessariamente repassada integralmente aos preços pagos ao produtor. O tamanho da oferta brasileira, o ritmo de comercialização, o câmbio e a demanda chinesa serão determinantes para a formação das cotações.

Comercialização da safra nova exige estratégia

O cenário traçado pelo Itaú BBA recomenda atenção redobrada na comercialização da soja 2026/27. A expectativa de produção elevada no Brasil e nos Estados Unidos amplia a possibilidade de pressão sobre os prêmios, mesmo que os estoques globais permaneçam relativamente ajustados.

Para o produtor brasileiro, oportunidades de preço poderão surgir a partir de movimentos combinados de valorização em Chicago, alta do dólar e recuperação dos prêmios de exportação.

A estratégia de vendas escalonadas, com acompanhamento dos custos de produção e das margens, tende a ser importante diante de um mercado marcado pela elevada oferta global, pela concorrência entre Brasil e Estados Unidos e pelas decisões de compra da China.

Fonte: Portal do Agronegócio

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