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Biológicos e Bioinsumos

Controle biológico reduz pulgão-do-sorgo em lavouras de Minas Gerais

Pesquisa liderada pela Embrapa identifica ação de moscas-das-flores e joaninhas no sorgo forrageiro e reforça a importância do monitoramento e da preservação dos inimigos naturais


Publicado em: 14/10/2026 às 16:00hs

Controle biológico reduz pulgão-do-sorgo em lavouras de Minas Gerais
Foto: Embrapa

O controle biológico natural contribuiu para reduzir a população do pulgão-do-sorgo em lavouras de sorgo forrageiro de Minas Gerais. Pesquisa liderada pela Embrapa Milho e Sorgo identificou que, nas áreas sem aplicação de inseticidas, as larvas de sirfídeos, conhecidos como moscas-das-flores, ajudaram a conter a infestação de Melanaphis sorghi.

O estudo acompanhou duas safras e comparou áreas com e sem tratamento químico. Os resultados mostraram que a preservação dos inimigos naturais favoreceu o equilíbrio das populações de insetos e reforçaram a importância do manejo integrado de pragas (MIP) para a produção de sorgo destinado à silagem.

Segundo a pesquisadora Simone Mendes, compreender como o ambiente, o clima e os organismos benéficos interferem na ocorrência de pragas é fundamental para prevenir perdas econômicas e reduzir a dependência de inseticidas.

Moscas-das-flores e joaninhas ajudam a controlar pulgões

As avaliações foram realizadas diretamente nas lavouras, com amostragens semanais das populações de insetos. O pulgão-do-sorgo foi a praga predominante e atingiu seu pico populacional durante a fase vegetativa das plantas.

Os pesquisadores observaram uma associação positiva entre a presença desse pulgão e a ocorrência de larvas de sirfídeos, seus predadores. Nas áreas sem intervenção química, a biodiversidade mais preservada favoreceu a atuação desses inimigos naturais.

Insetos da família Coccinellidae, as joaninhas, também contribuíram para o controle dos pulgões. A ação conjunta desses predadores foi observada tanto sobre Melanaphis sorghi quanto sobre o pulgão-do-milho, Rhopalosiphum maidis.

O estudo também avaliou outros insetos-praga, como a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, e a broca-da-cana. No caso da lagarta-do-cartucho, as larvas de sirfídeos apresentaram menor eficiência de predação.

Infestação pode prejudicar a qualidade da silagem

O pulgão-do-sorgo se concentra na face inferior das folhas, especialmente nas folhas baixeiras, que se desenvolvem primeiro. Essa localização dificulta a identificação inicial da praga e exige atenção durante as inspeções.

Em infestações intensas, as colônias liberam uma substância açucarada, conhecida como melada. Sobre ela se desenvolve a fumagina, que forma uma camada escura na superfície foliar.

Essa cobertura reduz a capacidade de fotossíntese da planta e pode comprometer a qualidade da silagem. Por isso, o acompanhamento da lavoura é essencial para identificar o crescimento populacional antes que a infestação alcance níveis de difícil controle.

Chuvas influenciam a dinâmica das pragas

Além da presença de predadores, fatores climáticos interferem nas populações de pulgões. Temperatura, umidade relativa e precipitação estão entre os parâmetros destacados pela pesquisa.

De acordo com Simone Mendes, as chuvas têm papel relevante na mortalidade natural dos pulgões no campo. O trabalho observou redução das populações do pulgão-do-sorgo nos períodos chuvosos.

A resposta, porém, variou conforme a espécie. O pulgão-do-milho apresentou maior ocorrência no segundo ano de avaliação, associada ao volume mais elevado de precipitação registrado naquela safra. O resultado reforça a necessidade de considerar as particularidades de cada praga no planejamento do manejo.

Manejo integrado deve preservar os inimigos naturais

Os resultados destacam a importância de combinar monitoramento, avaliação das condições ambientais e conservação dos organismos benéficos.

Quando houver necessidade de controle químico, a pesquisadora ressalta que a escolha de inseticidas seletivos às joaninhas e aos sirfídeos ajuda a preservar a ação dos predadores presentes na lavoura. Essa seletividade contribui para manter o controle biológico natural e evitar que as populações de pragas atinjam níveis economicamente prejudiciais.

O acompanhamento frequente das plantas, sobretudo da parte inferior das folhas e das folhas baixeiras, é uma etapa central dessa estratégia.

Capim-massambará merece atenção na entressafra

A pesquisa também chama a atenção para possíveis reservatórios do pulgão-do-sorgo fora da lavoura comercial.

Segundo Douglas Santos, doutorando da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), outro estudo recente mostrou que milho e milheto não são hospedeiros importantes de Melanaphis sorghi. Já o capim-massambará, também chamado de sorgo-selvagem, deve ser avaliado, pois pode abrigar a praga, principalmente na entressafra.

Essa informação pode ajudar a orientar o monitoramento das áreas e a compreensão de como o inseto permanece no ambiente entre os ciclos de cultivo.

Pesquisa busca fortalecer a produção de sorgo forrageiro

O trabalho foi desenvolvido para ampliar o conhecimento sobre pragas e inimigos naturais em uma cultura importante para a alimentação animal.

Conforme Guilherme Avellar, doutorando da UFSJ, o sorgo forrageiro reúne elevada produção de massa verde e valor energético, características relevantes para a fabricação de silagem. A cultura também apresenta resiliência a condições adversas, como seca e calor extremo, sobretudo em comparação com o milho.

Ao identificar a influência dos predadores e do clima sobre as infestações, a pesquisa oferece subsídios para estratégias de manejo que conciliem proteção da lavoura, produtividade e preservação do controle biológico natural.

Fonte: Portal do Agronegócio

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