Novo fungicida para soja supera 70% de controle de ferrugem e manchas foliares em testes de campo
Avaliações da Agro Techno Research apontam resposta contra ferrugem-asiática, manchas e oídio; tratamentos com nova mistura de protioconazol e clorotalonil alcançaram produtividade de até 4,6 toneladas de soja por hectare
Publicado em: 20/08/2026 às 07:00hs
Um novo fungicida para controle das principais doenças foliares da soja apresentou eficiência superior a 70% em avaliações realizadas durante a safra 2025/26 pela Agro Techno Research, empresa de pesquisa e consultoria sediada em Passo Fundo (RS).
A tecnologia combina protioconazol e clorotalonil em uma mistura pronta e foi avaliada em condições de elevada pressão de doenças. Segundo os responsáveis pelos experimentos, o produto apresentou resposta no manejo de ferrugem-asiática, manchas foliares e oídio, além de resultados positivos em produtividade.
Desenvolvido pela Sipcam Nichino e previsto para chegar comercialmente ao mercado sob a marca Cortina® Gold, o fungicida tem lançamento programado para setembro, antes do avanço do plantio da safra brasileira de soja 2026/27.
Fungicida foi testado sob alta pressão de doenças na soja
Os ensaios foram coordenados pelo fitopatologista Carlos Forcelini, pesquisador da Agro Techno Research e profissional com mais de 45 anos de atuação no agronegócio.
Segundo Forcelini, o produto foi submetido deliberadamente a condições mais severas de ocorrência de doenças para avaliar seu comportamento no campo.
A primeira aplicação dos tratamentos foi realizada mais tarde que o normalmente recomendado, permitindo maior desenvolvimento dos patógenos antes do início do programa de controle.
Mesmo nessas condições, o pesquisador relata que a eficiência associada ao novo fungicida superou 70%.
“Foram três aplicações na safra 2025/26, enquanto o ideal seriam quatro. Mesmo assim, o nível de controle ultrapassou 70%”, explica.
Na avaliação do especialista, uma entrada mais antecipada poderia elevar a eficiência do manejo para níveis superiores a 80%.
Ferrugem, manchas foliares e oídio estão entre os principais alvos
Os resultados observados pela Agro Techno Research apontaram atuação sobre diferentes doenças importantes para a cultura da soja.
Entre os principais alvos estão a ferrugem-asiática da soja, as manchas foliares e o oídio.
A ferrugem está entre as doenças de maior importância econômica para a sojicultura brasileira. Em condições ambientais favoráveis e sem controle adequado, o avanço do fungo pode provocar desfolha precoce e comprometer significativamente o potencial produtivo das lavouras.
Por isso, a eficiência dos programas de fungicidas depende não apenas dos produtos utilizados, mas também do momento das aplicações, das condições climáticas, da pressão dos patógenos e da adoção de diferentes estratégias de manejo.
Mistura combina ação sistêmica e multissítio
Uma das características da nova formulação é a associação entre dois ingredientes ativos com formas distintas de atuação.
O protioconazol apresenta ação sistêmica, enquanto o clorotalonil atua como fungicida multissítio de contato.
Segundo Forcelini, essa combinação amplia o espectro de atuação do tratamento sobre diferentes doenças foliares.
A presença do multissítio também ganha importância dentro das estratégias destinadas ao manejo da resistência dos fungos aos defensivos.
Ao atingir diferentes processos do patógeno, os fungicidas multissítios podem desempenhar papel relevante em programas que combinam diferentes mecanismos de ação, sempre dentro das recomendações técnicas e de manejo integrado.
Produtividade chegou a 4,6 toneladas de soja por hectare
Além da avaliação da severidade das doenças, os experimentos analisaram os reflexos dos tratamentos sobre a produtividade.
Segundo Forcelini, o tratamento com a nova tecnologia apresentou aproximadamente 300 quilos de soja por hectare a mais em comparação com outros tratamentos-padrão utilizados nos ensaios.
