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Milho e Sorgo

Preço do milho recua no Sul do Brasil, enquanto temporais afetam lavouras e colheita dos EUA avança

Plantio do milho da safra 2026/27 alcança 79% da área prevista no Rio Grande do Sul e 79,9% em Santa Catarina; em Chicago, mercado acompanha a colheita norte-americana, que chegou a 33% da área, ainda abaixo da média histórica.


Publicado em: 14/10/2026 às 11:48hs

Preço do milho recua no Sul do Brasil, enquanto temporais afetam lavouras e colheita dos EUA avança

O mercado do milho apresenta comportamentos distintos no Brasil e nos Estados Unidos nesta quarta-feira (14). Na Região Sul, os preços registram recuos em parte das praças acompanhadas, enquanto a cautela de compradores e vendedores mantém os negócios limitados. Ao mesmo tempo, o plantio da safra brasileira 2026/27 avança sob condições climáticas adversas em algumas áreas, com registros de temporais, granizo e vendavais.

No mercado internacional, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam próximos da estabilidade, com pequenas variações positivas em parte dos vencimentos. Os investidores avaliam o avanço da colheita norte-americana e as informações mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicam melhora nas condições das lavouras, mas também reforçam as expectativas de maior oferta do cereal.

Preços do milho recuam e negócios seguem limitados no Sul do Brasil

De acordo com a TF Agroeconômica, o mercado de milho na Região Sul continua marcado pela cautela. Os compradores concentram suas operações na reposição de estoques, enquanto os produtores restringem a oferta à espera de condições mais favoráveis de comercialização.

No Rio Grande do Sul, as cotações variam entre R$ 60 e R$ 69 por saca, conforme as referências de mercado. Segundo a Emater, o preço médio estadual caiu 0,37%, passando de R$ 62,67 para R$ 62,44 por saca.

Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, por outro lado, o milho disponível permanece cotado a R$ 75 por saca, evidenciando diferenças entre as referências regionais e as condições específicas de comercialização.

A demanda doméstica continua sendo importante para o escoamento da produção, mas a postura cautelosa dos compradores e o ritmo mais lento das exportações dificultam uma recuperação consistente dos negócios.

Temporais ameaçam o desenvolvimento do milho no Rio Grande do Sul

O plantio da safra 2026/27 alcançou 79% da área prevista no Rio Grande do Sul, ante 78% na semana anterior. Apesar do avanço dos trabalhos de campo, as condições climáticas representam um ponto de atenção para os produtores.

Temporais acompanhados de granizo, vendavais e chuvas intensas provocaram danos localizados em áreas agrícolas. Além disso, as baixas temperaturas e a menor incidência de radiação solar prejudicam o desenvolvimento das plantas em determinadas regiões.

O cenário mantém os produtores atentos à evolução do clima, especialmente nas áreas em que as lavouras estão em fase inicial de desenvolvimento. A extensão dos possíveis impactos sobre a produtividade dependerá da intensidade dos danos e das condições observadas nas próximas etapas do ciclo.

Santa Catarina acelera a semeadura e supera a média histórica

Em Santa Catarina, o plantio do milho atingiu 79,9% da área prevista, avançando em relação aos 65% registrados na semana anterior. O resultado também supera a média histórica de 73,3% para o período.

Os trabalhos estão mais adiantados nas regiões Oeste e Extremo Oeste, onde a semeadura evolui de forma mais acelerada. Entretanto, a recorrência das chuvas dificulta as operações no campo e interfere no manejo fitossanitário das lavouras.

No mercado catarinense, as referências de venda estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto as ofertas de compra giram em torno de R$ 55. A diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores oferecidos pelos compradores limita o fechamento de negócios.

A situação exige atenção adicional porque Santa Catarina depende do abastecimento de milho proveniente de outras regiões para atender parte de sua demanda, especialmente a cadeia de produção de proteínas animais.

Paraná registra queda nas cotações do milho

No Paraná, os preços recuaram na maioria das regiões monitoradas, acompanhando o ambiente de maior cautela no mercado doméstico.

