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Biológicos e Bioinsumos

Brasil registra primeiro biofungicida nacional 100% à base de metabólitos para doenças da soja

Desenvolvida pela Bioma após cinco anos de pesquisas, tecnologia reúne cerca de 40 metabólitos e amplia as opções de manejo contra antracnose e mancha-alvo


Publicado em: 21/08/2026 às 07:00hs

Brasil registra primeiro biofungicida nacional 100% à base de metabólitos para doenças da soja

A indústria brasileira de bioinsumos alcançou um novo marco com o registro comercial do primeiro biofungicida desenvolvido no país e formulado integralmente à base de metabólitos, segundo a Bioma. A tecnologia foi registrada para o manejo da antracnose e da mancha-alvo, duas doenças capazes de provocar perdas expressivas nas lavouras de soja.

Batizado de Metabolic Protection, o produto representa uma nova categoria dentro do mercado nacional de defensivos biológicos. Diferentemente dos biofungicidas tradicionais, formulados com fungos ou bactérias vivos, a solução utiliza moléculas produzidas por microrganismos para atuar diretamente sobre os patógenos e estimular os mecanismos naturais de defesa das plantas.

O registro também fortalece a produção nacional de tecnologias agrícolas em um momento de elevada dependência externa. Entre janeiro e maio de 2026, as importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões, segundo dados do CropData.

Biofungicida combate antracnose e mancha-alvo da soja

A nova tecnologia foi registrada para controlar a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum truncatum, e a mancha-alvo, provocada por Corynespora cassiicola.

As duas doenças estão entre os principais desafios fitossanitários da soja. Em cultivares suscetíveis e sob condições ambientais favoráveis à disseminação dos patógenos, as perdas de produtividade podem chegar a 40%, de acordo com Artur Soares, diretor de Pesquisa da Orygen.

A incorporação de moléculas de origem biológica aos programas de manejo pode ampliar a diversidade de mecanismos de ação empregados nas lavouras. Essa estratégia é considerada importante para reduzir a pressão de seleção e retardar o avanço da resistência dos fungos aos defensivos convencionais.

Tecnologia reúne cerca de 40 metabólitos

O biofungicida utiliza uma metodologia proprietária voltada à estimulação de genes específicos dos microrganismos responsáveis pela produção de compostos com interesse agronômico.

O processo resulta em um conjunto formado por aproximadamente 40 metabólitos. Segundo a empresa, mais de 20 desses compostos apresentam ação direta contra os fungos, enquanto outros 17 estimulam as defesas naturais da planta.

A combinação de diferentes moléculas e formas de atuação busca enfrentar um dos principais problemas do manejo fitossanitário da soja: a perda gradual de eficácia de alguns fungicidas químicos após aplicações sucessivas de produtos com mecanismos semelhantes.

Para Soares, o registro demonstra a capacidade da pesquisa brasileira de desenvolver tecnologias inéditas e transformá-las em soluções comerciais para o produtor rural.

Pesquisa foi realizada em mais de 50 regiões produtoras

O desenvolvimento do produto exigiu cinco anos de estudos. Durante esse período, o biofungicida foi avaliado em mais de 50 regiões produtoras do Brasil, abrangendo diferentes condições climáticas, sistemas de cultivo e níveis de pressão de doenças.

Os testes analisaram tanto a eficiência no controle da antracnose e da mancha-alvo quanto a possibilidade de integração da tecnologia aos programas de manejo já adotados nas propriedades rurais.

A pesquisa foi realizada dentro da Cogny, ecossistema empresarial dedicado ao desenvolvimento de bioinsumos. A concepção científica ficou sob responsabilidade da Orygen, empresa de pesquisa e desenvolvimento do grupo, enquanto a Bioma conduziu as etapas de desenvolvimento, registro e disponibilização comercial.

Mercado brasileiro de biofungicidas cresce 41%

O registro ocorre em um período de forte expansão do mercado de defensivos biológicos. Em 2025, os biofungicidas lideraram o crescimento em valor entre as categorias de produtos biológicos no Brasil.

Segundo informações do CropData, plataforma da CropLife Brasil, o faturamento do segmento avançou 41% e alcançou R$ 1,4 bilhão. A área tratada chegou a 26 milhões de hectares, crescimento anual de 37%.

A base pública da entidade ainda não apresenta uma classificação específica para fungicidas compostos exclusivamente por metabólitos. O registro do produto brasileiro, portanto, abre caminho para a expansão comercial desse novo segmento no país.

Fungicidas movimentaram US$ 6,5 bilhões em 2025

O mercado brasileiro de fungicidas movimentou aproximadamente US$ 6,5 bilhões em 2025, equivalente a 32% dos US$ 20,2 bilhões registrados pelo setor de defensivos agrícolas.

Em volume, a categoria respondeu por 466 mil toneladas, ou 26% do total de 1,79 milhão de toneladas de defensivos aplicados nas lavouras brasileiras. Os números fazem parte de levantamento da Kynetec Brasil divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal.

O tamanho desse mercado indica o potencial de crescimento das tecnologias biológicas, especialmente diante da busca por produtos com novos mecanismos de ação e capazes de complementar os programas tradicionais de manejo.

Produção nacional reduz dependência de defensivos importados

A chegada do novo biofungicida ocorre em um cenário marcado por conflitos geopolíticos, volatilidade cambial e riscos nas cadeias internacionais de abastecimento.

O Brasil importou US$ 4,28 bilhões em defensivos químicos somente nos cinco primeiros meses de 2026. A dependência do mercado externo expõe produtores e empresas a oscilações de preços, dificuldades logísticas e eventuais restrições de oferta.

Na avaliação da Bioma, o desenvolvimento e a fabricação de insumos no Brasil podem oferecer maior previsibilidade ao planejamento das safras, ampliar a segurança de abastecimento e fortalecer estratégias fitossanitárias de longo prazo.

Bioinsumos ampliam espaço na agricultura brasileira

O novo produto integra uma trajetória de investimentos da Bioma em soluções microbiológicas. Entre as tecnologias desenvolvidas anteriormente estão um solubilizador biológico de fósforo em processo de expansão para o mercado europeu e um produto formulado a partir de uma bactéria da Caatinga para aumentar a tolerância das plantas ao estresse hídrico.

O biofungicida à base de metabólitos amplia essa estratégia ao avançar das formulações com microrganismos vivos para o aproveitamento das moléculas produzidas por eles.

Com o crescimento da resistência de patógenos e a necessidade de reduzir a dependência de insumos importados, tecnologias biológicas desenvolvidas no Brasil tendem a ganhar importância nos programas de manejo. A expectativa é que os metabólitos sejam utilizados de forma integrada aos fungicidas convencionais, ampliando a proteção das lavouras e a sustentabilidade da produção de soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

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