Em algumas áreas avaliadas, a produtividade alcançou 4.600 quilos por hectare, equivalentes a aproximadamente 76,7 sacas de 60 quilos por hectare.
Os números foram obtidos nas condições específicas dos experimentos realizados na safra 2025/26 e podem variar conforme ambiente, cultivar, clima, pressão das doenças, tecnologia de aplicação e demais práticas adotadas em cada lavoura.
Clima pode aumentar pressão de doenças na safra 2026/27
Além dos resultados obtidos nos testes, a Agro Techno Research chama atenção para as condições climáticas que poderão influenciar a ocorrência de doenças na próxima temporada.
Na avaliação de Forcelini, um cenário de chuvas mais frequentes no Sul do Brasil durante a safra 2026/27 poderia favorecer o aparecimento antecipado e aumentar a agressividade de doenças foliares.
Maior disponibilidade de umidade, temperaturas favoráveis e períodos prolongados de molhamento das folhas criam condições propícias ao desenvolvimento de diversos patógenos da soja.
Nesse contexto, o monitoramento das lavouras tende a ganhar ainda mais importância.
“A questão toda está em fazer um ótimo manejo, para que a água da chuva seja aproveitada pela planta e não pelas doenças”, destaca Forcelini.
Aplicações antecipadas podem ganhar importância
Diante de uma eventual temporada mais úmida, o pesquisador destaca que o posicionamento adequado dos fungicidas será decisivo.
A recomendação é evitar que o manejo comece somente depois que as doenças estejam amplamente estabelecidas na lavoura.
O próprio experimento conduzido na safra passada demonstrou a influência do momento das aplicações: apesar de o programa deliberadamente atrasado ter alcançado controle superior a 70%, os pesquisadores estimam que uma entrada anterior poderia melhorar o desempenho.
O resultado reforça que tecnologia, monitoramento e momento correto de aplicação precisam caminhar juntos dentro de um programa eficiente de proteção da soja.
Manejo da resistência segue como desafio para a sojicultura
A resistência de fungos a determinados mecanismos de ação tornou-se uma das principais preocupações fitossanitárias da agricultura.
O uso repetitivo de tecnologias semelhantes pode aumentar a pressão de seleção sobre as populações dos patógenos, reduzindo gradualmente a eficiência de determinados ingredientes ativos.
Nesse cenário, a associação de mecanismos de ação e a inclusão de fungicidas multissítios fazem parte das estratégias utilizadas para preservar a eficiência das ferramentas disponíveis.
Forcelini destaca que o clorotalonil atua em múltiplos pontos do metabolismo dos fungos, característica que dificulta o desenvolvimento de resistência específica ao ingrediente.
Ainda assim, o controle sustentável das doenças depende de um conjunto mais amplo de práticas, envolvendo rotação de mecanismos de ação, respeito às doses e intervalos recomendados, tecnologia de aplicação, monitoramento e integração com outras medidas agronômicas.
Novo fungicida deve chegar ao mercado em setembro
A expectativa da Sipcam Nichino é iniciar a comercialização do Cortina® Gold em setembro, buscando atender o ciclo da safra brasileira de soja 2026/27.
Segundo Eric Ono, gerente de portfólio de produtos e cultivos da companhia, a formulação será disponibilizada como suspensão concentrada (SC), reunindo os dois ingredientes ativos em uma mistura pronta.
A empresa aposta na combinação do componente sistêmico com o multissítio para posicionar a tecnologia principalmente no manejo das principais doenças foliares da soja.
Com a aproximação da safra 2026/27, a atenção dos produtores estará concentrada não apenas nas novas tecnologias disponíveis, mas também nas condições climáticas, evolução da ferrugem-asiática e manchas foliares e definição do momento correto para início das aplicações.
Em temporadas com elevada pressão de doenças, esses fatores podem ser determinantes para preservar a área foliar, o potencial produtivo e a rentabilidade da cultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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