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Adubos e Fertilizantes

Pesquisa da UFV impulsionou uso de silicatos na correção do solo e na nutrição das plantas

Estudos iniciados em 1998 avaliaram composição, segurança e potencial agronômico dos silicatos de cálcio e magnésio, hoje utilizados como fertilizantes com propriedades corretivas


Publicado em: 18/09/2026 às 08:00hs

Pesquisa da UFV impulsionou uso de silicatos na correção do solo e na nutrição das plantas

Pesquisas brasileiras iniciadas no final da década de 1990 ajudaram a construir a base científica para o uso agrícola de silicatos de cálcio e magnésio. Os estudos avaliaram a composição, a segurança e o potencial agronômico de materiais provenientes da indústria siderúrgica, que passaram a ser considerados alternativas para a correção da acidez do solo e o fornecimento de nutrientes.

Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), parte desse trabalho foi conduzida pelo professor titular aposentado Caetano Marciano de Souza. As pesquisas, iniciadas em 1998, também reuniram resultados produzidos por outras instituições de ensino e pesquisa.

Naquele período, um dos principais desafios era determinar se esses materiais poderiam ser utilizados na agricultura sem riscos e com resultados agronômicos consistentes.

“Era necessário estudar o material, conhecer sua composição e avaliar também a presença de possíveis contaminantes. O princípio sempre foi muito claro: só poderia ser destinado à agricultura aquilo que apresentasse qualidade e segurança para o uso”, explica Souza.

Pesquisas abriram caminho para uso agrícola dos silicatos

A investigação científica avançou desde a caracterização dos materiais até a avaliação de seus efeitos sobre o solo e as plantas. O trabalho contribuiu para a liberação do Agrosilício em 2002.

Composto principalmente por silicatos de cálcio e magnésio, o material passou a ser utilizado como fertilizante com propriedades corretivas. Além de atuar sobre a acidez do solo, fornece cálcio, magnésio e silício ao sistema produtivo.

A presença desses elementos diferencia os silicatos dos corretivos convencionais, cuja atuação está concentrada principalmente na correção da acidez e no fornecimento de cálcio e magnésio.

Correção da acidez favorece raízes e absorção de nutrientes

A acidez é uma característica frequente em grande parte dos solos brasileiros e pode limitar o desenvolvimento das culturas. A correção química contribui para criar condições mais adequadas ao crescimento das raízes e ao aproveitamento dos nutrientes disponíveis.

Segundo Souza, o cálcio e o magnésio participam tanto do processo de correção quanto da nutrição vegetal. Nos silicatos, esses dois nutrientes são fornecidos junto com o silício.

“O cálcio e o magnésio têm importância tanto na correção da acidez quanto na nutrição das plantas. Nos silicatos de cálcio e magnésio, esses nutrientes são fornecidos juntamente com o silício, permitindo que o produtor utilize um insumo que desempenha as funções tradicionalmente associadas aos corretivos convencionais e ainda agrega benefícios adicionais à lavoura”, afirma.

O professor acrescenta que a melhoria das condições químicas do solo também pode favorecer o aproveitamento de nutrientes que se encontravam menos disponíveis para as culturas.

Silício pode aumentar resistência das plantas

O fornecimento de silício é um dos principais diferenciais agronômicos dos silicatos de cálcio e magnésio. Pesquisas indicam que plantas adequadamente supridas com o elemento podem apresentar tecidos com maior resistência mecânica e respostas mais favoráveis a determinadas situações de estresse.

Entre os efeitos estudados estão a maior resistência ao ataque de algumas pragas e doenças, a redução da perda de água e a capacidade de enfrentar períodos de déficit hídrico.

“O silício pode conferir maior resistência à planta. Esse efeito aparece tanto na estrutura dos tecidos quanto na resposta a situações adversas. Não significa que ele substitua outras práticas de manejo, mas é mais um componente que pode favorecer o desenvolvimento da cultura”, esclarece Souza.

Os estudos também observaram possíveis reflexos sobre a arquitetura vegetal. Uma estrutura mais firme pode melhorar o posicionamento das folhas e sua exposição à radiação solar, com efeitos sobre a realização da fotossíntese.

O uso do silício, entretanto, deve integrar o manejo da lavoura. O elemento não substitui medidas relacionadas à fertilidade, à nutrição, à sanidade e à conservação do solo.

Materiais siderúrgicos ganham nova função na agricultura

A trajetória dos silicatos acompanha uma mudança na maneira como determinados materiais da indústria siderúrgica são avaliados. Durante muitos anos, eles foram tratados genericamente como escórias ou resíduos, sem uma destinação agrícola definida.

Com o avanço das pesquisas, materiais que atendem aos requisitos de composição, qualidade e segurança passaram a ser classificados tecnicamente como silicatos de cálcio e magnésio. Na agricultura, eles podem retornar ao sistema produtivo como insumos, desde que cumpram as exigências necessárias para essa finalidade.

“Quando existe um uso tecnicamente adequado e o material atende às condições ambientais e sanitárias necessárias, ele deixa de ser simplesmente algo destinado ao descarte e passa a ter uma nova função”, destaca o professor.

Essa utilização reúne aspectos relacionados à correção do solo, ao fornecimento de nutrientes e ao aproveitamento de componentes provenientes de outras atividades produtivas.

Pesquisas sobre silicatos ainda podem avançar

Quase três décadas após o início dos primeiros estudos, o conhecimento acumulado ampliou a compreensão sobre as possibilidades de utilização agrícola dos silicatos de cálcio e magnésio.

Os efeitos relacionados à correção da acidez, ao fornecimento de cálcio e magnésio e à presença de silício já foram objeto de diferentes pesquisas. Ainda assim, novas investigações podem aprofundar a compreensão sobre os resultados em culturas, solos e condições de manejo distintos.

“A cada dia nós continuamos encontrando novas possibilidades. Os efeitos mais evidentes já foram bastante estudados, mas ainda há espaço para ampliar esse conhecimento e entender outros benefícios”, conclui Souza.

Fonte: Portal do Agronegócio

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