Mercado de trigo no Sul tem negócios pontuais e oferta limitada eleva preços no Rio Grande do Sul
Trigo chega a R$ 1.550 por tonelada no mercado gaúcho, enquanto moinhos do Paraná retomam compras e vendedores monitoram os possíveis impactos do El Niño sobre a nova safra
Publicado em: 26/08/2026 às 11:20hs
O mercado de trigo na Região Sul segue marcado por baixa liquidez, oferta restrita e negociações concentradas em necessidades imediatas dos compradores. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam dinâmicas distintas, com preços que chegam a R$ 1.550 por tonelada e cautela crescente nas operações envolvendo a nova safra.
De acordo com informações da TF Agroeconômica, o mercado gaúcho registrou negócios com volumes considerados relevantes, enquanto os compradores paranaenses intensificaram as reposições de fim de mês. Em Santa Catarina, a demanda permanece enfraquecida diante da baixa moagem e da cobertura dos moinhos.
Preço do trigo chega a R$ 1.550 no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, foram fechados negócios entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada, na modalidade CIF moinho. A movimentação ocorreu em meio à dificuldade das indústrias para encontrar trigo com as características necessárias à moagem.
No mercado FOB, entretanto, a diferença entre as ofertas de venda e as indicações de compra continua limitando as operações. Os produtores pedem aproximadamente R$ 1.350 por tonelada, enquanto os compradores sinalizam valores de até R$ 1.320.
A disponibilidade de trigo no estado é estimada em apenas 100 mil toneladas, enquanto a necessidade das indústrias até a chegada da próxima safra alcança cerca de 300 mil toneladas. Esse desequilíbrio ajuda a sustentar os preços, embora a demanda mais fraca por farinhas impeça uma valorização mais intensa.
Moinhos gaúchos ampliam cobertura até setembro
Diante da oferta restrita, os moinhos do Rio Grande do Sul avançaram na cobertura das necessidades de matéria-prima até 30 de setembro. O abastecimento, porém, continua desafiador, principalmente para lotes que atendam aos padrões de qualidade exigidos pela indústria.
Como alternativa, o trigo importado pela Cargill é ofertado a US$ 289 por tonelada em Rio Grande e a US$ 300 por tonelada em Canoas.
No mercado disponível de Panambi, o preço de balcão permanece em R$ 69 por saca.
Comercialização da nova safra avança lentamente no mercado gaúcho
As negociações antecipadas envolvendo o trigo da nova safra seguem cautelosas. Até o momento, aproximadamente 60 mil toneladas teriam sido comercializadas no Rio Grande do Sul.
Para entrega em dezembro, compradores chegaram a indicar R$ 1.400 por tonelada FOB. Os vendedores, entretanto, não demonstraram interesse suficiente para ampliar os fechamentos nesse nível de preço.
A postura mais defensiva reflete as incertezas sobre a produção, a qualidade dos grãos e o comportamento do mercado até o período da colheita.
Mercado de trigo em Santa Catarina permanece lento
Em Santa Catarina, a comercialização continua em ritmo reduzido. A baixa atividade de moagem e o abastecimento prévio das indústrias diminuem a necessidade de novas compras no curto prazo.
O trigo destinado à produção de pão é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Também houve registro de operação com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB.
Apesar dos negócios pontuais, o mercado catarinense ainda não apresenta sinais consistentes de retomada da demanda.
Moinhos do Paraná aceleram reposições no fim do mês
No Paraná, a proximidade do encerramento do mês estimulou novas compras para reposição dos estoques dos moinhos. O trigo remanescente da safra anterior é negociado ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF moinho, mas a quantidade disponível para venda permanece limitada.
Para o trigo da nova safra, as ofertas começam em aproximadamente R$ 1.450 por tonelada FOB. Mesmo assim, parte dos vendedores prefere aguardar antes de assumir novos compromissos comerciais.
El Niño aumenta cautela nas negociações da nova safra de trigo
A expectativa em relação aos possíveis efeitos do El Niño reforça a prudência dos produtores paranaenses. As condições climáticas podem influenciar o desenvolvimento das lavouras, a produtividade e, principalmente, a qualidade do trigo colhido.
Com isso, os vendedores evitam ampliar antecipadamente a comercialização sem maior clareza sobre o potencial produtivo da safra. Os compradores, por sua vez, mantêm aquisições seletivas e direcionadas às necessidades de curto prazo.
O mercado de trigo no Sul deve continuar condicionado pela baixa disponibilidade de grãos, pela demanda das indústrias e pelo clima. Enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta um déficit relevante de matéria-prima, Santa Catarina opera com pouca liquidez e o Paraná concentra as atenções na evolução da nova safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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