Soja sobe em Chicago e preços avançam no Brasil com mercado atento ao USDA, China e petróleo
Contrato novembro supera US$ 13 por bushel, enquanto dólar próximo de R$ 5,10 e início do plantio da safra 2026/27 influenciam a comercialização brasileira
Publicado em: 09/09/2026 às 12:00hs
O mercado da soja mantém trajetória positiva na Bolsa de Chicago e apresenta preços firmes nas principais regiões produtoras do Brasil. Após avançarem no primeiro pregão da semana nos Estados Unidos, os contratos futuros voltaram a operar em alta na manhã desta quarta-feira (9), sustentados por ajustes técnicos, valorização dos derivados, expectativas envolvendo a demanda chinesa e oscilações no mercado de petróleo.
Apesar do movimento favorável, os investidores mantêm postura cautelosa antes da divulgação do novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para sexta-feira (11). O documento poderá atualizar as projeções de produtividade, produção e estoques norte-americanos de soja.
No Brasil, a valorização em Chicago, combinada ao dólar próximo de R$ 5,10, oferece suporte às cotações. Ao mesmo tempo, o início do plantio da safra 2026/27 coloca clima, custos de produção e estratégias de comercialização no centro das decisões dos produtores.
Soja amplia ganhos na Bolsa de Chicago
Na terça-feira (8), o contrato de soja com vencimento em novembro avançou 0,50%, encerrando o pregão a US$ 13,1625 por bushel. Janeiro subiu 0,53%, cotado a US$ 13,32 por bushel.
Entre os derivados, o óleo de soja para outubro registrou valorização de 1,93%, enquanto o farelo recuou 1,41%. Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado encontrou suporte em compras técnicas, na alta do petróleo e nas expectativas de melhora das relações comerciais entre Estados Unidos e China.
Os embarques semanais norte-americanos cresceram 49%, reforçando a atenção dos operadores sobre a demanda internacional. O mercado também acompanha especulações sobre uma possível redução das tarifas aplicadas pela China aos grãos dos Estados Unidos.
Contrato novembro alcança US$ 13,20 por bushel
A soja voltou a subir na manhã desta quarta-feira. Por volta das 7h30, no horário de Brasília, os contratos mais negociados avançavam entre 2,75 e 3,75 pontos na Bolsa de Chicago.
O vencimento novembro era negociado a US$ 13,20 por bushel, enquanto março alcançava US$ 13,46. Milho, trigo, farelo e óleo de soja também operavam em alta, ampliando o suporte às cotações do grão.
Os ganhos, contudo, permaneciam moderados. A proximidade do relatório do USDA reduz o interesse dos fundos por posições mais agressivas, especialmente diante das incertezas sobre o potencial produtivo das lavouras norte-americanas.
Clima nos Estados Unidos concentra atenção do mercado
A reta final do desenvolvimento da safra dos Estados Unidos permanece como um dos principais fatores de influência sobre os preços da soja. Os operadores avaliam o impacto das condições meteorológicas no enchimento e no peso final dos grãos.
O mercado aguarda indicações mais precisas sobre a produtividade norte-americana e acompanha rumores de possível redução para 57% da parcela das lavouras classificadas como boas ou excelentes.
O relatório do USDA deverá mostrar se os Estados Unidos caminham para uma safra cheia ou se as condições climáticas poderão provocar ajustes negativos na produção. Mudanças nas estimativas de produtividade, estoques e exportações têm potencial para aumentar a volatilidade em Chicago.
China e tensões globais influenciam as cotações
As relações comerciais entre Estados Unidos e China também permanecem no radar. A expectativa em torno de um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping renovou as especulações sobre eventual alívio nas tarifas incidentes sobre os grãos norte-americanos.
Uma retomada mais consistente das compras chinesas poderia fortalecer a demanda pela soja dos Estados Unidos, mas a ausência de medidas concretas mantém o mercado cauteloso.
No setor de energia, as tensões no Estreito de Ormuz impulsionaram o petróleo. O Brent subia quase 3% na manhã desta quarta-feira e superava US$ 100 por barril. A valorização do petróleo tende a favorecer os óleos vegetais e os biocombustíveis, oferecendo suporte adicional ao óleo de soja e, por consequência, ao grão.
Preços da soja avançam nas principais praças brasileiras
No mercado brasileiro, as cotações apresentaram firmeza, embora o ritmo de comercialização permanecesse irregular. No Rio Grande do Sul, a soja foi indicada a R$ 161 por saca no porto de Rio Grande.
Em Santa Catarina, a referência em São Francisco do Sul chegou a R$ 157,30 por saca. A procura das indústrias de ração ajudou a sustentar os preços no estado.
No Paraná, a soja foi cotada a R$ 159 por saca no porto de Paranaguá. O estado também iniciou o plantio da safra 2026/27 nas regiões onde o vazio sanitário já terminou e as condições de umidade permitem o avanço das máquinas.
Mato Grosso do Sul registrou valorização nas praças acompanhadas, embora os negócios permanecessem lentos. Em Mato Grosso, a maioria das referências também avançou. Em Sorriso, o preço alcançou R$ 140 por saca, com alta de 3,86% em relação ao levantamento anterior.
Plantio da safra 2026/27 começa no Paraná
O início do plantio da soja no Paraná marca uma nova fase para o mercado brasileiro. Os trabalhos começaram nas áreas liberadas após o término do vazio sanitário, principalmente onde as chuvas garantiram umidade suficiente para a semeadura.
O produtor deve acompanhar atentamente a regularidade das precipitações antes de acelerar o plantio. Uma implantação realizada com umidade inadequada pode comprometer a emergência das plantas, reduzir o potencial produtivo e elevar a necessidade de replantio.
Além do clima, custos com sementes, fertilizantes, defensivos e crédito rural influenciam as decisões sobre a nova temporada.
Chicago e dólar criam oportunidades de comercialização
Com os contratos futuros acima de US$ 13 por bushel e o dólar oscilando próximo de R$ 5,10, o produtor brasileiro deve acompanhar as oportunidades de venda nos portos e no mercado interno.
A combinação entre Chicago, câmbio e prêmios de exportação será determinante para a formação dos preços nas próximas sessões. O momento exige avaliação criteriosa das margens, tanto para a comercialização dos estoques remanescentes da safra anterior quanto para a fixação antecipada da soja 2026/27.
O relatório do USDA, o clima nos Estados Unidos, as compras chinesas e a evolução do plantio brasileiro deverão definir o rumo do mercado da soja no curto prazo. Até que esses fatores estejam mais claros, a tendência é de preços sustentados, mas acompanhados por elevada volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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