Preços dos fertilizantes recuam no Brasil, mas enxofre dispara e pressiona custos dos fosfatados
Ureia cai 14% e volta a US$ 415 por tonelada, enquanto importações brasileiras avançam; MAP, SSP e cloreto de potássio também apresentam desvalorização
Publicado em: 20/08/2026 às 10:30hs
O mercado de fertilizantes registrou queda nos preços após um período de forte volatilidade provocado pelas tensões no Oriente Médio. A maior disponibilidade de produtos importados e a demanda mais cautelosa dos agricultores pressionaram as cotações dos nitrogenados, fosfatados e potássicos.
A análise consta no Agro Mensal de agosto, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Embora a correção ofereça algum alívio aos custos de produção, a forte valorização do enxofre limita a possibilidade de quedas mais consistentes nos fertilizantes fosfatados.
Preço da ureia recua 14% e cai para US$ 415
A guerra no Oriente Médio manteve o mercado de nitrogenados volátil durante julho. Na última semana analisada, entretanto, os preços apresentaram forte correção.
A ureia recuou de US$ 482,50 para US$ 415 por tonelada, queda de aproximadamente 14%. O sulfato de amônio passou de US$ 262,50 para US$ 240 por tonelada, retração de 8,6%.
A redução reflete o aumento da oferta disponível e a recomposição do fluxo de importações após as incertezas provocadas pelo conflito.
Apesar da queda recente, o mercado permanece sensível às condições geopolíticas, aos preços do gás natural e ao funcionamento das unidades produtoras nos principais países exportadores.
Brasil importa 601 mil toneladas de ureia em julho
As importações brasileiras de ureia cresceram em julho, contribuindo para ampliar a disponibilidade do fertilizante no mercado interno.
O país desembarcou 601 mil toneladas no mês, aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume foi o maior registrado desde o início da intensificação do conflito no Oriente Médio.
Segundo o Itaú BBA, a tendência é de aceleração dos embarques nos próximos meses. O movimento deverá acompanhar a demanda das culturas de segunda safra, que apresentam maior necessidade de nitrogênio em comparação com a soja cultivada no primeiro ciclo.
Safrinha deve ampliar procura por nitrogenados
Com parte significativa das compras para a soja já realizada, o foco do mercado começa a migrar para os fertilizantes destinados à segunda safra.
Culturas como milho, sorgo e algodão apresentam demanda relevante por fontes nitrogenadas. Por isso, as compras de ureia e sulfato de amônio podem ganhar intensidade à medida que se aproxima o período de plantio.
O comportamento dos preços dependerá da relação entre o aumento sazonal da demanda, o ritmo das importações e os riscos de interrupção da oferta internacional.
Caso os embarques permaneçam firmes, a maior disponibilidade poderá impedir uma recuperação imediata das cotações. Uma nova escalada das tensões geopolíticas, entretanto, poderá devolver volatilidade ao mercado.
Preço do MAP cai para US$ 855 por tonelada
Os fertilizantes fosfatados também apresentaram recuo durante julho. O preço do fosfato monoamônico (MAP) caiu para US$ 855 por tonelada no mercado CFR Brasil.
A movimentação foi provocada pelo menor interesse de compra durante a etapa final de aquisição dos insumos destinados à primeira safra.
O superfosfato simples (SSP) também perdeu valor e passou a ser negociado a US$ 250 por tonelada.
Parte dos agricultores continua adiando as compras de fosfatados para a safrinha, na expectativa de melhores condições comerciais. Essa postura limita a demanda imediata e dificulta uma reação mais consistente dos preços no curto prazo.
Enxofre mais caro pressiona produção nacional
Enquanto os principais fertilizantes recuaram, o enxofre registrou forte valorização e se tornou um ponto de atenção para a indústria brasileira.
As importações somaram apenas 29 mil toneladas em julho, o menor volume dos últimos 36 meses. Ao mesmo tempo, o preço médio atingiu US$ 1.067 por tonelada FOB, mais que o dobro do valor registrado em janeiro.
O enxofre é uma matéria-prima importante para a produção de ácido sulfúrico, utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados. Sua valorização aumenta os custos da indústria nacional e pode limitar novas quedas nos preços do MAP e do SSP.
Portanto, mesmo com uma demanda atualmente mais fraca, a pressão sobre as matérias-primas cria um piso para as cotações dos fosfatados.
Importações de cloreto de potássio chegam a 8,8 milhões de toneladas
O mercado de cloreto de potássio (KCl) apresenta uma situação mais confortável em relação aos demais nutrientes.
As importações brasileiras acumuladas até julho alcançaram 8,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A maior disponibilidade contribuiu para reduzir os preços no mercado interno. O KCl passou a ser negociado próximo de US$ 385 por tonelada no padrão CFR Brasil.
O avanço dos desembarques indica que o país possui uma cobertura mais confortável para atender à demanda, reduzindo o risco de aperto imediato no fornecimento.
Compras migram da soja para o milho safrinha
O calendário de compras começa a se deslocar da soja para as culturas de segunda safra. Esse movimento altera o perfil da demanda brasileira por nutrientes.
Na soja, a maior parte da necessidade está relacionada ao fósforo e ao potássio, uma vez que a cultura obtém grande parcela do nitrogênio por meio da fixação biológica.
No milho safrinha, a demanda por fontes nitrogenadas é mais intensa. Por isso, a ureia e o sulfato de amônio tendem a ganhar espaço nas negociações dos próximos meses.
Os produtores que ainda não adquiriram os fertilizantes deverão acompanhar o ritmo das importações, o câmbio e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Principais preços dos fertilizantes
De acordo com os valores apresentados pelo Itaú BBA:
- Ureia: US$ 415 por tonelada;
- Sulfato de amônio: US$ 240 por tonelada;
- MAP: US$ 855 por tonelada CFR Brasil;
- SSP: US$ 250 por tonelada;
- Cloreto de potássio: US$ 385 por tonelada CFR Brasil;
- Enxofre: US$ 1.067 por tonelada FOB.
Os valores internacionais precisam ser convertidos para reais e acrescidos de despesas logísticas, tributos e margens comerciais para a formação do preço efetivamente pago pelo produtor.
Dólar continua decisivo para os custos no Brasil
Mesmo com a queda das cotações em dólares, o comportamento do câmbio continua determinante para o custo dos fertilizantes no mercado brasileiro.
Como o país depende fortemente das importações de nitrogênio, fósforo e potássio, uma valorização do dólar pode neutralizar parte da redução observada no mercado internacional.
Além do câmbio, os preços domésticos são influenciados pelos fretes marítimos, custos portuários, disponibilidade regional, distância até as propriedades e condições de pagamento.
Relação de troca deve orientar compras
Para o produtor, a queda nominal dos fertilizantes não significa necessariamente que o momento de compra seja favorável. A decisão deve considerar a relação de troca entre os insumos e os produtos agrícolas.
Essa relação mostra quantas sacas de soja, milho, algodão ou café são necessárias para adquirir uma tonelada de fertilizante. Uma melhora na relação de troca pode representar uma oportunidade mesmo quando o preço nominal do insumo permanece elevado.
Compras parceladas também podem reduzir a exposição à volatilidade do câmbio e das cotações internacionais.
Mercado pode voltar a ganhar volatilidade
O cenário de curto prazo é de preços mais baixos e oferta relativamente confortável, especialmente para o cloreto de potássio. Nos nitrogenados, o avanço das importações reduz a pressão imediata, mas o mercado segue exposto aos riscos geopolíticos.
Nos fosfatados, a demanda mais cautelosa limita as cotações, enquanto o encarecimento do enxofre pressiona os custos industriais e reduz o espaço para novas quedas.
A evolução do conflito no Oriente Médio, o comportamento do dólar e a aproximação das compras para a safrinha serão os principais fatores para o mercado brasileiro de fertilizantes nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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