Safra de soja do Brasil deve cair para 178 milhões de toneladas em 2026/27, prevê Rabobank
Banco projeta área estável em 49 milhões de hectares e exportações de 113 milhões de toneladas; juros elevados e perspectivas para a demanda chinesa mantêm produtores cautelosos
Publicado em: 04/11/2026 às 19:20hs
A produção brasileira de soja deverá alcançar 178 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo projeção apresentada pelo Rabobank nesta quarta-feira (4), durante evento sobre as perspectivas do agronegócio. O volume representa uma redução de 4 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, embora permaneça estável frente à estimativa divulgada pelo banco em julho.
Para as exportações, a instituição financeira prevê embarques de 113 milhões de toneladas, ante 114 milhões na temporada 2025/26. O cenário considera relativa estabilidade nas importações totais da China e a expectativa de maior participação da soja dos Estados Unidos nas compras chinesas.
Área de soja deve permanecer em 49 milhões de hectares
A projeção do Rabobank para a safra brasileira considera a manutenção da área plantada em aproximadamente 49 milhões de hectares. Os juros elevados estão entre os fatores que contribuem para a cautela dos produtores nas decisões para o novo ciclo.
Com a semeadura em andamento, o setor também acompanha a possibilidade de impactos do fenômeno climático El Niño sobre as lavouras. Apesar dessa preocupação, a avaliação do banco é de que as condições climáticas ainda são favoráveis ao desenvolvimento da safra.
Segundo Marcela Marini, analista de Grãos e Oleaginosas do Rabobank Brasil, o quadro climático observado até o momento não compromete as perspectivas para a soja brasileira.
Avanço do plantio favorece janela da segunda safra
O ritmo acelerado da semeadura da soja também traz uma sinalização positiva para as culturas que serão implantadas após a colheita da oleaginosa.
Na avaliação de Marini, o avanço dos trabalhos oferece maior conforto para o planejamento da segunda safra de milho ou algodão, ao favorecer a janela de plantio dessas culturas.
Assim, embora a estimativa aponte redução na produção de soja em relação à temporada anterior, o andamento da semeadura é um fator favorável à organização do calendário agrícola.
China deve comprar mais soja dos Estados Unidos
No comércio exterior, a projeção de queda dos embarques brasileiros está associada às perspectivas para o principal destino da soja nacional.
O Rabobank considera que a China poderá ampliar as compras nos Estados Unidos após um acordo entre Pequim e Washington. Esse movimento, combinado à expectativa de pouca mudança no volume total importado pelos chineses, tende a influenciar a distribuição das compras entre os fornecedores.
Nesse cenário, o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, deverá embarcar 1 milhão de toneladas a menos em 2026/27 na comparação com o ciclo anterior.
Clima e demanda externa concentram as atenções
As perspectivas para a soja brasileira reúnem três pontos centrais: estabilidade da área cultivada, acompanhamento dos possíveis efeitos do El Niño e mudanças na participação dos fornecedores no mercado chinês.
Por enquanto, o Rabobank mantém a previsão de produção divulgada em julho. A evolução das lavouras e o comportamento das compras chinesas serão determinantes para acompanhar o cenário de oferta e exportação ao longo da temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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