Carrapato bovino causa prejuízo de R$ 300 milhões por ano no Rio Grande do Sul e desafia pecuaristas
Resistência aos carrapaticidas atinge cerca de 70% das propriedades gaúchas e reforça a necessidade de controle parasitário estratégico nos rebanhos
Publicado em: 21/08/2026 às 07:30hs
O controle de parasitas tornou-se um dos principais desafios sanitários da pecuária no Rio Grande do Sul. As condições climáticas do estado favorecem a presença de diferentes agentes ao longo do ano, com impactos diretos sobre a saúde, a produtividade e a rentabilidade dos rebanhos bovinos.
Entre as principais ameaças está o carrapato bovino (Rhipicephalus microplus). Estimativas da Emater/RS-Ascar indicam que o parasita provoca prejuízos anuais de aproximadamente R$ 300 milhões na pecuária gaúcha.
Além das perdas produtivas, o carrapato atua como transmissor dos agentes causadores da tristeza parasitária bovina, doença apontada como uma das principais causas de mortalidade de bovinos no estado.
Resistência aos carrapaticidas amplia desafio sanitário
O avanço da resistência aos medicamentos utilizados no combate aos carrapatos torna o problema ainda mais complexo. Levantamentos do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor, vinculado à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, mostram que aproximadamente 70% das propriedades gaúchas possuem populações de carrapatos multirresistentes.
Isso significa que os parasitas apresentam resistência simultânea a diferentes classes de carrapaticidas, reduzindo a eficácia de tratamentos convencionais e aumentando o risco de uso excessivo ou inadequado dos produtos.
Diante desse cenário, a aplicação isolada e sem diagnóstico tende a apresentar resultados limitados. A recomendação é adotar estratégias integradas, ajustadas às características epidemiológicas e produtivas de cada fazenda.
Parasitas internos também reduzem desempenho do rebanho
Os prejuízos não estão restritos aos ectoparasitas. Vermes gastrointestinais e outros parasitas internos podem comprometer o ganho de peso, a conversão alimentar, a reprodução e o desenvolvimento dos animais.
As infestações nem sempre apresentam sinais clínicos evidentes. Em muitos casos, as perdas ocorrem de maneira silenciosa, por meio da redução gradual da produtividade e do aumento dos custos de produção.
Sem acompanhamento adequado, os problemas parasitários podem reduzir a eficiência do sistema pecuário e afetar a sustentabilidade econômica da propriedade.
Controle parasitário deve considerar realidade de cada fazenda
Segundo Elio Moro, gerente técnico da linha de antiparasitários da Zoetis Brasil, não existe um programa único que possa ser aplicado indistintamente a todas as propriedades rurais.
O planejamento deve considerar fatores como clima, sistema produtivo, categoria animal, época do ano, histórico de tratamentos e situação sanitária do rebanho. O diagnóstico dessas variáveis permite definir o momento mais adequado para cada intervenção.
A orientação técnica é especialmente importante no Rio Grande do Sul, onde as diferenças entre regiões, sistemas de criação e condições ambientais podem modificar significativamente a dinâmica dos parasitas.
Monitoramento ajuda a preservar eficácia dos tratamentos
Especialistas recomendam substituir tratamentos exclusivamente pontuais por programas sanitários contínuos, sustentados por monitoramento frequente, diagnósticos periódicos e uso racional dos antiparasitários.
Essa abordagem permite identificar os períodos de maior risco, avaliar a eficácia dos medicamentos e evitar aplicações desnecessárias. O manejo adequado também reduz a pressão de seleção sobre os parasitas, ajudando a retardar o desenvolvimento da resistência.
Entre as ferramentas disponíveis estão os endectocidas, medicamentos de amplo espectro que atuam contra parasitas internos e externos. Produtos destinados especificamente ao controle de carrapatos também podem complementar o programa, desde que sejam empregados com orientação profissional e de acordo com a realidade de cada propriedade.
Prevenção reduz perdas e aumenta eficiência da pecuária
O sucesso do controle parasitário depende da combinação entre planejamento, manejo correto e utilização responsável das soluções sanitárias. Ao adotar uma estratégia preventiva, o produtor pode reduzir perdas produtivas, preservar o bem-estar dos animais e melhorar o retorno econômico da atividade.
O controle também deve incluir avaliação periódica dos resultados. Quando determinado produto perde eficácia, a troca indiscriminada de princípio ativo não resolve necessariamente o problema e pode acelerar a multirresistência.
Com programas ajustados ao perfil da propriedade, os pecuaristas gaúchos podem proteger o desempenho do rebanho e tornar a produção mais eficiente e preparada para enfrentar os desafios sanitários atuais e futuros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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