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Milho e Sorgo

Exportações de sorgo do Brasil chegam a 790,8 mil toneladas com China à frente das compras

País asiático concentra 95,5% dos embarques entre janeiro e setembro; programação da ANEC indica 1,44 milhão de toneladas para outubro, enquanto novas rotas ampliam o escoamento.


Publicado em: 13/10/2026 às 18:00hs

Exportações de sorgo do Brasil chegam a 790,8 mil toneladas com China à frente das compras

As exportações brasileiras de sorgo alcançaram 790,8 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representa uma mudança de escala em relação às 105 toneladas embarcadas no mesmo período de 2025, impulsionada principalmente pelas compras da China.

O país asiático recebeu 755,6 mil toneladas nos nove primeiros meses deste ano, correspondentes a 95,5% das exportações brasileiras do cereal. A demanda externa avança em um momento de crescimento da produção nacional e amplia as alternativas de comercialização para uma cultura tradicionalmente voltada à alimentação animal.

Compras da China aceleram em setembro

A expansão dos embarques ganhou força nos últimos dois meses. Em agosto, o Brasil exportou 185,4 mil toneladas de sorgo para a China. Em setembro, as vendas ao destino chegaram a 570,2 mil toneladas, aumento de 207,6% na comparação mensal.

O volume enviado à China somente em setembro equivale a mais de 72% de todo o sorgo exportado pelo Brasil entre janeiro e setembro de 2026.

No mesmo intervalo de 2025, os registros da Secex se limitavam a uma operação de 105 toneladas destinadas ao Catar. A entrada das compras chinesas, portanto, foi determinante para o novo patamar do comércio exterior brasileiro do cereal.

ANEC aponta 1,44 milhão de toneladas programadas para outubro

A programação de embarques acompanhada pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indica possibilidade de nova expansão em outubro. O line-up da entidade reúne 1,44 milhão de toneladas de sorgo previstas para embarque no mês.

Esse volume corresponde a operações programadas e ainda não deve ser tratado como exportação efetivamente realizada. Os números da ANEC e da Secex também não são diretamente comparáveis, pois refletem metodologias e etapas distintas das operações comerciais.

Na série da ANEC, foram contabilizadas 275,5 mil toneladas em agosto e 695,2 mil toneladas em setembro.

Transporte ferroviário acompanha avanço das exportações

A ampliação da demanda internacional começa a modificar a logística do sorgo. Na quarta-feira (7), a VLI anunciou o início da movimentação ferroviária do cereal, com embarques destinados à China e à África.

Segundo a empresa, mais de 250 mil toneladas foram movimentadas até setembro, e aproximadamente 800 mil toneladas estão negociadas para transporte.

A operação inclui a separação de ativos e a destinação de espaços específicos para o sorgo, com o objetivo de preservar as características e a qualidade do produto durante o escoamento.

Carolina Hernandez, diretora-executiva Comercial da VLI, apontou a expectativa de que as exportações brasileiras possam alcançar até 2 milhões de toneladas em 2026. O número é uma projeção apresentada pela companhia.

Novas rotas portuárias ampliam opções de saída

O crescimento dos negócios também amplia a participação de portos no escoamento do cereal.

De acordo com a Agrobom, empresa de armazenagem e comercialização de grãos, as primeiras negociações destinadas à exportação ganharam força no ano passado principalmente pelo Porto de Imbituba, em Santa Catarina.

Em 2026, o fluxo passou a envolver Santos, em São Paulo, Paranaguá, no Paraná, e terminais do Nordeste. A diversificação oferece mais alternativas logísticas, embora os dados oficiais até setembro ainda mostrem forte concentração das vendas na China.

Produção brasileira de sorgo cresce 20,4%

A abertura do mercado externo coincide com o aumento da oferta nacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de sorgo na safra 2025/26 alcança 7,35 milhões de toneladas, crescimento de 20,4% sobre a temporada anterior.

A área cultivada avançou 32,9%, chegando a 2,17 milhões de hectares. Com uma oferta maior, a expansão das exportações ganha relevância como alternativa ao mercado doméstico.

O desempenho também reforça a presença do sorgo na segunda safra, agora com um canal de comercialização internacional em escala muito superior à observada entre janeiro e setembro do ano anterior.

Mercado externo passa de perspectiva a operações em escala

A possibilidade de exportar para a China já aparecia nas avaliações do setor no início de 2026. Em reportagem publicada pelo Notícias Agrícolas em janeiro, Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, apontava o país asiático como um potencial comprador para absorver parte do crescimento da produção brasileira.

Na mesma ocasião, Flávio Tardin, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, destacava a necessidade de estruturar uma cadeia exportadora. Como referência, citava embarques argentinos de cerca de 1,3 milhão de toneladas no ano anterior, enquanto as exportações brasileiras haviam ficado próximas de 50 mil toneladas.

Em agosto, outra reportagem do veículo indicava maior liquidez e novas possibilidades de negociação. Em determinadas condições comerciais, o sorgo chegou a superar o preço do milho em Santos, enquanto os embarques para a China começavam a ganhar volume.

Os resultados da Secex até setembro confirmam a expansão das vendas externas em 2026. A continuidade desse fluxo dependerá da realização dos embarques programados e da consolidação de uma demanda recorrente pelo sorgo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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