Milho recua na B3 e em Chicago com avanço da colheita e mercado à espera do USDA
Contratos futuros registram perdas no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto o plantio da safra 2026/27 ganha ritmo e produtores limitam vendas à espera de preços mais altos
Publicado em: 09/09/2026 às 11:50hs
O mercado de milho opera sob pressão nas bolsas brasileira e norte-americana, refletindo a combinação entre avanço da colheita, queda do dólar, expectativa de maior disponibilidade interna e cautela antes dos novos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na B3, os contratos futuros encerraram a segunda-feira em baixa, acompanhando as perdas registradas na Bolsa de Chicago (CBOT). Ao mesmo tempo, o plantio do milho da safra 2026/27 avança no Sul do Brasil, enquanto a colheita da segunda safra se aproxima do fim em importantes estados produtores.
Apesar da pressão sobre as cotações, a resistência dos agricultores em negociar grandes volumes limita a oferta no mercado físico. Exportações, demanda interna e consumo crescente das indústrias de bioenergia permanecem como fatores de sustentação.
Milho recua na B3 com pressão externa e avanço da oferta
De acordo com a TF Agroeconômica, o vencimento setembro de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 71,08 por saca, com queda diária de R$ 0,67.
O contrato novembro de 2026 recuou R$ 1,05, para R$ 76,73 por saca, enquanto janeiro de 2027 terminou a R$ 80,23, desvalorização de R$ 0,87.
O movimento negativo foi associado à queda do milho em Chicago, ao enfraquecimento do dólar diante do real e à proximidade da conclusão da colheita da segunda safra brasileira. A entrada do cereal no mercado aumenta a disponibilidade no curto prazo e reduz a disposição dos compradores em elevar suas propostas.
Por outro lado, a recuperação recente dos preços de exportação estimulou algumas negociações. Mesmo assim, produtores continuam seletivos e evitam comprometer grandes volumes, apostando em uma possível valorização futura.
Chicago opera em baixa antes dos relatórios do USDA
Na manhã desta quarta-feira (9), os contratos futuros do milho também recuavam na Bolsa de Chicago. Por volta das 9h32, no horário de Brasília, o vencimento setembro de 2026 era negociado a US$ 5,07 por bushel, com perda de 3,25 pontos.
O contrato dezembro de 2026 caía 3,50 pontos, para US$ 5,30 por bushel. Março de 2027 recuava 3,25 pontos, cotado a US$ 5,45, enquanto maio de 2027 registrava a mesma perda, negociado a US$ 5,53 por bushel.
A pressão negativa prevaleceu mesmo diante da valorização do trigo e da alta do petróleo. O avanço das cotações energéticas acrescenta volatilidade às commodities agrícolas, especialmente ao milho, devido à relação do cereal com a produção de etanol nos Estados Unidos.
Mercado projeta possível corte na safra norte-americana
As atenções estão concentradas nos relatórios de Produção Agrícola e de Oferta e Demanda Mundial, que serão divulgados pelo USDA na sexta-feira, 11 de setembro. O calendário oficial confirma a publicação do relatório WASDE de setembro para as 12h, no horário do leste dos Estados Unidos.
Agentes do mercado avaliam que o departamento poderá reduzir as estimativas de produtividade e produção de milho e soja dos Estados Unidos. As projeções consideram os efeitos do calor extremo e do excesso de chuva registrados em diferentes áreas do Meio-Oeste norte-americano no final do verão.
As expectativas apontam para uma possível redução de aproximadamente 2,5 bushels por acre na produtividade média do milho, atualmente estimada em 180,7 bushels por acre. Os estoques finais também podem ser revisados para cerca de 1,528 bilhão de bushels, queda de 7,6% em relação à projeção anterior.
Caso os cortes sejam confirmados, o relatório poderá oferecer suporte às cotações internacionais, embora o comportamento do mercado também dependa das exportações dos Estados Unidos, do desenvolvimento da safra sul-americana e da demanda mundial.
Plantio do milho avança no Rio Grande do Sul
No mercado brasileiro, a implantação da safra de verão 2026/27 ganhou ritmo no Rio Grande do Sul. O plantio alcançou 38% da área prevista, avanço expressivo em relação aos 25% registrados na semana anterior.
A umidade elevada do solo, entretanto, dificulta a entrada das máquinas em algumas localidades e impede um progresso ainda mais acelerado. As indicações de preços no estado variam entre R$ 59 e R$ 70 por saca, com média estadual de R$ 61,09.
Em Santa Catarina, o plantio chegou a 6,5% da área projetada. As referências de venda permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto compradores oferecem valores ao redor de R$ 55.
O déficit estrutural de milho catarinense continua relevante para o mercado regional. O estado apresenta demanda anual estimada em 8,5 milhões de toneladas, diante de uma produção de aproximadamente 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26. A diferença precisa ser atendida por compras em outras regiões produtoras e por importações.
Colheita se aproxima do fim no Paraná e em Mato Grosso do Sul
No Paraná, a colheita da segunda safra chegou a 89%, enquanto o plantio do milho da primeira safra 2026/27 alcançou 18% da área programada.
Em Mato Grosso do Sul, 96% do milho já havia sido colhido. Os preços variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca, encontrando suporte na demanda das indústrias de bioenergia, segmento que amplia sua participação no consumo doméstico do cereal.
Nas diferentes regiões, os compradores mantêm uma estratégia de reposição pontual, adquirindo apenas os volumes necessários para atender às necessidades imediatas. Os vendedores, por sua vez, restringem a oferta na expectativa de oportunidades melhores ao longo dos próximos meses.
Exportações e bioenergia podem limitar pressão sobre os preços
Embora o avanço da colheita aumente a disponibilidade de milho no curto prazo, as exportações seguem importantes para absorver parte da produção brasileira. A demanda das indústrias de ração, proteína animal e etanol de milho também ajuda a reduzir os estoques disponíveis.
O mercado deve permanecer volátil nos próximos pregões, dividido entre a pressão provocada pelo avanço da oferta brasileira e a possibilidade de cortes nas projeções da safra dos Estados Unidos.
Além dos números do USDA, câmbio, ritmo das exportações, preços do petróleo, evolução do plantio da safra 2026/27 e comportamento dos produtores na comercialização serão decisivos para a formação das cotações do milho na B3 e no mercado físico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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