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Bovinos de Corte

Estação de monta: preparo do rebanho e diagnóstico precoce ajudam a elevar a eficiência reprodutiva

Nutrição, condição das matrizes, avaliação dos touros e manejo do sêmen devem ser planejados antes das inseminações; ressincronização amplia oportunidades para fêmeas não gestantes.


Publicado em: 02/10/2026 às 14:00hs

Estação de monta: preparo do rebanho e diagnóstico precoce ajudam a elevar a eficiência reprodutiva

O resultado da estação de monta começa a ser definido antes da primeira inseminação ou da entrada dos touros nos lotes. Condição corporal das matrizes, nutrição, sanidade, fertilidade dos reprodutores e preparo da equipe precisam integrar o planejamento para aproveitar a janela reprodutiva e reduzir falhas durante o período.

Segundo Luiz Fidelis, coordenador técnico-comercial da IMV do Brasil, iniciar um protocolo reprodutivo sem avaliar essas condições pode limitar a capacidade de corrigir problemas ao longo da estação. Quanto mais tarde um desvio é identificado, menor o tempo disponível para investigar suas causas e oferecer novas oportunidades de reprodução.

O planejamento, portanto, deve reunir a avaliação dos animais, a disponibilidade e a qualidade dos alimentos, a escolha e o manejo do sêmen, a execução das inseminações e o acompanhamento dos resultados.

Preparo das matrizes e da equipe antecede os protocolos

Antes de iniciar a estação de monta, é necessário identificar quais fêmeas estão aptas à reprodução e avaliar sua condição corporal, sanitária e reprodutiva. A organização dos lotes e a preparação dos profissionais responsáveis pelas etapas do manejo também fazem parte desse trabalho.

Na avaliação de Fidelis, o protocolo deve ser considerado dentro do conjunto de condições da propriedade. Sua execução depende de animais preparados, insumos adequadamente manejados e uma equipe capaz de cumprir cada etapa.

Acompanhar essas variáveis desde o início permite investigar eventuais resultados abaixo do esperado enquanto ainda há tempo para realizar ajustes na própria estação.

Momento da prenhez também indica eficiência reprodutiva

Além do percentual final de fêmeas gestantes, o momento em que as prenhezes são estabelecidas ajuda a avaliar o aproveitamento do período reprodutivo.

Nesse contexto, estratégias de ressincronização permitem oferecer novas oportunidades de inseminação às fêmeas que não ficaram gestantes. A identificação precoce desses animais pode reduzir o intervalo entre as tentativas e ampliar o número de inseminações dentro da estação.

Um estudo com participação do grupo de pesquisa do professor Guilherme Pugliesi, da Universidade de São Paulo (USP), avaliou 760 vacas e 498 novilhas Nelore submetidas a duas ressincronizações consecutivas. A estratégia possibilitou realizar três inseminações artificiais em tempo fixo (IATFs) em 48 dias.

Após as três inseminações, a taxa acumulada de prenhez atingiu 83,3% nas vacas e 77,3% nas novilhas, nas condições avaliadas pela pesquisa.

Ressincronização e ultrassonografia Doppler encurtam intervalos

Uma revisão publicada pelo mesmo grupo em 2024 apresenta a evolução dos programas de ressincronização. O trabalho reúne resultados de protocolos precoces que permitem realizar três IATFs em até 64 dias, com taxas acumuladas de prenhez reportadas de até 87,8%.

Nas estratégias de ressincronização superprecoce associadas ao diagnóstico por ultrassonografia Doppler, o intervalo entre inseminações em bovinos de corte pode ser reduzido para 21 a 24 dias, permitindo três IATFs em 48 dias.

Esses números correspondem às condições dos trabalhos apresentados e não constituem uma previsão de desempenho para todas as propriedades. Os resultados variam conforme os animais, o manejo e a execução dos procedimentos.

Para Fidelis, identificar rapidamente as fêmeas não gestantes também abre espaço para avaliar possíveis desvios relacionados às matrizes, ao sêmen, ao protocolo ou à técnica de inseminação.

Avaliação dos touros e manejo do sêmen exigem atenção

A preparação das fêmeas é apenas uma parte do planejamento. Na monta natural, o exame andrológico permite avaliar previamente a aptidão reprodutiva dos touros e identificar alterações que possam comprometer seu desempenho.

Na inseminação artificial, a qualidade das doses e os cuidados com armazenamento, manipulação e descongelamento do sêmen também influenciam o resultado. A técnica utilizada pelo inseminador completa esse conjunto de fatores.

Segundo o coordenador da IMV do Brasil, avaliar essas etapas antes e durante a estação ajuda a distinguir problemas e orientar intervenções com maior precisão.

Tecnologia apoia decisões durante a estação de monta

Ferramentas de avaliação seminal, conservação de doses, inseminação e diagnóstico reprodutivo ampliam as informações disponíveis aos profissionais. Seu uso, porém, precisa estar associado à preparação do rebanho e à qualidade do manejo.

Fidelis ressalta que os recursos tecnológicos não compensam falhas na condição das matrizes, no manejo do sêmen ou na execução dos procedimentos. A contribuição está na possibilidade de identificar problemas mais cedo e orientar decisões dentro do tempo disponível para reprodução.

Fontes técnicas: Ataíde Júnior, G. A. et al. Early resynchronization of follicular wave emergence among Nelore cattle using injectable and intravaginal progesterone for three timed artificial inseminations. Animal Reproduction Science, 2021; Pugliesi, G. et al. Evolution over the last 40 years of the assisted reproductive technologies in cattle – the Brazilian perspective for embryo transfer and resynchronization programs (part II). Animal Reproduction, 2024; documentação técnica do portfólio bovino da IMV Technologies.

Fonte: Portal do Agronegócio

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