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Adubos e Fertilizantes

Queda dos fertilizantes melhora poder de compra do produtor e acelera negociações no Brasil

Recuo da ureia e valorização de commodities como soja, milho, café, açúcar, arroz e boi gordo tornam as relações de troca mais favoráveis, mas MAP caro e riscos geopolíticos ainda exigem cautela


Publicado em: 31/08/2026 às 18:00hs

Queda dos fertilizantes melhora poder de compra do produtor e acelera negociações no Brasil

A queda dos preços dos fertilizantes, combinada à valorização de importantes commodities agrícolas, melhorou significativamente as relações de troca para o produtor brasileiro em agosto. O movimento devolveu competitividade às compras de insumos e favoreceu o avanço da comercialização, especialmente dos nitrogenados destinados à segunda safra de milho.

A avaliação consta no relatório Radar Agro – Relações de Troca, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O estudo mostra que o alívio foi mais expressivo no mercado de ureia, enquanto os fertilizantes fosfatados continuam pesando sobre os custos de produção.

Embora o cenário tenha se tornado mais favorável, a recomendação é de cautela. As tensões geopolíticas no Oriente Médio permanecem como fonte de volatilidade, enquanto o alto custo das matérias-primas limita novas quedas nos preços dos fosfatados.

Ureia cai para US$ 422 por tonelada e destrava compras

A principal melhora ocorreu entre os fertilizantes nitrogenados. Depois da forte volatilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio, a ureia passou por uma correção expressiva em agosto.

O preço do insumo recuou de US$ 482,50 para US$ 422 por tonelada CFR Brasil entre o início e o fim do mês. No mesmo período, o sulfato de amônio caiu de US$ 262,50 para US$ 220 por tonelada.

A redução dos preços, somada à recuperação do milho no mercado doméstico, tornou a relação de troca mais atrativa e estimulou as aquisições de fertilizantes para a safrinha. A comercialização ganhou força ao longo do inverno, após meses marcados por custos elevados e maior cautela entre os produtores.

A janela de compra dos nitrogenados para a segunda safra permanece aberta até o final do ano. Entretanto, o Itaú BBA considera prudente antecipar parte das aquisições enquanto as relações de troca estiverem favoráveis, diante da permanência dos riscos geopolíticos.

Importações de ureia devem acelerar nos próximos meses

O Brasil importou 601 mil toneladas de ureia em julho, maior volume mensal registrado em 2026. Apesar da recuperação, o acumulado do ano ainda reflete o fraco desempenho do primeiro semestre.

Entre janeiro e julho, os desembarques totalizaram 2,3 milhões de toneladas, queda de 24,7% na comparação com o mesmo período de 2025.

A expectativa é de aceleração das importações nos próximos meses, acompanhando a demanda das culturas de segunda safra, que exigem elevada aplicação de nitrogênio.

MAP continua caro e limita recuperação do poder de compra

Enquanto os nitrogenados ficaram mais acessíveis, os fertilizantes fosfatados continuam em uma situação mais restritiva. Mesmo após a correção recente, o fosfato monoamônico, conhecido como MAP, permaneceu cotado em aproximadamente US$ 855 por tonelada CFR Brasil.

O superfosfato simples, ou SSP, ficou próximo de US$ 245 por tonelada. Na comparação do custo por ponto de pentóxido de fósforo (P₂O₅), o SSP continua sendo a opção mais competitiva, enquanto o MAP apresenta o maior custo.

Segundo o relatório, a queda recente dos fosfatados esteve mais relacionada ao enfraquecimento da demanda brasileira do que a uma melhora estrutural da oferta mundial. Parte dos produtores ainda posterga as compras para a safrinha, reduzindo a pressão imediata sobre os preços.

Enxofre caro restringe novas quedas dos fosfatados

O custo do enxofre representa outro ponto de pressão para a cadeia de fertilizantes. As importações brasileiras do insumo somaram apenas 29 mil toneladas em julho, menor volume dos últimos 36 meses.

Ao mesmo tempo, o preço médio chegou a US$ 1.067 por tonelada FOB, mais que o dobro do valor registrado em janeiro.

Como o enxofre é uma matéria-prima importante para a fabricação nacional de fertilizantes fosfatados, a forte valorização reduz o espaço para novas quedas e mantém os custos industriais elevados.

KCl mantém relação de troca favorável

O cloreto de potássio, ou KCl, apresentou maior estabilidade em comparação com os demais nutrientes. Cotado ao redor de US$ 385 por tonelada CFR Brasil, o fertilizante permaneceu relativamente protegido da volatilidade observada em outros segmentos.

Além disso, as importações brasileiras de KCl cresceram 2,4% entre janeiro e julho, frente ao mesmo intervalo de 2025. O avanço indica uma oferta mais equilibrada no mercado doméstico.

Em termos históricos, a compra de uma tonelada de KCl continua exigindo uma parcela relativamente menor da receita obtida pelo produtor com a venda de commodities.

