Brasil exporta 600 bovinos para fortalecer pecuária leiteira de Botsuana
Operação viabilizada pelo Mapa reúne animais das raças Girolando e Gir e prevê cooperação tecnológica com o país africano, que produz apenas 10% do leite que consome
Publicado em: 05/10/2026 às 11:35hs
A genética bovina brasileira vai integrar os esforços de Botsuana para ampliar sua produção de leite. Com atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil viabilizou a exportação de 600 animais ao país africano, sendo 590 da raça Girolando e 10 da raça Gir.
A iniciativa combina fornecimento de animais, melhoramento genético e transferência de tecnologia. Segundo o Mapa, Botsuana produz atualmente apenas 10% do leite que consome, cenário que reforça a importância de desenvolver o rebanho leiteiro local.
O Girolando reúne potencial de produção e adaptação às condições tropicais, características relevantes para a atividade no país africano.
Embarques ocorreram em três voos por Viracopos
Os bovinos saíram de Lins, no interior de São Paulo, com destino a Lobatse, no sudeste de Botsuana. O transporte foi realizado em três voos fretados, com embarques pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
A primeira remessa, composta por 189 animais, foi enviada em julho. Os outros dois voos ocorreram nos dias 25 e 28 de setembro. Em Viracopos, a equipe da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) verificou a documentação e as condições de transporte dos bovinos.
As negociações envolveram a Botswana Development Corporation (BDC), empresa estatal do país africano.
Antes dos últimos embarques, o ministro de Negócios e Empreendedorismo de Botsuana, Tiroeaone Ntsima, visitou Lins para conhecer os animais destinados à exportação. A agenda, realizada em 23 de setembro, contou com representantes da BDC e com a embaixadora de Botsuana no Brasil, Benetia Tumelo Chingapane.
Cooperação avalia laboratório de fertilização in vitro
A parceria busca criar condições para o avanço da pecuária leiteira de Botsuana por meio do compartilhamento de conhecimentos e tecnologias brasileiras.
Além do envio de animais e material genético, a cooperação pretende apoiar a estruturação de programas de melhoramento do rebanho e o aumento da produtividade. Uma das possibilidades em avaliação é a instalação de um laboratório de fertilização in vitro (FIV) no país.
A proposta amplia o alcance da operação: os bovinos exportados fazem parte de uma iniciativa que também prevê capacitação tecnológica para o desenvolvimento da produção local.
Girolando combina produção de leite e adaptação tropical
Resultado do cruzamento entre as raças Gir e Holandesa, o Girolando combina características importantes para sistemas de produção de leite em regiões tropicais.
O Gir contribui com rusticidade e adaptação ao clima, enquanto a raça Holandesa apresenta elevado potencial leiteiro. Essa combinação tornou o Girolando uma das principais raças utilizadas na pecuária leiteira brasileira.
O desenvolvimento dessa genética reúne décadas de pesquisa e seleção, com participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), produtores, associações de criadores e órgãos públicos.
A raça Gir, originária da Índia, teve papel importante nesse trabalho, que permitiu ao Brasil desenvolver animais adaptados às condições tropicais e com maior potencial produtivo.
Experiência brasileira também é compartilhada com a Índia
A cooperação com Botsuana se soma a iniciativas brasileiras de transferência de tecnologia para a pecuária leiteira de outros países.
Em dezembro de 2025, um memorando de entendimento firmado pela Embrapa, vinculada ao Mapa, estabeleceu um consórcio com três empresas indianas e duas brasileiras. O acordo prevê dez anos de cooperação científica e tecnológica, voltada à transferência e à validação de tecnologias genômicas para a atividade leiteira na Índia.
No âmbito dessa parceria, o Brasil apoiou a instalação de três laboratórios no país: um de fertilização in vitro, um de análises clínicas veterinárias e outro de genômica.
Em Botsuana, o objetivo é associar a genética brasileira ao desenvolvimento de capacidades locais, contribuindo para ampliar a produtividade e a oferta de leite.
Fonte: Portal do Agronegócio
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