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Milho e Sorgo

Milho sobe 9,1% no Brasil, mas safra robusta nos EUA ameaça exportações brasileiras

Dólar e demanda interna sustentam preço de R$ 46 por saca em Sorriso; Itaú BBA alerta que cereal brasileiro está mais caro que concorrentes e pode perder espaço no mercado internacional


Publicado em: 19/08/2026 às 20:00hs

Milho sobe 9,1% no Brasil, mas safra robusta nos EUA ameaça exportações brasileiras

O mercado do milho atravessa um cenário de forças opostas. No Brasil, a valorização do dólar e a manutenção da demanda compradora impulsionaram os preços em agosto. No exterior, porém, a perspectiva de uma grande safra nos Estados Unidos e a menor competitividade do produto brasileiro aumentam os riscos para as exportações.

A análise consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo o levantamento, os preços internacionais perderam força após a melhora do clima norte-americano, enquanto as cotações domésticas avançaram mesmo com a entrada da segunda safra no mercado.

Preço do milho chega a R$ 46 por saca em Sorriso

Em julho, a cotação média do milho em Sorriso (MT) ficou em R$ 42 por saca, alta de 1,1% em relação ao mês anterior.

O avanço moderado refletiu o aumento da disponibilidade provocado pela colheita da segunda safra, parcialmente compensado pela demanda aquecida no mercado interno.

Na parcial de agosto, o preço médio subiu para R$ 46 por saca, valorização de 9,1% sobre julho. O movimento foi impulsionado principalmente pela alta do dólar e pela continuidade do interesse comprador.

A demanda das indústrias de rações, proteínas animais e etanol contribui para absorver parte da produção brasileira e reduzir a pressão sazonal da colheita sobre as cotações.

Milho recua em Chicago com melhora do clima nos Estados Unidos

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento do milho registrou média de US$ 4,43 por bushel em julho, alta de 6,3% na comparação com junho.

As cotações foram sustentadas pelas preocupações com temperaturas elevadas e chuvas abaixo do ideal em partes do cinturão produtor dos Estados Unidos. As condições foram observadas durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras.

O bom desempenho da demanda doméstica e das exportações norte-americanas também ofereceu suporte ao mercado. As incertezas sobre a produtividade estimularam ainda a recomposição das posições compradas por investidores.

Em agosto, entretanto, a melhora das condições climáticas reduziu os riscos para a produção. Na parcial do mês, a média caiu para US$ 4,41 por bushel, recuo de 0,4% em relação a julho.

USDA projeta produtividade de 11,4 toneladas por hectare

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou uma estimativa de produção norte-americana superior à esperada pelo mercado.

A projeção foi impulsionada pela ampliação da área colhida, apesar de uma pequena redução na produtividade média das lavouras.

O USDA estima produtividade de 11,4 toneladas por hectare e área colhida de 35,9 milhões de hectares. A área foi elevada em aproximadamente 500 mil hectares em relação à previsão anterior.

Para a safra 2026/27, a produção dos Estados Unidos está estimada em 407 milhões de toneladas. Embora o volume represente redução de 6% sobre os 432 milhões projetados para 2025/26, permanece em patamar elevado.

O órgão também ampliou a previsão de exportações norte-americanas, contribuindo para uma redução dos estoques finais projetados.

Produção mundial pode recuar para 1,299 bilhão de toneladas

O balanço global apresentado pelo Itaú BBA indica produção mundial de milho estimada em 1,299 bilhão de toneladas na temporada 2026/27. O volume representa queda de 2% em relação a 1,330 bilhão de toneladas do ciclo anterior.

O consumo global deverá alcançar 1,316 bilhão de toneladas, crescimento de 1%. Como a demanda deve superar a produção, os estoques finais poderão cair 8%, passando de 299 milhões para 275 milhões de toneladas.

A relação entre estoques e consumo deverá recuar de 23% para 21%, indicando um balanço mundial mais ajustado, apesar da perspectiva de grande disponibilidade nos Estados Unidos.

