Açúcar cristal sobe em São Paulo com oferta restrita; preços também avançam em Nova York
Maior direcionamento da cana para a produção de etanol limita a disponibilidade do açúcar no mercado interno, enquanto projeções de déficit global sustentam as cotações internacionais
Publicado em: 09/09/2026 às 11:20hs
O mercado de açúcar retomou as negociações após o feriado de 7 de setembro com preços mais firmes no Brasil e valorização dos contratos futuros negociados em Nova York. Em São Paulo, a oferta restrita de açúcar cristal permanece como o principal fator de sustentação das cotações, mesmo diante do avanço da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que o aumento do processamento de cana não resultou em uma ampliação proporcional da produção de açúcar. Parte relevante da matéria-prima adicional foi direcionada à fabricação de etanol, reduzindo a disponibilidade do adoçante no mercado doméstico.
Oferta limitada sustenta preço do açúcar cristal
O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ, referente ao mercado paulista, encerrou a terça-feira (8) cotado a R$ 117,34 por saca de 50 quilos, com valorização diária de 0,47%.
Com o resultado, o preço do açúcar cristal acumulou alta de 3,16% nos primeiros dias de setembro. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 23,04 por saca.
A disponibilidade mais ajustada tende a continuar influenciando o mercado durante o restante do ciclo. Embora as usinas tenham ampliado a moagem no Centro-Sul, o crescimento da produção de etanol absorveu parte desse volume, limitando a oferta de açúcar para comercialização.
Esse cenário fortalece a posição dos vendedores e dificulta quedas mais expressivas nas cotações do açúcar cristal em São Paulo.
Açúcar bruto avança na Bolsa de Nova York
No mercado internacional, o açúcar bruto encerrou o pregão em alta na ICE Futures U.S. As cotações foram sustentadas pelas perspectivas de menor disponibilidade mundial e pelas projeções de déficit na produção global apontadas pelo mercado.
O contrato com vencimento em outubro de 2026 avançou 0,03 centavo de dólar e fechou a 18,10 centavos de dólar por libra-peso. Março de 2027 subiu 0,04 centavo, para 19,09 centavos por libra-peso.
O vencimento maio de 2027 ganhou 0,07 centavo, encerrando a 18,51 centavos de dólar por libra-peso, enquanto julho de 2027 avançou 0,10 centavo, para 18,16 centavos por libra-peso. Os demais contratos também registraram valorização.
A combinação entre oferta internacional mais apertada, incertezas sobre a produção nos principais países produtores e demanda firme mantém o mercado atento ao balanço global da commodity.
Açúcar branco tem desempenho misto em Londres
Na ICE Futures Europe, em Londres, os contratos do açúcar branco apresentaram comportamento misto. O vencimento outubro de 2026 recuou US$ 7,20 e terminou o pregão cotado a US$ 518,80 por tonelada.
Dezembro de 2026 teve leve alta de US$ 0,10, para US$ 523,80 por tonelada. Março de 2027 avançou US$ 2,10, alcançando US$ 529,80, enquanto maio de 2027 subiu US$ 2,20, para US$ 530,70 por tonelada.
Agosto de 2027 registrou ganho de US$ 1,00, fechando a US$ 524,90 por tonelada. Nos vencimentos mais distantes, as altas variaram entre US$ 0,30 e US$ 0,90.
Etanol também sobe no mercado paulista
O etanol acompanhou o movimento de valorização observado no mercado sucroenergético de São Paulo. O Indicador Diário de Paulínia encerrou a terça-feira cotado a R$ 2.538,50 por metro cúbico, avanço de 0,81% no dia.
Em setembro, o indicador acumula valorização de 2,75%. A alta do biocombustível reforça a competitividade do etanol dentro do mix produtivo das usinas e ajuda a explicar por que o crescimento da moagem ainda não se traduziu em maior oferta de açúcar cristal.
Mercado sucroenergético mantém viés de firmeza
O cenário permanece favorável à sustentação dos preços no curto prazo. No mercado interno, a menor disponibilidade de açúcar cristal e o avanço do etanol fortalecem as cotações. No exterior, as projeções de déficit global oferecem suporte aos contratos negociados em Nova York, apesar da oscilação observada no açúcar branco em Londres.
A evolução da moagem no Centro-Sul, as decisões das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol e as estimativas para a produção mundial deverão continuar no centro das atenções do setor sucroenergético ao longo de setembro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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