No Centro Oriental, a saca de milho foi cotada a R$ 64,18, com queda de 0,14%. Já no Norte Central, o preço chegou a R$ 63,39, representando recuo de 1,01%.

As variações refletem um mercado no qual os compradores mantêm a seletividade nas aquisições, enquanto os vendedores avaliam o melhor momento para negociar a produção.

Mesmo com a demanda interna contribuindo para absorver a oferta disponível, a combinação entre negociações limitadas, cautela comercial e menor ritmo das exportações restringe o potencial de valorização do cereal no curto prazo.

Milho em Chicago opera próximo da estabilidade

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de milho iniciaram a sessão desta quarta-feira (14) com oscilações discretas, enquanto o mercado assimila os dados mais recentes sobre a safra dos Estados Unidos.

Por volta das 8h59, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,8275 por bushel, sem variação. O vencimento março de 2027 avançava 0,25 ponto, para US$ 4,9675 por bushel, enquanto o contrato maio de 2027 registrava alta de 1,25 ponto, cotado a US$ 5,0525 por bushel.

A movimentação indica um mercado atento às informações de oferta e produtividade, sem uma direção definida para os preços futuros neste início de pregão.

Colheita de milho dos EUA chega a 33%, mas segue abaixo da média histórica

O relatório Crop Progress, divulgado pelo USDA na terça-feira, mostrou que a colheita de milho nos Estados Unidos avançou de 23% para 33% da área em uma semana.

Apesar do avanço de dez pontos percentuais, o percentual colhido permanece abaixo da média histórica de 39% para o período. O ritmo dos trabalhos continua, portanto, no radar dos investidores, que acompanham as condições de campo e a evolução efetiva da oferta norte-americana.

O levantamento também apontou melhora nas condições das lavouras. A parcela das áreas classificadas como boas ou excelentes aumentou de 54% para 56% em uma semana.

Outro destaque foi o avanço da maturação das plantas, que passou de 83% para 91% da área, alcançando a média dos últimos cinco anos.

Os números indicam uma evolução da safra norte-americana, embora o ritmo da colheita ainda esteja abaixo do padrão histórico. A confirmação dos rendimentos efetivos será importante para avaliar o potencial de produção e seus reflexos sobre os preços internacionais.

Projeções do USDA limitam o potencial de alta do milho

O mercado internacional também repercute o relatório de oferta e demanda divulgado pelo USDA na sexta-feira anterior. Na ocasião, o órgão elevou suas projeções de produtividade, produção e estoques de milho dos Estados Unidos.

A perspectiva de maior disponibilidade do cereal tende a limitar movimentos de valorização, sobretudo enquanto os dados de campo não indicarem alterações relevantes nas estimativas de oferta.

Na terça-feira, os contratos futuros chegaram a ensaiar uma recuperação, mas perderam força ao longo do pregão e encerraram a sessão com pequenas desvalorizações.

Nesse contexto, os investidores continuam avaliando o equilíbrio entre o avanço da colheita, as condições das lavouras e as estimativas atualizadas de produção e estoques.

O que pode influenciar os preços do milho nos próximos dias?

No Brasil, o comportamento das cotações dependerá da combinação entre demanda interna, ritmo das exportações, disponibilidade de estoques e disposição dos produtores para negociar. A evolução do plantio e os possíveis impactos dos temporais também merecem atenção, principalmente nas áreas atingidas por eventos climáticos severos.

Nos Estados Unidos, o avanço da colheita e a confirmação da produtividade devem continuar entre os principais fatores de formação dos preços na Bolsa de Chicago.

Embora as condições das lavouras norte-americanas tenham apresentado melhora, o aumento das estimativas de oferta pelo USDA mantém os participantes do mercado cautelosos.

Em síntese, o mercado do milho enfrenta pressão sobre as cotações em parte do Sul do Brasil, enquanto os preços internacionais permanecem próximos da estabilidade. O clima nas áreas produtoras brasileiras e a confirmação do tamanho da safra norte-americana serão determinantes para os próximos movimentos do cereal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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