Balanço global do milho para 2026/27
  • Produção mundial: 1,299 bilhão de toneladas;
  • Consumo global: 1,316 bilhão de toneladas;
  • Estoque inicial: 299 milhões de toneladas;
  • Estoque final: 275 milhões de toneladas;
  • Relação estoque/consumo: 21%;
  • Produção dos Estados Unidos: 407 milhões de toneladas;
  • Produção do Brasil: 139 milhões de toneladas;
  • Produção da Argentina: 55 milhões de toneladas;
  • Produção da China: 307 milhões de toneladas;
  • Produção da União Europeia: 50 milhões de toneladas;
  • Produção da Ucrânia: 32 milhões de toneladas.
Safra brasileira é estimada em 139 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho está projetada em 139 milhões de toneladas para 2026/27, segundo o balanço apresentado no relatório. O volume representa redução de 1% em relação às 140 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.

Para a Argentina, a previsão é de 55 milhões de toneladas, retração de 13%. A União Europeia também deverá colher menos, com produção estimada em 50,2 milhões de toneladas após uma redução de 3,6 milhões na projeção.

Em sentido contrário, o USDA elevou as estimativas para Rússia e Ucrânia. A produção ucraniana deverá atingir 32 milhões de toneladas, avanço de 3%.

Exportações brasileiras perdem ritmo

Entre fevereiro e julho, as exportações brasileiras de milho cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entretanto, os embarques começaram a desacelerar no decorrer do segundo semestre.

Em julho, o volume exportado ficou aproximadamente 20% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados pelo Itaú BBA.

As programações portuárias mais recentes também indicavam uma nova retração em agosto, sugerindo desempenho inferior ao observado um ano antes.

A consultoria mantém, por enquanto, a projeção de 40 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no ciclo comercial de fevereiro a janeiro. Um resultado mais fraco em agosto, contudo, poderá elevar a possibilidade de revisão negativa da estimativa.

Milho brasileiro está mais caro que concorrentes

Um dos principais pontos de atenção é a perda de competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

Segundo o relatório, o produto nacional está mais caro que o milho ofertado pelos Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. Essa diferença pode direcionar compradores para outras origens e reduzir o espaço do Brasil no comércio mundial.

A valorização do dólar favorece a formação dos preços em reais e pode melhorar a remuneração dos exportadores. Porém, preços domésticos elevados e custos logísticos podem impedir que o cereal brasileiro acompanhe as condições oferecidas pelos concorrentes.

Caso a demanda internacional não reaja, uma parcela maior da produção poderá permanecer no mercado interno, aumentando a disponibilidade entre o fim de 2026 e o início de 2027.

China reduz previsão de importação de milho

O USDA reduziu a estimativa de importações chinesas, acrescentando outro elemento de pressão sobre o comércio mundial.

A China deverá produzir 307 milhões de toneladas na temporada 2026/27, crescimento de 2% em relação às 301 milhões estimadas para o ciclo anterior.

A combinação entre produção doméstica maior e importações menores pode aumentar a concorrência entre os principais exportadores pelos demais mercados consumidores.

Guerra no Mar Negro oferece suporte às cotações

Apesar da perspectiva de oferta elevada nos Estados Unidos, os riscos geopolíticos continuam oferecendo suporte ao mercado internacional de grãos.

A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia e os ataques à infraestrutura portuária russa ampliaram as preocupações com a logística de exportação na região do Mar Negro.

O aumento dos riscos sustentou os preços do trigo e provocou reflexos indiretos no milho. Os dois cereais podem atuar como substitutos na alimentação animal, fazendo com que movimentos de valorização do trigo também influenciem as cotações do milho.

Segundo o Itaú BBA, os preços subiram após a divulgação do relatório do USDA, mesmo com a estimativa de uma safra norte-americana maior. A reação foi atribuída principalmente à escalada das tensões geopolíticas e aos riscos para o escoamento dos grãos no Mar Negro.

Mercado do milho exige atenção à paridade de exportação

O mercado brasileiro deverá permanecer sustentado pela demanda interna e pelo comportamento do dólar, mas a perda de competitividade externa limita o potencial de valorização.

Para os produtores, o ritmo das exportações será determinante para o equilíbrio da oferta ao longo dos próximos meses. Uma redução mais acentuada dos embarques poderá ampliar os estoques internos e pressionar as cotações após o período de maior demanda.

O cenário exige acompanhamento da paridade de exportação, dos preços internacionais, do câmbio e da procura das indústrias brasileiras. As oportunidades de comercialização poderão surgir em momentos de valorização do dólar ou de aumento das tensões externas, mas a grande oferta mundial recomenda cautela na gestão das vendas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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