El Niño e chuvas irregulares exigem manejo estratégico das pastagens e suplementação de bovinos
Oscilações climáticas podem reduzir a oferta e a qualidade do capim, afetando o ganho de peso, a reprodução e a rentabilidade da pecuária; planejamento nutricional ajuda a minimizar perdas.
Publicado em: 29/10/2026 às 07:30hs
A irregularidade das chuvas prevista para os próximos meses exige atenção redobrada dos pecuaristas brasileiros ao manejo das pastagens e à nutrição dos bovinos. Sob influência do El Niño, a distribuição das precipitações pode variar entre as regiões do país, alterando o ritmo de crescimento do capim e a disponibilidade de nutrientes para os animais.
Enquanto a Região Sul tende a registrar chuvas acima da média, com precipitações concentradas e maior risco de encharcamento em algumas áreas, partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos secos prolongados e volumes de chuva menores ou irregulares.
Esse cenário aumenta a necessidade de monitoramento das pastagens e de ajustes no planejamento alimentar do rebanho, especialmente nos sistemas de produção que dependem predominantemente do pasto.
Segundo Rafael Silva, consultor técnico de nutrição da Agronorte, as mudanças climáticas podem comprometer tanto a quantidade quanto a qualidade da forragem disponível.
A redução do consumo de capim e da oferta de nutrientes pode prejudicar o desempenho produtivo dos animais, tornando o manejo nutricional uma ferramenta importante para manter a eficiência da pecuária ao longo do ano.
Como as chuvas irregulares afetam a qualidade do pasto?
A disponibilidade de forragem depende diretamente das condições climáticas, da fertilidade do solo, da espécie forrageira e do manejo adotado na propriedade. Quando há falta de água, o crescimento das plantas pode diminuir, reduzindo a quantidade de capim disponível para o rebanho.
Além da menor oferta de alimento, o estresse hídrico pode alterar a composição nutricional das pastagens, com redução dos teores de proteína bruta e menor digestibilidade da fibra em determinadas condições.
Essas mudanças dificultam o aproveitamento dos nutrientes pelos bovinos e podem provocar uma sequência de impactos produtivos, como:
- Redução do ganho médio diário de peso;
- Perda de condição corporal;
- Piora da eficiência alimentar;
- Atraso no acabamento e na idade de abate;
- Comprometimento dos índices reprodutivos;
- Maior dificuldade para manter o desempenho do rebanho.
Em regiões sujeitas a períodos prolongados de estiagem, a avaliação frequente da quantidade e da qualidade do capim é fundamental para antecipar déficits nutricionais e evitar que os animais percam desempenho.
Suplementação de bovinos ajuda a reduzir os efeitos da seca
Quando a pastagem não atende integralmente às exigências nutricionais do rebanho, a suplementação no cocho pode ajudar a corrigir deficiências e melhorar o aproveitamento da forragem disponível.
De acordo com Rafael Silva, o fornecimento estratégico de nutrientes contribui para manter o funcionamento adequado do rúmen e sustentar o desempenho dos animais mesmo em períodos de menor qualidade do pasto.
A escolha do suplemento, porém, deve considerar a categoria animal, a fase produtiva, a composição da dieta, a disponibilidade de forragem e os objetivos da propriedade. A suplementação não substitui o manejo adequado das pastagens, mas pode complementar a alimentação conforme as necessidades identificadas.
O planejamento antecipado também permite ao produtor organizar a compra de insumos, ajustar o fornecimento de alimentos e reduzir o risco de decisões emergenciais durante períodos críticos.
Proteína e energia são fundamentais para o desempenho dos bovinos
Entre os nutrientes mais importantes para a pecuária a pasto estão a proteína e a energia, cuja disponibilidade pode se tornar limitante durante a transição entre estações ou em períodos de estiagem.
Proteína: contribui para o desenvolvimento dos microrganismos do rúmen, que participam da digestão da fibra. Quando fornecida em quantidades adequadas, pode favorecer o aproveitamento da forragem e o consumo de pasto.
Energia: é essencial para a manutenção do organismo, o crescimento, o ganho de peso e a terminação dos animais. A oferta insuficiente pode limitar o desempenho mesmo quando outros nutrientes estão disponíveis.
