Publicidade
Saúde Animal

Mosca-das-bicheiras causa prejuízos de US$ 340 milhões à pecuária brasileira e ameaça a produtividade dos rebanhos

Miíase provocada pelas larvas da Cochliomyia hominivorax pode causar lesões graves, mortalidade de bezerros e perdas econômicas; prevenção, inspeção frequente e tratamento adequado são essenciais para proteger os bovinos.


Publicado em: 29/10/2026 às 08:00hs

Mosca-das-bicheiras causa prejuízos de US$ 340 milhões à pecuária brasileira e ameaça a produtividade dos rebanhos

A mosca-das-bicheiras representa um importante desafio sanitário para a pecuária brasileira. Os prejuízos econômicos associados ao parasita são estimados em aproximadamente US$ 340 milhões no Brasil, principalmente em razão da mortalidade de bezerros, conforme artigo publicado na revista científica Pathogens.

A infestação ocorre quando larvas da mosca Cochliomyia hominivorax se desenvolvem em tecidos vivos dos animais, provocando a chamada miíase. O problema pode comprometer o bem-estar dos bovinos, reduzir o desempenho produtivo e gerar despesas adicionais com medicamentos, mão de obra e manejo sanitário.

Em situações graves, a evolução das lesões e as infecções secundárias podem levar à morte dos animais, ampliando os prejuízos financeiros para a propriedade rural.

Como a mosca-das-bicheiras afeta os bovinos

A infestação começa, geralmente, quando a fêmea da mosca deposita ovos nas bordas de feridas. Após a eclosão, as larvas passam a se alimentar dos tecidos vivos, provocando lesões que podem se agravar rapidamente sem intervenção adequada.

Na pecuária, os riscos aumentam em períodos e situações que favorecem a formação de feridas, como:

  • Castrações e descornas;
  • Partos e lesões decorrentes do manejo;
  • Ferimentos na pele;
  • Problemas umbilicais em bezerros recém-nascidos.

Temperaturas elevadas e condições ambientais favoráveis à atividade dos insetos também podem aumentar a exposição dos rebanhos.

Segundo Gibrann Frederiko, médico-veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura, a prevenção e a identificação precoce são fundamentais para evitar a progressão das lesões e reduzir o sofrimento dos animais.

Sinais da miíase exigem atenção do produtor

A inspeção frequente do rebanho ajuda a identificar os primeiros sinais da infestação e permite iniciar o tratamento indicado com maior rapidez.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Feridas com larvas visíveis;
  • Secreção e odor desagradável na região afetada;
  • Dor, inquietação e lambedura excessiva;
  • Perda de apetite e isolamento;
  • Agravamento das lesões e queda no desempenho produtivo.

Quando não há intervenção rápida, as feridas podem aumentar e favorecer complicações. Por isso, a identificação de larvas ou de lesões suspeitas exige avaliação e tratamento veterinário adequado.

Prejuízos vão além dos custos com medicamentos

O impacto econômico da mosca-das-bicheiras não se limita às despesas diretas com produtos veterinários. A infestação também pode exigir mais mão de obra, alterar a rotina de manejo e comprometer indicadores importantes da produção pecuária.

Entre as consequências estão a redução do ganho de peso, o pior desempenho dos animais, possíveis perdas reprodutivas e a desvalorização de bovinos afetados. Em casos graves, a mortalidade representa uma perda direta de patrimônio para o produtor.

A prevenção, portanto, também funciona como estratégia de gestão econômica da fazenda. Ao reduzir a ocorrência de infestações e complicações, o pecuarista pode diminuir a necessidade de intervenções emergenciais e evitar gastos adicionais.

Endectocidas podem integrar a estratégia de controle

O uso de endectocidas pode contribuir para o controle de determinados parasitas, desde que o produto seja registrado para a espécie animal e para a indicação pretendida. A escolha deve considerar o princípio ativo, a formulação, a dose, a via de administração e o período de proteção informado pelo fabricante.

Gibrann Frederiko destaca que a definição do tratamento deve levar em conta as condições de cada propriedade, o histórico de infestação, a presença de feridas e a categoria dos animais.

O especialista também reforça a importância de seguir rigorosamente as orientações da bula e respeitar os períodos de carência para carne e leite, quando aplicáveis.

Atenção: a escolha do medicamento e do protocolo sanitário deve contar com orientação de médico-veterinário. Nem todo endectocida tem indicação específica para miíase, e o uso inadequado pode comprometer a eficácia do controle e a segurança dos produtos de origem animal.

Manejo preventivo reduz o risco de novas infestações

O controle da mosca-das-bicheiras exige ações contínuas e adaptadas à realidade de cada fazenda. Entre as principais medidas preventivas estão:

  • Inspecionar o rebanho regularmente: verificar feridas, umbigos e regiões mais suscetíveis;
  • Tratar lesões rapidamente: buscar orientação veterinária diante de feridas suspeitas;
  • Reforçar os cuidados com bezerros: realizar a higiene e os cuidados umbilicais conforme o protocolo sanitário;
  • Planejar procedimentos de manejo: adotar medidas para reduzir ferimentos e acompanhar a recuperação dos animais;
  • Avaliar os períodos de maior risco: considerar as condições ambientais e a presença de moscas;
  • Monitorar os resultados: verificar a resposta aos tratamentos e ajustar as medidas com acompanhamento técnico.

O planejamento sanitário permite antecipar situações de risco, organizar o manejo e direcionar os recursos para as medidas mais adequadas.

Controle sanitário também melhora o bem-estar animal

A prevenção da miíase contribui diretamente para reduzir dor, estresse, inflamações e infecções secundárias. Bovinos com melhor condição sanitária tendem a manter o consumo alimentar e o desempenho produtivo, favorecendo os resultados da propriedade.

Para Gibrann Frederiko, o controle deve combinar vigilância constante, medidas preventivas e tratamento correto. A identificação precoce e a resposta rápida são fundamentais para evitar o agravamento das lesões e limitar os prejuízos ao rebanho.

Diante do potencial de perdas econômicas, o combate à mosca-das-bicheiras deve fazer parte do planejamento sanitário da pecuária, com protocolos adequados a cada sistema de produção e acompanhamento de profissionais especializados.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias