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Adubos e Fertilizantes

Entregas de fertilizantes caem 10,4% no Brasil até agosto; importações recuam 12%

Volume entregue ao mercado soma 27,31 milhões de toneladas em 2026, segundo a ANDA; crédito restrito, juros elevados e incertezas geopolíticas dificultam compras dos produtores


Publicado em: 04/11/2026 às 20:00hs

Entregas de fertilizantes caem 10,4% no Brasil até agosto; importações recuam 12%
Foto: Cláudio Neves

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro caíram 10,4% entre janeiro e agosto de 2026, totalizando 27,31 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). No mesmo período de 2025, o volume havia alcançado 30,47 milhões de toneladas.

Somente em agosto, foram entregues 4,33 milhões de toneladas, redução de 17,6% frente às 5,25 milhões de toneladas registradas um ano antes. O resultado prolonga o movimento de retração observado desde maio.

De acordo com a entidade, o desempenho reflete a combinação de adversidades geopolíticas, restrição de crédito, juros elevados, aumento de custos e riscos climáticos, incluindo as preocupações com o El Niño.

Queda nas entregas se intensifica após início favorável do ano

A ANDA informa que o mercado começou 2026 em condições mais favoráveis, com o primeiro trimestre beneficiado pelos resultados da safrinha.

Posteriormente, segundo a avaliação da associação, o conflito no Irã contribuiu para o enfraquecimento de novos negócios. Esse movimento passou a aparecer nas entregas a partir de maio e continuou nos dados de agosto.

Entre maio e julho, as reduções ficaram na faixa de 15% a 20%. Além do ambiente internacional, a entidade aponta dificuldades financeiras dos produtores e riscos associados a recuperações judiciais como fatores que afetam as decisões de compra.

Mato Grosso concentra quase um quarto do volume entregue

Mato Grosso liderou as entregas de fertilizantes nos primeiros oito meses do ano, com 6,77 milhões de toneladas, equivalentes a 24,8% do total nacional.

Na sequência, aparecem Paraná, com 3,07 milhões de toneladas; Goiás, com 2,90 milhões; e São Paulo, com 2,79 milhões.

O Rio Grande do Sul recebeu 2,24 milhões de toneladas, seguido por Minas Gerais, com 2,07 milhões, e Bahia, com 1,96 milhão.

Produção nacional registrada recua 22,7%

A produção brasileira de fertilizantes intermediários contabilizada pela ANDA somou 3,75 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 22,7% em relação às 4,86 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.

Em agosto, o volume foi de 418 mil toneladas, recuo de 40,2% na comparação anual.

A associação ressalta, porém, que o levantamento não capturou toda a produção nacional no período, especialmente de ureia e cloreto de potássio. Mudanças na estrutura societária de empresas e retomadas de produção em determinados ativos afetaram a cobertura dos dados.

Essa limitação precisa ser considerada na interpretação do desempenho da indústria doméstica.

Importações de fertilizantes caem 34% em agosto

As compras externas de fertilizantes intermediários também perderam ritmo. Em agosto, o Brasil importou 3,03 milhões de toneladas, volume 34% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as importações atingiram 24,27 milhões de toneladas, retração de 12% frente às 27,58 milhões de toneladas do ano anterior.

O movimento ocorre em paralelo à redução das entregas ao mercado doméstico e às dificuldades de financiamento enfrentadas pelos produtores.

Paranaguá mantém liderança na entrada de adubos

O Porto de Paranaguá permaneceu como a principal porta de entrada dos fertilizantes importados, com 5,83 milhões de toneladas recebidas entre janeiro e agosto.

O volume representa queda de 17,7% em relação às 7,08 milhões de toneladas descarregadas no mesmo período de 2025. Ainda assim, o terminal respondeu por 24% das importações brasileiras, conforme dados de Siacesp e MDIC apresentados no levantamento.

Restrição financeira muda o momento de compra dos produtores

O panorama reúne entregas menores, desaceleração das importações e redução da produção nacional registrada, enquanto o país mantém perspectivas de uma safra elevada.

Na avaliação apresentada pela ANDA, o crescimento da agricultura sustenta a necessidade de fertilizantes. A principal mudança está na capacidade financeira do produtor e no momento escolhido para adquirir os insumos.

Crédito mais escasso, juros altos e incertezas sobre custos e clima tornam as decisões mais cautelosas, influenciando o ritmo de comercialização ao longo da preparação da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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