Criptosporidiose em bezerras: estudo aponta diferença de quase cinco vezes na chance de diarreia entre tratamentos
Pesquisa com 70 bezerras Holandesas em São Paulo comparou paromomicina e halofuginona; grupo tratado com paromomicina teve menos dias com diarreia e maior peso aos 14 dias de vida
Publicado em: 01/10/2026 às 15:00hs
Um estudo realizado em uma fazenda leiteira de Descalvado (SP) identificou diferenças na ocorrência de diarreia neonatal entre bezerras tratadas com paromomicina e halofuginona após exposição natural ao protozoário Cryptosporidium parvum. Durante o acompanhamento, os animais que receberam halofuginona apresentaram chance 4,93 vezes maior de desenvolver diarreia em comparação aos tratados com paromomicina.
Publicada em agosto na revista científica Veterinary and Animal Science, a pesquisa acompanhou 70 bezerras Holandesas recém-nascidas. Dessas, 40 receberam paromomicina e 30 foram tratadas com halofuginona. Ambos os tratamentos foram administrados por sete dias consecutivos, do quinto ao 11º dia de vida.
Grupo tratado com paromomicina teve menos dias de diarreia
Além da diferença na ocorrência da doença, o grupo que recebeu halofuginona registrou 3,4 vezes mais dias com diarreia e 1,93 vez mais dias de necessidade de terapia de suporte.
A distância entre os grupos ficou mais evidente no início da vida. Entre as bezerras tratadas com paromomicina, a incidência de diarreia permaneceu próxima de zero até o décimo dia. No grupo tratado com halofuginona, os casos apareceram mais cedo, e a incidência ultrapassou 60% entre o décimo e o 11º dia.
A criptosporidiose está entre as principais causas infecciosas de diarreia em bezerros nas primeiras semanas de vida. A enfermidade pode causar desidratação e desequilíbrio eletrolítico, prejudicar o aproveitamento de nutrientes e elevar a demanda por cuidados na propriedade.
“Os resultados mostram a importância de controlar a criptosporidiose não apenas considerando a presença do agente, mas principalmente seus efeitos clínicos sobre o animal”, afirma Bianca Santarosa, autora principal do estudo.
Diferença no peso apareceu aos 14 dias de vida
Os pesquisadores também acompanharam o peso corporal das bezerras. No início dos tratamentos, aos cinco dias de vida, os dois grupos tinham o mesmo peso médio: 42,9 quilos. Aos 14 dias, as bezerras que receberam paromomicina apresentaram peso corporal maior, com diferença estatisticamente significativa em relação às tratadas com halofuginona.
A eliminação de oocistos de C. parvum nas fezes também foi avaliada. O grupo tratado com halofuginona apresentou um pico pronunciado de excreção durante o acompanhamento. Entre os animais que receberam paromomicina, os valores foram numericamente menores e variaram menos nos momentos analisados.
Segundo Bianca, reduzir a ocorrência e a duração da diarreia na fase neonatal ajuda a preservar a saúde e o desenvolvimento das bezerras. O estudo foi conduzido em uma única fazenda comercial, com 70 animais, e seus resultados descrevem as diferenças observadas entre os dois grupos nessas condições.
A paromomicina é o princípio ativo do Parofor® Solução Oral, produzido pela Huvepharma e comercializado no Brasil pela Biogénesis Bagó.
Fonte: Portal do Agronegócio
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