Açúcar mantém alta no mercado internacional e no Brasil, com oferta global no radar
Cotações do açúcar avançaram em Nova York e Londres nesta quarta-feira (19), enquanto o cristal CEPEA/ESALQ acumulou alta de 12,01% em agosto; clima e possíveis restrições na oferta sustentam atenção dos investidores.
Publicado em: 20/08/2026 às 11:50hs
O mercado de açúcar manteve a trajetória positiva nesta quarta-feira (19), embora em ritmo mais moderado após as fortes altas registradas na sessão anterior. As cotações internacionais subiram em Nova York e Londres, enquanto o mercado brasileiro também apresentou valorização do açúcar cristal.
O movimento ocorre em meio à crescente preocupação com a oferta mundial de açúcar, especialmente diante dos riscos climáticos em importantes países produtores e da possibilidade de redução da disponibilidade do produto em algumas regiões.
Açúcar bruto sobe em Nova York
Na ICE Futures U.S., os contratos de açúcar bruto encerraram a sessão em alta, mas com ganhos mais contidos.
O contrato outubro/26 avançou 0,08 ponto, fechando a 17,55 cents de dólar por libra-peso. Já o vencimento março/27 subiu 0,09 ponto, para 18,55 cents/lbp, enquanto maio/27 ganhou 0,10 ponto e terminou a 18,13 cents/lbp.
As demais posições também registraram valorização, com avanços entre 0,14 e 0,18 ponto.
A desaceleração dos ganhos em relação à terça-feira indica uma realização pontual de lucros, mas não alterou o viés positivo predominante no mercado.
Açúcar branco também avança em Londres
Em Londres, na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo.
O contrato outubro/26 teve alta de US$ 2,70, encerrando a sessão a US$ 542,20 por tonelada. O vencimento dezembro/26 avançou US$ 1,10, para US$ 535,70 por tonelada.
Já o contrato março/27 subiu US$ 0,80, fechando a US$ 534,80 por tonelada. Os demais vencimentos registraram ganhos entre US$ 0,40 e US$ 1,10.
Açúcar cristal sobe no mercado brasileiro
No mercado doméstico, o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, em São Paulo, também manteve a tendência de valorização.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 102,49, alta de 0,22% no dia. Com o resultado, o produto acumula valorização de 12,01% em agosto.
Na conversão para a moeda norte-americana, o indicador ficou em US$ 19,82.
O desempenho reforça a recuperação dos preços no mercado interno após um período de maior pressão sobre as cotações.
Etanol hidratado tem leve recuo
Enquanto o açúcar avançou, o mercado paulista de etanol hidratado apresentou pequena correção.
De acordo com o Indicador Diário de Paulínia (SP), o metro cúbico foi negociado a R$ 2.346,00, queda de 0,06% na comparação diária.
Apesar do recuo, o biocombustível acumula alta de 10,14% em agosto, mantendo desempenho positivo no mês.
Oferta global de açúcar preocupa mercado
Entre os principais fatores que sustentam a alta do açúcar está a percepção de que o balanço mundial da commodity pode ficar mais apertado nas próximas safras.
Um dos pontos de atenção é a Índia, que avalia a possibilidade de reduzir tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e ajudar a conter os preços antes do período de maior consumo associado às festividades no país.
A possibilidade de importações chama atenção porque a Índia tradicionalmente ocupa posição relevante no mercado internacional e não realiza compras significativas do exterior desde a safra 2017/18.
Para o mercado, a eventual necessidade de recorrer ao produto importado reforça a percepção de menor disponibilidade interna e pode contribuir para sustentar os preços internacionais.
El Niño aumenta riscos para produção
O cenário climático também permanece entre os principais fatores monitorados pelos agentes do mercado.
As condições das monções indianas, que seguem abaixo da média, aumentam as preocupações em relação à produção. Ao mesmo tempo, a influência do El Niño pode elevar os riscos climáticos em importantes regiões produtoras de açúcar.
Brasil, Índia, Tailândia e países da União Europeia estão entre as origens acompanhadas de perto pelos investidores.
Qualquer redução relevante na produtividade desses mercados pode provocar mudanças significativas no equilíbrio entre oferta e demanda mundial.
Fundos ampliam apostas de alta no açúcar
Para Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, a recente valorização está relacionada à percepção de que as principais regiões produtoras podem registrar perdas relevantes.
A avaliação considera potenciais impactos sobre a produção de Brasil, Índia, União Europeia, China e Tailândia, com estimativa de perdas superiores a 10 milhões de toneladas.
Nesse cenário, os fundos de investimento passaram a aumentar a exposição comprada, reforçando o movimento de valorização observado nas bolsas internacionais.
A combinação entre riscos climáticos, possíveis frustrações de safra, maior demanda e preocupação com a disponibilidade global mantém o açúcar no radar dos mercados.
Perspectivas para o mercado de açúcar
Apesar da realização pontual de lucros após as fortes altas recentes, o mercado continua encontrando suporte em fundamentos relacionados à oferta mundial.
A evolução das condições climáticas, o comportamento da produção brasileira, as monções na Índia e a possibilidade de mudanças na política de importação indiana devem permanecer entre os principais fatores capazes de influenciar os preços nas próximas sessões.
No Brasil, além das cotações internacionais, o mercado continuará acompanhando a evolução da moagem de cana, a produção de açúcar e etanol e a estratégia das usinas na definição do mix produtivo.
Em resumo, o açúcar encerrou a quarta-feira em alta nos mercados internacional e doméstico, com os investidores atentos aos riscos de redução da oferta global e às condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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