Café arábica perde força em Nova York, enquanto exportações brasileiras disparam em setembro
Contrato dezembro chegou a reagir no início do pregão, mas voltou ao campo negativo; aumento dos embarques e expectativa de maior oferta limitam os preços no mercado físico
Publicado em: 09/09/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de café enfrenta uma quarta-feira (9) marcada por volatilidade nas bolsas internacionais, avanço expressivo das exportações e maior cautela na comercialização interna. Depois de abrir em alta na Bolsa de Nova York, o café arábica perdeu força ao longo da sessão, reduzindo o estímulo para novos negócios no mercado físico.
O contrato para dezembro de 2026 chegou a avançar 1,35% no início do dia, cotado a 295,25 centavos de dólar por libra-peso. Na atualização mais recente, entretanto, o arábica voltou a operar próximo de 288,6 centavos por libra-peso, acumulando queda de aproximadamente 0,9%.
A reversão mostra que o mercado permanece sensível às expectativas de maior disponibilidade global de café na temporada 2026/27, principalmente com a aproximação do fim da colheita brasileira e o crescimento dos embarques do país.
Mercado físico começa o dia com expectativa de mais negócios
A valorização registrada por Nova York nas primeiras horas do pregão chegou a criar expectativa de maior movimentação no mercado doméstico. Com o dólar próximo da estabilidade, produtores poderiam aproveitar a recuperação externa para negociar novos lotes.
A mudança de direção dos contratos, porém, tende a limitar esse movimento. Quando as cotações internacionais recuam, compradores reduzem as ofertas no mercado físico, enquanto produtores evitam vender a preços inferiores aos observados anteriormente.
O dólar comercial operava ao redor de R$ 5,09, sem variação suficiente para compensar integralmente a pressão exercida pela Bolsa de Nova York.
Nesse ambiente, os negócios podem ocorrer de maneira pontual, principalmente envolvendo cafés de melhor qualidade ou produtores com necessidade imediata de caixa. A maior parte dos vendedores tende a acompanhar o comportamento dos futuros antes de definir novas posições.
Preços do arábica recuam nas principais regiões produtoras
Na terça-feira (8), primeiro pregão após o feriado, o mercado físico brasileiro apresentou baixa liquidez. Os preços do café arábica recuaram, acompanhando as perdas registradas em Nova York, enquanto o conilon permaneceu estável, sustentado pelo comportamento mais firme do robusta na Bolsa de Londres.
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, da safra nova e com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.640 e R$ 1.645 por saca de 60 quilos. Anteriormente, as indicações variavam de R$ 1.660 a R$ 1.665.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também da safra nova e com 15% de catação, ficou entre R$ 1.650 e R$ 1.655 por saca, abaixo da faixa anterior de R$ 1.670 a R$ 1.675.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica tipo 7, bebida rio, safra 2026 e com 20% de catação, permaneceu entre R$ 1.250 e R$ 1.255 por saca.
Como referência mais ampla, o Indicador Cepea/Esalq do café arábica encerrou o dia 8 de setembro em R$ 1.635,57 por saca, com queda de 1,47%.
Conilon mantém preços estáveis no Espírito Santo
O mercado do café conilon apresentou maior estabilidade. Em Vitória, no Espírito Santo, o tipo 7 da safra 2026 foi indicado entre R$ 980 e R$ 985 por saca.
O conilon tipo 7/8 ficou entre R$ 970 e R$ 975 por saca, sem mudanças relevantes em relação às referências anteriores.
A sustentação veio do desempenho mais firme do robusta na Bolsa de Londres e da dinâmica específica da oferta brasileira. Enquanto o arábica sofre maior influência das expectativas de uma safra volumosa em 2026/27, o conilon encontra suporte na demanda industrial e no crescimento dos embarques globais de robusta.
Café arábica fechou terça-feira em queda em Nova York
Na sessão de terça-feira, os contratos futuros do café arábica encerraram no campo negativo na ICE Futures US.
A posição dezembro de 2026 fechou cotada a 291,30 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 4,30 centavos, equivalente a 1,4%. O contrato março de 2027 recuou 1,6%, para 282,65 centavos por libra-peso.