O equilíbrio entre proteína, energia e demais componentes da dieta deve ser definido de acordo com as exigências dos bovinos e as características do sistema produtivo. O ajuste nutricional ajuda a evitar deficiências e a direcionar os recursos para os resultados desejados na fazenda.
Suplementação mineral e vitaminas também exigem atenção
Além de proteína e energia, os minerais e as vitaminas desempenham funções importantes na saúde, no crescimento e na reprodução dos bovinos.
Entre os macrominerais necessários estão fósforo, cálcio, sódio, magnésio e enxofre. Já os microminerais incluem elementos como zinco, cobre, selênio e cromo, que participam de diferentes processos metabólicos.
Esses nutrientes estão relacionados ao desenvolvimento ósseo, à atividade enzimática, à imunidade, à fertilidade e ao metabolismo energético. As vitaminas também contribuem para o funcionamento adequado do organismo, e suas necessidades variam conforme a dieta, a categoria animal e as condições de produção.
Em sistemas a pasto, a suplementação mineral deve considerar a composição da forragem, as características do solo e as exigências do rebanho. O fornecimento equilibrado ajuda a corrigir deficiências e a manter condições nutricionais adequadas.
Manejo das pastagens deve acompanhar as condições climáticas
A irregularidade das chuvas exige que o pecuarista acompanhe a evolução das pastagens e adapte o manejo às condições de cada propriedade. No Sul, o excesso de precipitação em determinados períodos pode dificultar o acesso às áreas, prejudicar o desenvolvimento das plantas e aumentar os riscos associados ao encharcamento.
Em regiões com menor disponibilidade de chuva, o crescimento mais lento do capim pode exigir ajustes na lotação, no planejamento da oferta de forragem e na suplementação alimentar.
Entre as medidas que podem contribuir para enfrentar períodos climáticos desfavoráveis estão:
- Monitorar o pasto: acompanhar a disponibilidade de massa forrageira e o estágio de desenvolvimento das plantas.
- Ajustar a lotação: adequar o número de animais à capacidade de suporte da área.
- Planejar a alimentação: antecipar possíveis déficits de forragem e definir estratégias nutricionais.
- Avaliar o rebanho: observar peso, condição corporal e desempenho produtivo.
- Corrigir deficiências: escolher suplementos de acordo com as necessidades dos animais e a qualidade da dieta.
O planejamento deve levar em conta as diferenças entre propriedades e regiões, evitando a adoção de estratégias padronizadas que desconsiderem as condições locais.
Agronorte oferece linhas de suplementação para a pecuária a pasto
Para atender a diferentes necessidades nutricionais dos sistemas de produção, a Agronorte disponibiliza as linhas Pasto, Phoscerrado e Evo, voltadas à suplementação de bovinos.
A Linha Pasto reúne opções de suplementação proteica, proteico-energética e rações completas, destinadas a apoiar o desempenho animal em diferentes épocas do ano.
A Linha Phoscerrado é direcionada à suplementação de macro e microminerais, com foco no atendimento das exigências minerais do rebanho e na correção de deficiências nutricionais.
Já a Linha Evo complementa a dieta com minerais, vitaminas, aditivos e fontes de nitrogênio não proteico, conforme a formulação de cada produto, contribuindo para o atendimento das necessidades nutricionais dos animais.
A escolha de qualquer solução deve considerar a avaliação da dieta, a categoria dos bovinos e as condições da pastagem, preferencialmente com orientação técnica.
Planejamento nutricional é decisivo para a rentabilidade da pecuária
Com a maior variabilidade climática, o planejamento da alimentação passa a ter papel estratégico na gestão das propriedades pecuárias. A combinação entre monitoramento das pastagens, ajuste da lotação e suplementação adequada pode ajudar a preservar o desempenho animal e reduzir perdas durante períodos de menor disponibilidade de forragem.
Para Rafael Silva, acompanhar as condições do pasto e definir estratégias nutricionais compatíveis com cada fase produtiva é essencial para proteger a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade dos sistemas de produção.
Diante das incertezas climáticas, antecipar decisões e adaptar o manejo às condições reais da propriedade pode fazer diferença nos resultados da pecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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