Bioestimulantes elevam produtividade da soja em 5% em estudos, relata pesquisador
Luiz Gustavo Moretti destaca potencial desses insumos para reduzir efeitos do estresse nas plantas; resultados dependem da integração ao manejo e das condições de cultivo
Publicado em: 28/10/2026 às 07:30hs
A integração de bioestimulantes ao manejo agrícola pode ajudar a reduzir o estresse das plantas e favorecer a produtividade, segundo o pesquisador Luiz Gustavo Moretti, atualmente na Embrapa. Em estudos com soja, ele relata aumento de rendimento de 80 para 84 sacas por hectare, ganho de 5%, equivalente a quatro sacas adicionais por hectare.
Engenheiro agrônomo, mestre em sistemas de produção, doutor em fisiologia de plantas e pós-doutor em microbiologia agrícola, Moretti iniciou experimentos com esses insumos quando atuava na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Botucatu (SP).
Na avaliação do especialista, os resultados mostram o potencial dos bioestimulantes como complemento às práticas agrícolas. Os ganhos observados nos experimentos, porém, não representam garantia de aumento de produtividade em qualquer lavoura.
Ganho de quatro sacas ocorreu em lavouras de alto rendimento
Moretti ressalta que o avanço registrado na soja partiu de um patamar produtivo elevado. Segundo ele, alcançar 80 sacas por hectare já pressupõe a utilização de recursos tecnológicos e um manejo capaz de sustentar esse desempenho.
Nesse contexto, a inclusão do bioestimulante proporcionou rendimento adicional nos estudos mencionados. O pesquisador também relata uma relação custo-benefício favorável nas condições avaliadas.
A contribuição desses insumos deve ser analisada dentro do sistema de produção, considerando o desempenho obtido e o investimento necessário para sua utilização.
Como os bioestimulantes podem ajudar plantas sob estresse
De acordo com Moretti, a ação dos bioestimulantes está relacionada à regulação de processos fisiológicos envolvidos na resposta das plantas às condições ambientais.
Entre os mecanismos citados estão o metabolismo, a fotossíntese e o funcionamento dos estômatos, pequenas estruturas presentes na superfície das folhas que participam das trocas gasosas e da perda de água.
Na explicação do pesquisador, uma resposta mais equilibrada ao estresse pode favorecer o aproveitamento dos recursos da planta para o crescimento e a produção. Isso inclui ajustar a abertura e o fechamento dos estômatos às condições do ambiente, contribuindo para o controle da perda de água.
Variabilidade climática amplia interesse pelo manejo fisiológico
O pesquisador aponta que a preocupação com os efeitos do clima tem ampliado o espaço para bioestimulantes em culturas como soja, milho, algodão e hortícolas.
Na avaliação apresentada por Moretti, os riscos associados ao El Niño reforçam a atenção ao estresse das plantas na safra 2026/27. Ele destaca especialmente a exposição do milho e do algodão de segunda safra a condições ambientais desfavoráveis.
O especialista menciona, nesse cenário, riscos de excesso de chuva no Sul e em parte do Sudeste, além de seca e calor em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A análise reforça a importância de ajustar o manejo às condições efetivamente encontradas em cada região.
Qualidade dos produtos evoluiu, avalia Moretti
Segundo o pesquisador, os bioestimulantes comercializados no Brasil abrangem formulações à base de extratos de algas, nutrientes, hormônios, componentes biológicos e complexos orgânicos.
Moretti considera que houve evolução na qualidade dos ingredientes utilizados em comparação com os produtos disponíveis há quinze ou vinte anos. Para ele, esse avanço amplia as possibilidades de aplicação, desde que os insumos sejam integrados ao manejo de cada cultura.
Sipcam Nichino apresenta bioestimulante com composto GLLc
Nesse mercado, a Sipcam Nichino Brasil anunciou a introdução do Freedom Next®, bioestimulante desenvolvido na Itália e formulado com o composto GLLc, denominado Glico Ligno Lipídico.
A empresa apresenta a solução como um “otimizador do metabolismo de plantas” e informa que sua ação está direcionada a processos fisiológicos das culturas agrícolas. Essa descrição corresponde ao posicionamento técnico e comercial da companhia.
Moretti participou do desenvolvimento do produto durante sua atuação na Unesp. Segundo o pesquisador, o composto interfere nas respostas fisiológicas das plantas às condições ambientais.
O relato sobre o novo produto integra uma discussão mais ampla sobre o uso de bioestimulantes na agricultura: buscar ganhos de eficiência e produtividade por meio de tecnologias complementares, avaliadas em conjunto com as demais práticas adotadas na lavoura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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