Produção de rações cresce 5,4% e pode superar 98 milhões de toneladas em 2026
Indústria brasileira de alimentação animal produziu 22,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre, impulsionada pelo avanço das cadeias de frangos, suínos, ovos, leite e carne bovina
Publicado em: 26/08/2026 às 10:10hs
A indústria brasileira de alimentação animal começou 2026 em expansão. Entre janeiro e março, o setor produziu 22,6 milhões de toneladas de rações, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo a primeira prévia anual divulgada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento da produção de proteínas animais, pelo crescimento dos abates e pela demanda das cadeias de aves e suínos. As exportações também contribuíram para absorver a maior oferta de carnes e manter o ritmo das atividades produtivas.
Para todo o ano de 2026, o Sindirações projeta uma produção superior a 98 milhões de toneladas de rações. Caso a estimativa seja confirmada, o volume representará crescimento de aproximadamente 4,5% sobre o resultado de 2025.
Cadeia de proteína animal sustenta crescimento
Na avaliação do CEO do Sindirações, Ariovaldo Zani, os números do primeiro trimestre demonstram a capacidade de adaptação da cadeia brasileira de proteína animal.
O avanço está relacionado aos ganhos de eficiência zootécnica, à padronização nutricional e à incorporação de novas tecnologias nos sistemas produtivos. Esses fatores ajudam o setor a preservar sua competitividade, mesmo diante de riscos sanitários, medidas tarifárias e barreiras comerciais.
A nutrição de precisão também vem ganhando importância nas granjas, confinamentos e demais sistemas intensivos. A utilização mais eficiente dos ingredientes permite melhorar a conversão alimentar, reduzir desperdícios, controlar custos e ampliar a previsibilidade dos resultados.
Frangos de corte lideram consumo de rações
A avicultura de corte permaneceu como o maior mercado para a indústria de alimentação animal. Nos três primeiros meses de 2026, as granjas consumiram aproximadamente 10 milhões de toneladas de rações.
O resultado acompanhou a recuperação da atividade após os desafios sanitários enfrentados em 2025. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abate de frangos aumentou 3,6% no primeiro trimestre, enquanto o peso acumulado das carcaças avançou mais de 7%.
Para 2026, o Sindirações estima que a demanda da avicultura de corte alcance 39,8 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 40,6% de toda a produção nacional de rações projetada para o ano.
Suinocultura deve consumir 23,6 milhões de toneladas
A suinocultura aparece como o segundo principal segmento consumidor. Entre janeiro e março, a demanda das granjas chegou a 5,5 milhões de toneladas de rações.
No mesmo período, o Brasil abateu 15,3 milhões de suínos, crescimento aproximado de 5,5% na comparação anual. O aumento das exportações ajudou a escoar a maior disponibilidade de carne e a dar sustentação às cotações no mercado doméstico.
A previsão é de que a demanda por rações para suínos encerre 2026 próxima de 23,6 milhões de toneladas.
Somadas, as cadeias de frangos de corte e suínos poderão consumir 63,4 milhões de toneladas no ano, representando quase 65% do mercado brasileiro de alimentação animal.
Produção de ovos mantém trajetória de alta
O setor de postura comercial também registrou crescimento. A produção brasileira atingiu 1,21 bilhão de dúzias de ovos no primeiro trimestre, alta de 0,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A demanda por rações para galinhas poedeiras totalizou 1,8 milhão de toneladas entre janeiro e março. Para o conjunto de 2026, a projeção indica consumo próximo de 7,7 milhões de toneladas.
O desempenho do segmento continua relacionado à demanda interna por ovos, proteína considerada mais acessível ao consumidor, e aos investimentos em genética, ambiência, biossegurança e eficiência alimentar.
Pecuária leiteira amplia uso de alimentação balanceada
Na pecuária de leite, a aquisição de matéria-prima pelos estabelecimentos sob inspeção sanitária chegou a 6,8 bilhões de litros no primeiro trimestre. O volume foi 3,3% superior ao registrado entre janeiro e março do ano passado.
A atividade foi favorecida pela maior disponibilidade de matéria seca, pelo avanço tecnológico das propriedades e pelos investimentos destinados a elevar a produtividade dos rebanhos.
O consumo de rações para bovinos leiteiros alcançou 2 milhões de toneladas no trimestre. Até dezembro, a demanda poderá atingir aproximadamente 7,9 milhões de toneladas.
Rações para bovinos de corte podem ultrapassar 8,2 milhões de toneladas
A bovinocultura de corte demandou cerca de 1,28 milhão de toneladas de rações no primeiro trimestre. No período, o abate nacional atingiu 10,3 milhões de cabeças, aumento superior a 3% na comparação com os três primeiros meses de 2025.
Embora a oferta de animais e carne tenha permanecido elevada, o forte ritmo das exportações contribuiu para equilibrar a disponibilidade doméstica e sustentar os preços.
Para 2026, o Sindirações prevê que a produção de rações destinadas aos bovinos de corte supere 8,2 milhões de toneladas.
Aquicultura projeta demanda próxima de 2 milhões de toneladas
A demanda da aquicultura brasileira ficou próxima de 500 mil toneladas de rações entre janeiro e março. A estimativa para o ano é de 1,97 milhão de toneladas.
O setor iniciou 2026 em um ambiente de maior previsibilidade, mas ainda enfrenta obstáculos relacionados aos custos produtivos, à concorrência dos pescados importados, à regulamentação e à segurança jurídica.
Na carcinicultura, o crescimento está sendo impulsionado pela instalação de grandes fazendas e pela modernização dos sistemas. Automação do fornecimento de alimentos, melhoria da aeração, controle do ambiente e adoção de densidades mais adequadas contribuem para aumentar a sobrevivência dos camarões e a produtividade por área.
Mercado de alimentos para cães e gatos supera 1 milhão de toneladas
O segmento de alimentos industrializados para animais de companhia consumiu pouco mais de 1 milhão de toneladas no primeiro trimestre. A previsão é de que a demanda alcance aproximadamente 4,15 milhões de toneladas em 2026.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o segmento encerrou 2025 com faturamento de R$ 41,4 bilhões, correspondente a 53% de todo o mercado pet brasileiro.
Apesar do tamanho e da relevância econômica, a atividade continua enfrentando limitações relacionadas à elevada carga tributária, às oscilações cambiais e à desaceleração do consumo das famílias.
Tecnologia amplia eficiência da alimentação animal
As perspectivas positivas para a indústria de rações estão associadas não apenas ao crescimento dos rebanhos e da produção de carnes, leite e ovos, mas também à modernização dos sistemas produtivos.
Ferramentas de nutrição de precisão, formulações ajustadas às diferentes fases dos animais, automação e monitoramento do consumo permitem melhorar o aproveitamento dos nutrientes e reduzir o custo por unidade produzida.
Para o Sindirações, a combinação entre tecnologia, produtividade e padronização nutricional fortalece a competitividade brasileira e consolida a alimentação animal como uma área estratégica para o País ampliar sua presença no mercado mundial de proteínas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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