Soja sobe no Brasil e em Chicago em julho, melhora comercialização e safra 2026/27 entra no radar do mercado
Alta dos preços internacionais, firmeza dos prêmios e retomada dos negócios impulsionaram a soja brasileira em julho. Para a próxima temporada, produtores enfrentam desafios com custos elevados e riscos climáticos, enquanto Estados Unidos ampliam área plantada
Publicado em: 31/07/2026 às 18:40hs
O mercado da soja apresentou recuperação em julho, com valorização dos preços no Brasil e na Bolsa de Chicago (CBOT). A combinação entre avanço das cotações internacionais, prêmios firmes nos portos brasileiros e maior interesse comercial trouxe melhora no ritmo dos negócios, mesmo diante de um câmbio menos favorável para os produtores.
Nas principais regiões produtoras do país, a soja registrou ganhos expressivos durante o mês. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos avançou de R$ 129,00 para R$ 140,00. Em Cascavel (PR), a valorização foi de R$ 124,00 para R$ 134,00. Já em Rondonópolis (MT), os preços subiram de R$ 115,00 para R$ 127,00.
No Porto de Paranaguá (PR), uma das principais referências para exportação, a soja passou de aproximadamente R$ 135,00 para R$ 145,00 por saca, refletindo a melhora do cenário internacional e a sustentação dos prêmios de exportação.
Chicago registra forte valorização e soja supera US$ 12 por bushel
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja acompanharam o movimento positivo observado no mercado brasileiro.
O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, acumulou alta mensal de 4,26% em julho e era negociado próximo de US$ 11,92 por bushel no dia 31. Durante o mês, as cotações chegaram a superar a marca de US$ 12,50 por bushel, atingindo os melhores níveis em mais de dois anos.
Três fatores principais explicaram a valorização dos futuros:
- Aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio, elevando os preços do petróleo e influenciando o mercado de commodities;
- Maior demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos, trazendo suporte aos contratos;
- Preocupações climáticas no cinturão produtor norte-americano, com períodos de calor intenso e menor umidade em áreas produtoras.
O clima segue como principal fator de volatilidade para agosto, período considerado decisivo para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana.
Comercialização brasileira melhora, mas produtores seguem cautelosos
A melhora dos preços trouxe maior movimentação comercial no mercado brasileiro de soja durante julho.
Apesar do avanço das cotações, produtores mantêm postura estratégica diante dos desafios de rentabilidade, custos elevados de produção e incertezas climáticas para a próxima temporada.
Os prêmios de exportação permaneceram firmes e ajudaram a compensar parcialmente as limitações provocadas pelo câmbio, favorecendo novas negociações em diferentes regiões produtoras.
Safra brasileira 2026/27 deve crescer, mas enfrenta desafios de clima e custos
A próxima safra brasileira de soja mantém expectativa de crescimento de área e produção, mas o cenário exige atenção dos produtores, principalmente devido aos riscos climáticos e ao aumento dos custos de produção.
Segundo avaliação da Safras & Mercado, a área cultivada deve crescer cerca de 1,2%, alcançando 49,107 milhões de hectares.
O avanço deve ocorrer principalmente no Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, onde a expectativa é de expansão aproximada de 1,5% na área plantada.
Mesmo com margens mais apertadas, a produtividade elevada registrada nas últimas temporadas tem ajudado a manter a competitividade da cultura.
Em Goiás, o cenário segue semelhante, embora produtores enfrentem maior pressão sobre as margens financeiras.
Clima é principal preocupação para a soja brasileira
O comportamento climático será determinante para o desempenho da safra 2026/27.
A possibilidade de um evento de El Niño mais intenso aumenta a preocupação do setor, principalmente pela influência que o fenômeno pode exercer durante fases críticas do desenvolvimento da soja.
De acordo com especialistas, ainda não há indicação antecipada de perdas produtivas, mas existe expectativa de que algumas regiões possam registrar produtividades inferiores às observadas na temporada anterior.
Além do clima, os custos continuam sendo um ponto de atenção, especialmente devido à alta dos fertilizantes registrada no primeiro semestre.
O aumento dos gastos pode levar produtores a reduzir investimentos em tecnologia e manejo, limitando o potencial produtivo das lavouras.
Produção brasileira deve superar 180 milhões de toneladas
Mesmo diante dos desafios, a expectativa permanece positiva.
A Safras & Mercado projeta produção brasileira de soja em aproximadamente 180,089 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ligeiramente acima das 178,3 milhões de toneladas estimadas para 2025/26.
A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação ao ciclo anterior.
O crescimento da produção deverá ser sustentado principalmente pela expansão de área no Centro-Oeste e no Sudeste.
Estados Unidos ampliam área plantada de soja em 2026
No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou aumento da área destinada à soja no país.
A previsão indica 85,4 milhões de acres cultivados em 2026, volume 5% superior aos 81,215 milhões de acres registrados no ano anterior.
O número ficou em linha com as expectativas do mercado e acima da estimativa inicial de intenção de plantio divulgada em março, que apontava 84,7 milhões de acres.
Segundo o USDA, a área plantada aumentou ou permaneceu estável em 23 dos 29 estados produtores norte-americanos.
Perspectivas para a soja seguem ligadas ao clima e à demanda global
O mercado da soja entra em agosto com fundamentos equilibrados entre oferta e demanda.
Enquanto a ampliação da área plantada nos Estados Unidos e a expectativa de boas produtividades pressionam os preços, a demanda chinesa e os riscos climáticos continuam oferecendo suporte às cotações.
No Brasil, a tendência é de continuidade do planejamento da nova safra, com produtores atentos à relação entre custos, preços internacionais e condições climáticas para definir o nível de investimento no ciclo 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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