Publicidade
Biológicos e Bioinsumos

Defensivos biológicos: qualidade e eficácia orientam escolha de fornecedores no campo

Consultor relata diferenças de desempenho entre produtos e afirma que experiências insatisfatórias podem comprometer a confiança dos agricultores no controle biológico


Publicado em: 19/10/2026 às 15:00hs

Defensivos biológicos: qualidade e eficácia orientam escolha de fornecedores no campo

A expansão dos defensivos biológicos na agricultura brasileira aumenta a importância de avaliar a qualidade dos produtos utilizados no campo. Segundo Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e pesquisador da consultoria Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS), diferenças de formulação, concentração e potência podem resultar em níveis de controle muito distintos.

Para o consultor, a escolha do fornecedor deve considerar a eficácia demonstrada e a relação custo-benefício. Produtos com desempenho insatisfatório, afirma, prejudicam o resultado da lavoura e podem levar o agricultor a questionar o uso de biológicos de forma mais ampla.

Avaliações apontam diferenças no controle de pragas

Tomquelski relata que trabalhos conduzidos pela consultoria identificaram produtos com índices de controle de 70% a 80%, enquanto outros ficaram próximos de 10%, nas condições avaliadas.

Segundo ele, aumentar a dose de um produto com baixo desempenho nem sempre resolve a limitação. Por isso, a análise precisa ir além da quantidade aplicada e considerar as características e a qualidade da solução.

O pesquisador cita estudos recentes com baculovírus para o controle de lagartas na soja e em outros cultivos. Nessas comparações, produtos com boa formulação e potência alcançaram controle próximo de 80%, enquanto outros ficaram entre 20% e 30%.

“Temos experiências excelentes com baculovírus de qualidade e recomendamos a adoção desses produtos, desde que tenham origem referenciada”, afirma.

Mercado de biológicos movimenta R$ 5,3 bilhões

Dados da consultoria Kynetec citados no levantamento indicam que o mercado de biológicos movimentou cerca de R$ 5,3 bilhões, com alcance de 107 milhões de hectares no ciclo 2025/26.

A expansão do segmento atraiu mais empresas para a comercialização desses insumos. Na avaliação de Tomquelski, esse crescimento torna ainda mais relevante diferenciar fornecedores com base em resultados e parâmetros de qualidade.

Entre os critérios destacados pelo pesquisador estão concentração, formulação, potência, efetividade e retorno econômico do tratamento.

Experiências negativas afetam a confiança do produtor

Embora considere os biológicos importantes para a agricultura brasileira, Tomquelski observa que parte dos produtores mantém resistência à adoção após experiências sem resultados satisfatórios.

Segundo ele, a frustração com um produto pode ser estendida à percepção sobre todo o segmento, dificultando a utilização de soluções que apresentam desempenho consistente.

“Muitos produtores aplicaram bioinsumos que não entregaram resultados satisfatórios. Passaram então a ter dúvidas quanto à eficácia dos produtos”, relata.

Para o consultor, a comprovação de desempenho é decisiva para fortalecer a confiança e ampliar a adoção no campo.

Resultados ajudam a diferenciar empresas do setor

Tomquelski avalia que os próprios agricultores e demais agentes do agronegócio vêm selecionando fornecedores a partir das experiências de uso, da qualidade das formulações e da relação custo-benefício.

Esse movimento, segundo ele, favorece empresas que demonstram consistência nos resultados. Ainda assim, o pesquisador afirma que a presença de produtos sem eficácia continua afetando a reputação do mercado.

Defensor da integração dos biológicos ao manejo, ele destaca que a diversidade de cultivos e a continuidade dos ciclos de pragas no Brasil ampliam a necessidade de ferramentas de controle. Nesse cenário, a qualidade dos insumos é um fator central para transformar o potencial da tecnologia em resultado na lavoura.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias