Milho mantém negócios pontuais no Brasil, enquanto Chicago sobe com alerta sobre produtividade nos EUA
Compradores seguem cautelosos e produtores reduzem a oferta no mercado brasileiro; em Chicago, dados do Pro Farmer Crop Tour indicam produtividade menor em importantes áreas dos Estados Unidos e sustentam os futuros
Publicado em: 20/08/2026 às 11:32hs
O mercado de milho mantém ritmo moderado no Brasil nesta quinta-feira (20), com negócios pontuais, compradores cautelosos e produtores seletivos nas vendas. O impasse entre os preços desejados por vendedores e compradores limita a liquidez em diferentes regiões, enquanto a valorização dos contratos na Bolsa de Chicago (CBOT) e a melhora da paridade de exportação aumentam a expectativa de preços entre os produtores.
No mercado internacional, o milho opera em alta, sustentado principalmente pelas preocupações com o potencial produtivo da safra norte-americana. Dados levantados durante o Pro Farmer Crop Tour apontaram estimativas de produtividade abaixo das registradas no ano passado em áreas importantes de Iowa e Illinois.
Mercado brasileiro de milho tem pouca liquidez
No Brasil, a comercialização segue travada. De um lado, produtores demonstram menor disposição para negociar nos níveis atuais, aguardando oportunidades de valorização. De outro, compradores mantêm uma postura mais comedida, utilizando estoques previamente adquiridos e buscando novos lotes apenas conforme a necessidade.
A combinação entre oferta mais seletiva e demanda cautelosa mantém os preços relativamente sustentados, mas impede uma aceleração significativa dos negócios.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário é semelhante no Sul do país e em Mato Grosso do Sul, embora fatores regionais estejam influenciando o comportamento das cotações.
Rio Grande do Sul tem suporte da demanda externa
No Rio Grande do Sul, as indicações de compra variam entre R$ 58 e R$ 63 por saca, enquanto a média estadual recuou 0,44% na semana, para aproximadamente R$ 59 por saca.
As indústrias permanecem focadas principalmente na reposição de estoques, enquanto os produtores seguram parte da oferta em busca de preços mais atrativos.
A melhora das exportações no início de agosto contribui para a absorção de volumes no estado. Apesar disso, os embarques ainda permanecem abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.
Santa Catarina e Paraná mantêm preços próximos de R$ 60
Em Santa Catarina, as referências permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda gira em torno de R$ 55. A diferença entre o preço pretendido pelos vendedores e o valor oferecido pelos compradores continua restringindo os fechamentos.
No Paraná, cenário semelhante é observado. As indicações estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda fica ao redor de R$ 55 por saca CIF.
A colheita da segunda safra já alcançou aproximadamente 60% da área, mas o excesso de umidade no solo e nos grãos tem dificultado o avanço das operações. Em algumas regiões, o problema já provoca perdas de produtividade e comprometimento da qualidade.
Entre as principais referências regionais do Paraná, os preços variam de R$ 53,14 por saca no Oeste a R$ 66,71 no Norte Central.
Mato Grosso do Sul tem apoio da indústria de bioenergia
Em Mato Grosso do Sul, as cotações permanecem entre R$ 48 e R$ 50 por saca, com Maracaju como uma das principais referências.
A indústria de bioenergia vem absorvendo parte da oferta disponível e ajuda a limitar uma pressão mais intensa sobre os preços.
A colheita da segunda safra alcançou cerca de 64% da área, embora as chuvas tenham reduzido o ritmo dos trabalhos em algumas regiões.
Preços do milho permanecem firmes em outras praças
As referências observadas no mercado brasileiro mostram diferenças importantes entre as regiões:
- Porto de Santos: R$ 69,50 a R$ 72,00 por saca CIF;
- Porto de Paranaguá: R$ 69,00 a R$ 71,00;
- Cascavel (PR): R$ 61,00 a R$ 63,00;
- Mogiana (SP): R$ 62,00 a R$ 64,00;
- Campinas (SP), CIF: R$ 68,00 a R$ 70,00;
- Erechim (RS): R$ 68,00 a R$ 70,00;
- Uberlândia (MG): R$ 61,00 a R$ 63,00;
- Rio Verde (GO), CIF: R$ 56,00 a R$ 59,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 60,00 a R$ 62,00.
O quadro reforça a característica regionalizada do mercado brasileiro, com logística, disponibilidade de oferta, demanda industrial e exportação influenciando diretamente a formação dos preços.
Chicago sobe com preocupação sobre a safra dos EUA
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de milho começaram a quinta-feira em território positivo.
Por volta das 9h08, no horário de Brasília, o contrato setembro/26 era negociado a US$ 4,78 por bushel, alta de 5,50 centavos. O vencimento dezembro/26 estava em US$ 5,03, avanço de 5,50 centavos.
Já o contrato março/27 registrava US$ 5,18 por bushel, alta de 4,75 centavos, enquanto maio/27 avançava 4,25 centavos, para US$ 5,25.
O movimento positivo está relacionado principalmente às preocupações com o potencial produtivo do milho norte-americano.
Pro Farmer aponta produtividade menor em Illinois
Os dados divulgados durante o Pro Farmer Crop Tour chamaram a atenção dos participantes do mercado.
Em Illinois, um dos principais estados produtores de milho dos Estados Unidos, a produtividade foi estimada em 184,2 bushels por acre, abaixo dos 199,6 bushels registrados na expedição do ano anterior e também inferior à média de 199,2 bushels dos três anos anteriores.
A diferença reforça as dúvidas sobre o potencial de rendimento da safra norte-americana em um momento decisivo para a definição da produtividade das lavouras.
Iowa também apresenta estimativas abaixo do ano passado
Em Iowa, os levantamentos apontaram produtividade estimada em 191,8 bushels por acre no noroeste, 189,7 bushels no centro-oeste e 190,6 bushels no sudeste.
Os números também ficaram abaixo das estimativas observadas nas mesmas áreas no ano anterior.
No oeste de Iowa, por exemplo, as estimativas atuais foram de 191,80 bushels por acre no Distrito 1, 189,73 no Distrito 4 e 190,59 no Distrito 7. No ano passado, os respectivos números haviam sido de 197,89, 207,25 e 195,03 bushels por acre.
A percepção de uma produtividade potencialmente menor adiciona um fator de suporte aos preços futuros em Chicago.
Alta anterior reforça cautela dos produtores brasileiros
Na sessão anterior, realizada na quarta-feira (19), os contratos de milho também registraram ganhos expressivos.
O vencimento setembro fechou a US$ 4,73 por bushel, alta de 9,75 centavos, ou 2,10%. Já dezembro encerrou a sessão em US$ 4,98, avanço de 10 centavos, equivalente a 2,04%.
Esse movimento recente ajuda a explicar a postura mais defensiva dos vendedores brasileiros, que passaram a considerar a possibilidade de melhora das referências no curto prazo.
Dólar e petróleo também influenciam o mercado
O câmbio também permanece no radar dos agentes. O dólar comercial avançava 0,28%, a R$ 5,1918, enquanto o Dollar Index recuava 0,04%, aos 98,786 pontos.
No mercado de petróleo, o WTI com vencimento em setembro era negociado a US$ 88,81 por barril, alta de 3,47%.
A combinação entre câmbio, petróleo, exportações e preços internacionais interfere diretamente na formação da paridade de exportação do milho brasileiro e pode alterar a disposição de produtores e compradores ao longo dos próximos dias.
Cenário exige atenção à oferta, exportações e produtividade
O mercado de milho entra em uma fase de atenção redobrada. No Brasil, a comercialização permanece lenta, com produtores mais seletivos e compradores evitando assumir posições maiores antes de uma definição mais clara dos preços.
Ao mesmo tempo, o avanço da colheita da segunda safra aumenta a disponibilidade física em algumas regiões, enquanto problemas de umidade podem limitar a qualidade e o ritmo de retirada do produto.
No exterior, as informações do Pro Farmer adicionam volatilidade ao mercado, especialmente porque as estimativas de produtividade em Iowa e Illinois ficaram abaixo das referências do ano anterior.
Para o produtor brasileiro, portanto, os próximos movimentos dependerão da combinação entre ritmo da colheita, demanda interna, exportações, câmbio e comportamento dos futuros em Chicago.
Milho hoje: o que o mercado está monitorando
- Preços domésticos: mercado firme, porém com poucos negócios;
- Produtores: oferta seletiva e expectativa de valorização;
- Compradores: atuação cautelosa e compras para reposição;
- Paraná: colheita da segunda safra em torno de 60%;
- Mato Grosso do Sul: colheita próxima de 64%;
- Chicago: contratos futuros em alta;
- EUA: Pro Farmer aponta produtividade menor em Iowa e Illinois;
- Dólar: próximo de R$ 5,19;
- Exportações: melhora no início de agosto, mas ainda abaixo de 2025 no Rio Grande do Sul;
- Petróleo: em alta, contribuindo para o ambiente de commodities.
Fonte: Portal do Agronegócio
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