As cotações chegaram aos menores níveis em aproximadamente dois meses. O mercado reagiu às projeções de melhora da oferta mundial na temporada 2026/27, com destaque para a possibilidade de uma grande safra brasileira e para o crescimento das exportações.
Os contratos recuperaram parte das perdas nas últimas horas do pregão, apoiados por ajustes técnicos e pela cobertura de posições vendidas. A reação, contudo, não foi suficiente para levar as cotações de volta ao campo positivo.
Exportações de café crescem 85,4% no início de setembro
O forte ritmo dos embarques brasileiros tornou-se um dos principais fatores de pressão sobre as cotações internacionais.
Nos quatro primeiros dias úteis de setembro de 2026, o Brasil exportou 1,099 milhão de sacas de café em grão, considerando volumes convertidos para sacas de 60 quilos. A média diária alcançou 274,9 mil sacas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume médio diário ficou 85,4% acima do registrado em setembro de 2025.
A receita acumulada chegou a US$ 350,146 milhões, com média de US$ 87,536 milhões por dia. O resultado diário foi 61,7% superior ao apurado no mesmo mês do ano passado.
Apesar do crescimento do volume e do faturamento, o preço médio recuou. A média de US$ 318,36 por saca ficou 12,7% abaixo da observada em setembro de 2025.
Os números indicam que o Brasil está exportando mais café, mas recebendo um valor médio menor por unidade embarcada.
Agosto também teve crescimento dos embarques
O avanço observado em setembro dá continuidade ao desempenho registrado em agosto.
No mês passado, o país exportou 3,443 milhões de sacas de café em grão, crescimento de 44,6% na média diária em relação ao mesmo período de 2025.
A receita alcançou US$ 1,096 bilhão, com aumento de 24,1% na média diária. O preço médio foi de US$ 318,39 por saca, queda de 14,2% na comparação anual.
A combinação entre maior volume exportado e redução do preço médio reforça a percepção de recuperação da oferta brasileira. Esse cenário tende a aumentar a disponibilidade nos países consumidores e limitar movimentos mais consistentes de valorização nas bolsas.
Mercado global registra avanço do robusta
As exportações dos países membros e não membros da Organização Internacional do Café (OIC) totalizaram 12,23 milhões de sacas em julho, aumento de 3,3% diante das 11,84 milhões de sacas embarcadas no mesmo mês de 2025.
Nos dez primeiros meses da temporada mundial 2025/26, entre outubro e julho, os embarques somaram 118,39 milhões de sacas, praticamente estáveis em relação às 118,43 milhões registradas no ciclo anterior.
O desempenho, entretanto, foi diferente entre as variedades.
As exportações de arábica totalizaram 80,96 milhões de sacas nos 12 meses encerrados em julho de 2026, queda de 6,3% em relação ao período precedente. Os embarques de robusta avançaram 9%, para 60,01 milhões de sacas.
Essa diferença ajuda a explicar o comportamento distinto entre os mercados de Nova York e Londres. Enquanto o arábica enfrenta ajustes relacionados às perspectivas para a safra brasileira, o robusta mantém dinâmica própria de oferta, demanda e recomposição dos fluxos internacionais.
Oferta maior limita reação dos preços do café
O mercado de café deve continuar volátil nas próximas sessões. De um lado, o crescimento das exportações brasileiras e a expectativa de uma safra volumosa em 2026/27 pressionam as cotações. De outro, estoques certificados reduzidos, riscos climáticos e a retenção de vendas por parte dos produtores podem limitar as perdas.
No mercado físico brasileiro, a comercialização dependerá principalmente do comportamento de Nova York e do dólar. Uma recuperação dos contratos futuros pode estimular novas vendas, mas quedas mais intensas tendem a aumentar a resistência dos cafeicultores.
Com os preços do arábica abaixo das referências observadas anteriormente, os produtores devem manter atenção à qualidade dos lotes, às condições de pagamento e à necessidade de caixa antes de avançar nas negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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