Chuvas impulsionam plantio de soja em Mato Grosso, mas prejudicam trigo e atrasam lavouras no Sul
Conab aponta semeadura de soja acima de 60% em Mato Grosso; excesso de umidade afeta a qualidade do trigo e dificulta o avanço de soja, arroz e milho em outras regiões
Publicado em: 28/10/2026 às 17:30hs
A distribuição irregular das chuvas influencia o andamento das safras brasileiras neste início de ciclo 2026/27. Em áreas do Centro-Oeste, a recuperação da umidade do solo favoreceu o plantio de culturas de verão, especialmente da soja. No Sul, o excesso de água dificulta as operações nas lavouras e preocupa produtores de trigo.
O quadro consta do Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicado em 23 de outubro. O levantamento analisa as condições das lavouras entre 1º e 21 de outubro de 2026, incluindo culturas de inverno da safra 2025/26 e cultivos de verão do novo ciclo.
Em Mato Grosso, a semeadura da soja superou 60% da área prevista. Já no Paraná e em São Paulo, as chuvas afetaram a qualidade do trigo, enquanto no Rio Grande do Sul a colheita avança lentamente.
Plantio de soja supera 60% em Mato Grosso
As condições de umidade permitiram aos produtores de Mato Grosso intensificar a semeadura da soja em todas as macrorregiões. Segundo a Conab, o plantio ultrapassou 60% da área planejada no estado.
No Paraná, a maior parte das lavouras já implantadas apresenta bom desenvolvimento. Ainda assim, a companhia alerta que o excesso de umidade pode causar falhas de germinação e favorecer plantas invasoras, pragas e doenças.
Em Goiás, o ritmo varia entre as regiões. No sudoeste, a umidade do solo favorece as operações e a expectativa, no período analisado, era concluir a semeadura ainda em outubro. No sul, algumas localidades avançaram, enquanto outras interromperam temporariamente os trabalhos devido à rápida perda de umidade após o revolvimento da terra.
Nas regiões leste, oeste e norte de Goiás, o plantio em áreas de sequeiro permanecia pouco expressivo, com as operações concentradas em áreas irrigadas.
Umidade limita semeadura em MS, RS e São Paulo
Em Mato Grosso do Sul, o solo muito úmido levou à suspensão temporária do plantio de soja na maior parte das regiões produtoras. No norte e no nordeste do estado, chuvas esparsas permitiram a continuidade dos trabalhos.
No Rio Grande do Sul, os produtores aguardavam a redução do encharcamento e períodos sem chuva para intensificar a semeadura. Em São Paulo, o excesso de água dificultava o acesso e a movimentação das máquinas nas lavouras.
Em Minas Gerais, o plantio avançava nas áreas de sequeiro. A Conab também registrou dificuldades para a semeadura em partes do Norte e do Nordeste, onde a precipitação ainda era baixa.
Chuvas comprometem qualidade do trigo em SP e no Paraná
As lavouras de trigo estão entre as mais afetadas pelo clima chuvoso. Em São Paulo, onde a colheita se aproxima do fim, grande parte dos grãos colhidos apresenta qualidade inferior à esperada pela indústria de moagem.
No Paraná, a colheita alcançava 75% da área plantada no levantamento. A qualidade também foi prejudicada, com peso hectolítrico (PH) abaixo do esperado.
No Rio Grande do Sul, o volume elevado de chuva e a menor radiação solar retardavam a colheita. A maior parte das lavouras estava em enchimento de grãos e maturação, fases que exigem atenção à ocorrência de doenças nas espigas.
Em Santa Catarina, a sequência de períodos chuvosos ampliou a preocupação com doenças fúngicas, como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares, principalmente nas áreas mais precoces. Em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a colheita do trigo estava concluída.
Arroz: plantio chega a cerca de 40% no RS
Na primeira quinzena de outubro, aproximadamente 40% da área prevista para o arroz no Rio Grande do Sul havia sido semeada. Segundo a Conab, a chuva volumosa e a umidade elevada encarecem as operações e prejudicam o desenvolvimento inicial das lavouras.
Em Santa Catarina, o plantio já havia superado metade da área planejada no mesmo período. As condições climáticas, porém, também dificultavam a semeadura e o crescimento inicial das plantas.
No Maranhão e no Pará, o cultivo começou nas áreas irrigadas. Para as áreas de sequeiro, a semeadura estava prevista para novembro e dezembro, quando se espera maior regularidade das chuvas.
Milho de primeira safra avança, mas clima aumenta atenção a doenças
O plantio do milho de primeira safra estava próximo da conclusão no Paraná, com as lavouras em desenvolvimento vegetativo. Em pontos do estado, chuvas acompanhadas de granizo e vendavais provocaram desfolhamento. A Conab também registrou condições favoráveis à ocorrência de lagartas e tripes.
No Rio Grande do Sul, a semeadura superava 80% da área prevista. A combinação de nebulosidade persistente, temperaturas amenas e umidade elevada aumenta a pressão de doenças, sobretudo em lavouras mais desenvolvidas ou atingidas por granizo.
Em Goiás, o avanço era desigual. No leste do estado, alguns municípios haviam semeado entre 50% e 70% da área prevista. Já em Minas Gerais, a implantação ocorria de forma lenta e gradual.
Indicadores de vegetação estão acima da média histórica
Apesar das diferenças regionais, os indicadores de vegetação acompanhados pela Conab apontaram condições favoráveis no início da safra, com índices acima da média histórica em todas as regiões monitoradas.
Na comparação com o ciclo anterior, os índices estavam mais altos no sul de Goiás e no sudoeste de Mato Grosso do Sul. No norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, permaneciam próximos aos registrados na safra passada.
O boletim é elaborado pela Conab em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam).
Fonte: Portal do Agronegócio
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