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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes: projetos de mais de R$ 25 bilhões no RJ esbarram no acesso ao gás natural

Investimentos previstos até 2030 incluem fábrica de ureia em Macaé e produção de amônia verde; infraestrutura limita aproveitamento do gás para ampliar oferta nacional


Publicado em: 06/11/2026 às 10:00hs

Fertilizantes: projetos de mais de R$ 25 bilhões no RJ esbarram no acesso ao gás natural

Projetos industriais previstos para o Rio de Janeiro podem ampliar a produção brasileira de fertilizantes e reduzir parte da dependência de importações. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, a quinta edição do estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro, da Firjan, aponta mais de R$ 25 bilhões em investimentos até 2030.

O principal desafio, porém, está no fornecimento de gás natural às indústrias. Embora o estado seja um importante produtor, a disponibilidade da matéria-prima depende de infraestrutura de escoamento e processamento capaz de conectar a produção às unidades consumidoras.

Fábrica de ureia em Macaé prevê 1,3 milhão de toneladas por ano

Entre os projetos destacados está uma fábrica de ureia em Macaé, com capacidade prevista de 1,3 milhão de toneladas anuais e consumo estimado de 3,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

O município também tem previsão de receber uma planta de metanol com capacidade de 900 mil toneladas por ano. A carteira de investimentos inclui ainda projetos de amônia verde no Porto do Açu e dois módulos de processamento do Complexo Boaventura, em Itaboraí.

A Petrobras anunciou US$ 900 milhões para fertilizantes. Já o Projeto Raia, da Equinor, deverá acrescentar 16 milhões de metros cúbicos diários de gás ao mercado a partir de 2028, conforme as informações apresentadas pelo economista.

Importações respondem por cerca de 85% do consumo brasileiro

O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes químicos que utiliza. Em 2025, a produção nacional foi de 7,2 milhões de toneladas, enquanto as importações superaram 43 milhões de toneladas.

Nesse cenário, a capacidade prevista para a fábrica de ureia de Macaé representa uma contribuição potencial ao abastecimento de nitrogenados. A participação efetiva dependerá da entrada em operação e do volume produzido.

O Plano Nacional de Fertilizantes estabelece como objetivo reduzir a dependência externa para 45% até 2050, ampliando a oferta doméstica e a segurança de abastecimento.

Infraestrutura restringe gás disponível para a indústria

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados por Galhardo, a produção brasileira de gás natural atingiu 223,98 milhões de metros cúbicos por dia em setembro, mas apenas 66,37 milhões chegaram ao mercado.

O restante foi reinjetado ou utilizado nas operações offshore. A diferença evidencia que o crescimento da produção não se converte automaticamente em maior disponibilidade para as fábricas.

Para viabilizar os projetos industriais, o avanço da oferta precisa ser acompanhado por estruturas de transporte e processamento. Sem essa conexão, parte do potencial do gás permanece distante das unidades que poderiam utilizá-lo como matéria-prima.

Novos projetos não eliminam riscos de abastecimento no curto prazo

Com iniciativas previstas para o período entre 2028 e 2030, a ampliação da capacidade nacional terá efeitos graduais. Até lá, o mercado brasileiro continuará exposto às condições internacionais de oferta e preços.

Entre os fatores de atenção apontados pelo economista estão as restrições chinesas aos fosfatados e o encarecimento do gás natural europeu, que podem repercutir na disponibilidade de fertilizantes e nos custos de produção agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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