Alta da soja melhora relação de troca com fertilizantes

A recuperação dos preços da soja aumentou o poder de compra do produtor diante dos fertilizantes. A melhora foi percebida principalmente nas relações com ureia e KCl.

Apesar do avanço, a soja com entrega prevista para março de 2027 continua negociada abaixo dos valores do mercado disponível. Essa diferença reduz parte do benefício para quem calcula os custos da próxima safra com base nos preços futuros.

O MAP permanece como o principal ponto de atenção, pois continua exigindo maior quantidade de sacas de soja para a aquisição de uma tonelada do fertilizante.

Milho ganha poder de compra com valorização interna

O milho também foi beneficiado pela combinação entre a alta das cotações no mercado brasileiro e a queda da ureia. O movimento melhorou parcialmente as relações de troca e favoreceu as compras de nitrogenados para a safrinha.

Ainda assim, o custo elevado do MAP impede uma recuperação mais ampla do poder de compra do produtor. O fosfatado permanece como um dos principais componentes de pressão no orçamento da cultura.

Algodão se beneficia de preços melhores e exportações aquecidas

No mercado de algodão, a melhora das cotações, a redução dos estoques globais e o ritmo forte das exportações brasileiras aliviaram parte da pressão sobre as margens.

As relações de troca com ureia e KCl apresentam um cenário favorável. A condição diante do MAP também melhorou e já se encontra em nível mais vantajoso do que o registrado em 2025.

A combinação entre demanda externa e fundamentos internacionais mais firmes fortaleceu o poder de compra do cotonicultor, apesar de os fosfatados ainda operarem em patamares elevados.

Café mantém uma das melhores relações de troca do agro

O café continua entre as culturas com maior capacidade de aquisição de fertilizantes. Os preços reagiram durante a colheita, sustentados por preocupações relacionadas à disponibilidade imediata e à qualidade dos grãos.

Mesmo diante da perspectiva de uma safra elevada, as cotações proporcionam ao cafeicultor uma das relações de troca mais favoráveis entre as commodities analisadas.

Esse cenário reduz o volume de sacas necessário para comprar uma tonelada de ureia, MAP ou KCl e melhora as condições para o planejamento da adubação.

Açúcar reage, mas setor ainda precisa de cautela

A recuperação das cotações do açúcar também melhorou parcialmente as relações de troca com ureia e KCl.

A valorização foi sustentada por fundamentos do próprio mercado, incluindo o desempenho da produção no Centro-Sul e fatores relacionados ao mercado indiano. O ambiente macroeconômico e a mudança no posicionamento dos fundos de investimento ampliaram o movimento de alta.

Apesar da reação, o Itaú BBA avalia que a cautela continua necessária, sobretudo diante da volatilidade internacional e dos custos ainda elevados de determinados nutrientes.

Trigo melhora poder de compra com menor oferta global

Os preços do trigo encontraram sustentação nas tensões envolvendo a região do Mar Negro e na expectativa de redução da oferta mundial.

A recuperação das cotações melhorou as relações de troca principalmente com KCl e ureia. Em contrapartida, a compra de MAP continua exigindo uma quantidade elevada de trigo, mantendo o cenário desfavorável para esse fertilizante.

Valorização do arroz favorece compra de insumos

A forte recuperação do preço do arroz também trouxe alívio ao produtor. A redução dos excedentes domésticos, os estoques menores e a perspectiva de queda da produção na safra 2026/27 contribuíram para fortalecer as cotações.

Com isso, houve melhora nas relações de troca com os principais fertilizantes. O MAP, entretanto, permanece caro em termos relativos e continua limitando o poder de compra dos orizicultores.

Boi gordo e nitrogenados mais baratos favorecem pecuária

Na pecuária, a firmeza da arroba do boi gordo e a queda dos preços dos nitrogenados mantiveram as relações de troca em níveis favoráveis.

Mesmo com o MAP historicamente caro, a valorização do boi gordo permitiu que a relação de troca com o fosfatado permanecesse próxima da média dos últimos cinco anos.

O cenário beneficia principalmente os pecuaristas que utilizam fertilizantes na recuperação e manutenção de pastagens, embora a gestão dos custos continue essencial.

Relações de troca abrem oportunidade, mas riscos permanecem

O cenário de agosto representa uma melhora importante para o agronegócio brasileiro. A queda da ureia, a estabilidade do KCl e a valorização de diversas commodities devolveram parte do poder de compra perdido pelos produtores nos meses anteriores.

A situação, porém, não é uniforme. Enquanto nitrogenados e potássicos apresentam condições mais atrativas, os fosfatados continuam caros e pressionados pelo custo das matérias-primas.

Com as relações de troca novamente em patamares negociáveis, o momento favorece o planejamento e a antecipação estratégica de parte das compras. A decisão deve considerar as necessidades de cada cultura, o fluxo de caixa da propriedade e a possibilidade de novos episódios de volatilidade no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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