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Adubos e Fertilizantes

Entregas de fertilizantes recuam 5,4% no Brasil no primeiro semestre de 2026

Mercado recebeu 19,02 milhões de toneladas de adubos até junho, enquanto importações e produção nacional também registraram queda no período, segundo a ANDA


Publicado em: 22/09/2026 às 09:30hs

Entregas de fertilizantes recuam 5,4% no Brasil no primeiro semestre de 2026

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa uma retração de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas entregues no mesmo período de 2025.

Apesar da redução, a ANDA informa que a demanda do agronegócio brasileiro foi atendida durante os primeiros seis meses do ano.

O desempenho, porém, mostra um cenário de menor ritmo de negócios no setor de fertilizantes, influenciado por uma combinação de fatores econômicos, financeiros, geopolíticos e climáticos.

Junho registra queda de 17,2% nas entregas

A retração foi mais intensa em junho. No mês, foram entregues 3,55 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 17,2% em comparação com as 4,29 milhões de toneladas registradas em junho de 2025.

Segundo a ANDA, entre os fatores que pressionaram o mercado estão as adversidades do cenário geopolítico internacional, relações de troca acima das médias históricas, restrições de crédito, juros elevados, riscos associados a recuperações judiciais e ameaças climáticas.

O comportamento das compras também mudou ao longo do semestre.

No primeiro trimestre, o mercado foi favorecido pelo desempenho positivo da segunda safra. As aquisições de fertilizantes mantiveram ritmo considerado normal no início do ano.

A partir do agravamento do cenário geopolítico envolvendo o conflito no Irã, entretanto, houve redução na realização de novos negócios. De acordo com a ANDA, os efeitos desse movimento passaram a aparecer de maneira mais clara nas entregas a partir de maio, com reflexos também sobre o planejamento da safra 2026/27.

Mato Grosso lidera consumo de fertilizantes

Entre os estados brasileiros, Mato Grosso permanece na liderança das entregas de fertilizantes.

De janeiro a junho, o estado recebeu 4,90 milhões de toneladas, equivalentes a 25,8% de todo o volume entregue no país no período.

Na sequência aparecem:

  • Paraná: 2,15 milhões de toneladas;
  • Goiás: 2,01 milhões de toneladas;
  • São Paulo: 2,00 milhões de toneladas;
  • Minas Gerais: 1,33 milhão de toneladas.

A concentração das entregas nos principais estados produtores reforça a relação entre o mercado de fertilizantes e o calendário das grandes culturas agrícolas brasileiras.

Produção nacional de fertilizantes também recua

A indústria brasileira apresentou queda na produção de fertilizantes intermediários.

Em junho de 2026, a produção nacional alcançou 533 mil toneladas, redução de 12,5% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

No acumulado de janeiro a junho, foram produzidas 2,94 milhões de toneladas, contra 3,51 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025. O resultado representa uma queda de 16,3%.

Um dos fatores apontados pela ANDA está relacionado ao custo dos insumos utilizados pela indústria brasileira. O país possui produção de fertilizantes fosfatados, mas o enxofre, matéria-prima necessária para essa fabricação, vem registrando elevações sucessivas no mercado.

A entidade também ressalta que os números não capturam integralmente toda a produção nacional no período. Mudanças na estrutura societária de empresas e retomadas de produção de determinados ativos dificultaram a contabilização completa, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio.

Importações somam 17,69 milhões de toneladas

As importações continuam sendo fundamentais para o abastecimento do mercado brasileiro de fertilizantes, mas também apresentaram redução no primeiro semestre.

Em junho, o país importou 3,17 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, volume 10,9% menor que o registrado no mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e junho, as compras externas totalizaram 17,69 milhões de toneladas, queda de 4,2% em relação às 18,47 milhões de toneladas importadas no primeiro semestre do ano passado.

O desempenho evidencia a combinação entre menor ritmo de negócios e um cenário internacional que permanece relevante para os custos e a disponibilidade dos principais nutrientes utilizados pela agricultura brasileira.

Paranaguá concentra 25,1% das importações

O Porto de Paranaguá, no Paraná, manteve a posição de principal porta de entrada de fertilizantes no Brasil.

No primeiro semestre, passaram pelo terminal 4,44 milhões de toneladas, uma redução de 8,8% em comparação com as 4,87 milhões de toneladas desembarcadas no mesmo período de 2025.

O volume correspondeu a 25,1% de todas as importações de fertilizantes realizadas pelos portos brasileiros entre janeiro e junho.

Os dados têm como fonte o Siacesp/MDIC.

Mercado de fertilizantes monitora safra 2026/27

Os números divulgados pela ANDA mostram um mercado de fertilizantes com menor movimentação no primeiro semestre de 2026, tanto nas entregas quanto na produção nacional e nas importações.

Para o agronegócio, o comportamento do setor permanece diretamente ligado à disponibilidade de crédito, às relações de troca, aos preços internacionais dos insumos, ao ambiente geopolítico e às condições climáticas.

A evolução das compras ao longo dos próximos meses será especialmente relevante para avaliar o ritmo de abastecimento e formação de estoques para a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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