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Bovinos Leite

Leite: Rabobank prevê produção 1% maior em 2027 e preços firmes no primeiro semestre

Relatório apresentado no AgroInfo 2026 aponta maior equilíbrio no mercado brasileiro, mas alerta para consumo limitado, importações competitivas e riscos climáticos


Publicado em: 06/11/2026 às 10:10hs

Leite: Rabobank prevê produção 1% maior em 2027 e preços firmes no primeiro semestre

O mercado brasileiro de leite deve apresentar maior equilíbrio em 2027, com crescimento moderado da produção e preços relativamente firmes no primeiro semestre. A avaliação é do Rabobank, que projeta expansão próxima de 1% na oferta nacional, dentro de um intervalo entre estabilidade e alta de 2%.

Apresentado no AgroInfo 2026, o relatório de perspectivas para o agronegócio brasileiro indica que a desaceleração da oferta internacional poderá sustentar as cotações dos lácteos. No Brasil, entretanto, o endividamento das famílias, a inflação dos alimentos e o menor crescimento econômico devem continuar limitando o consumo.

Para produtores e indústrias, o cenário combina oportunidades de preservação das margens com a necessidade de controlar custos e administrar os riscos climáticos.

Produção brasileira perde força em 2026

Segundo o Rabobank, 2026 representa uma transição para a cadeia leiteira. Após o crescimento de 8,9% registrado em 2025, a produção formal avançou 2,6% no primeiro trimestre e aproximadamente 1% no segundo.

Para a segunda metade de 2026, o banco projeta pequenas quedas na comparação anual, levando o resultado do ano para próximo da estabilidade.

A perda de ritmo está associada à menor rentabilidade no início do período, à base elevada de comparação e à maior instabilidade climática. A demanda doméstica mais fraca também reduziu o espaço para uma expansão acelerada da oferta.

Recuperação do preço do leite melhora rentabilidade no campo

O relatório aponta que o preço médio pago ao produtor passou de cerca de R$ 2,00 por litro no início de 2026 para aproximadamente R$ 2,75 em julho, acompanhado pela desaceleração da produção.

A recuperação das cotações, somada a custos de alimentação relativamente comportados, contribuiu para recompor as margens das propriedades.

Como referência, o indicador de receita menos custo de alimentação do MilkPoint Mercado, para uma produção de 35 litros por vaca ao dia, subiu de R$ 41,50 por vaca/dia em janeiro para R$ 71,90 em setembro.

Esse indicador considera a diferença entre receita e alimentação, sem representar o lucro líquido da atividade. O Rabobank ressalta que mão de obra, capital, energia e infraestrutura continuam pressionando parte dos produtores.

Preços devem começar 2027 acima do início de 2026

Na avaliação do banco, o preço do leite ao produtor deve entrar em 2027 em patamar superior ao observado no começo de 2026.

O cenário central prevê cotações relativamente firmes no primeiro semestre, com maior pressão sazonal quando a oferta aumentar. Ainda assim, a instituição não espera uma repetição da queda abrupta registrada na passagem de 2025 para 2026.

A trajetória dependerá principalmente de três fatores: recuperação da produção brasileira, volume de importações e comportamento do consumo.

Demanda doméstica segue como principal preocupação

Mesmo com desemprego baixo e atividade econômica positiva, o consumo de lácteos enfrentou dificuldades em 2026. Segundo o relatório, o endividamento das famílias e a inflação persistente restringiram as compras.

As altas de preços tornaram o segundo semestre mais desafiador para diversas categorias, especialmente o leite UHT. Em contrapartida, leite em pó e queijos especiais apresentaram crescimento relevante do consumo ao longo do ano.

Para 2027, juros relativamente menores e a manutenção do emprego podem oferecer algum apoio. Porém, o Rabobank avalia que renda disponível, inflação dos alimentos e endividamento continuarão limitando uma recuperação sustentável dos volumes consumidos.

Importações devem permanecer competitivas

Os produtos importados seguiram como uma fonte importante de abastecimento do mercado brasileiro em 2026. Preços internacionais moderados e a recuperação das cotações domésticas ampliaram a competitividade dos lácteos do Mercosul.

Para 2027, o Rabobank trabalha com importações em patamares semelhantes aos de 2026, considerando sua projeção cambial.

Embora oscilações do dólar possam alterar a atratividade das compras em determinados momentos, o banco destaca que a diferença entre os preços brasileiros e internacionais tende a ter maior influência sobre os fluxos comerciais.

Oferta global deve crescer apenas 0,3% em 2027

No mercado internacional, a instituição projeta que o crescimento da oferta nas principais regiões acompanhadas desacelere de 1,7% em 2026 para 0,3% em 2027.

A produção deve permanecer praticamente estável no primeiro semestre, refletindo margens mais apertadas, restrições estruturais na Europa e riscos climáticos na Oceania.

Esse ambiente poderá dar maior sustentação às commodities lácteas, especialmente ao leite em pó e aos ingredientes proteicos.

A demanda mundial, porém, também deve avançar pouco. Na China, o relatório identifica sinais de estabilização e recuperação gradual do consumo, sem retorno ao ritmo de ciclos anteriores. Produtos ricos em proteína continuam em destaque, enquanto manteiga e queijos apresentam oferta mais confortável em alguns mercados.

Clima e alimentação exigem atenção dos produtores

O Rabobank aponta o clima como um dos principais riscos para a produção brasileira em 2027.

No Sul, chuvas acima da média podem dificultar o manejo, a conservação de forragens e a coleta de leite. A vulnerabilidade de estradas no Oeste de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul amplia a preocupação com o escoamento.

No Sudeste e no Centro-Oeste, calor e estresse térmico podem reduzir a produtividade. Parte dos efeitos sobre pastagens, volumosos e condição corporal dos animais poderá aparecer de forma defasada ao longo do ano.

Na alimentação, o recuo das curvas futuras de milho e farelo de soja observado em outubro de 2026 sinalizava menor pressão imediata sobre a ração. Essa condição, contudo, pode mudar conforme o clima, a logística e as tensões geopolíticas afetem grãos, energia, fertilizantes e fretes.

Eficiência e qualidade ganham peso na cadeia leiteira

O relatório também destaca mudanças na estrutura produtiva. Sistemas confinados já respondem por aproximadamente metade do leite fornecido às empresas pesquisadas, embora representem menos de 10% dos produtores desse universo.

Os maiores fornecedores ampliam sua participação com apoio de tecnologia, gestão e diluição de custos. Regionalmente, a produção avança em polos do Sul e do Nordeste, enquanto o Centro-Oeste perde participação relativa.

Nesse contexto, o Rabobank aponta gestão do risco climático, eficiência na captação, teor de sólidos e diversificação de produtos como fatores importantes para a competitividade de produtores e indústrias em 2027.

Fonte: Portal do Agronegócio

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