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Mercado Financeiro

Dólar sobe a R$ 5,09 e Ibovespa recua com petróleo acima de US$ 100 e tensão política no Brasil

Escalada do conflito no Oriente Médio aumenta a aversão ao risco, pressiona bolsas globais e mantém investidores atentos à crise no STF, à inflação dos Estados Unidos e às próximas decisões dos bancos centrais


Publicado em: 09/09/2026 às 11:10hs

Dólar sobe a R$ 5,09 e Ibovespa recua com petróleo acima de US$ 100 e tensão política no Brasil

O dólar passou a operar em leve alta frente ao real nesta quarta-feira (9), após iniciar o pregão próximo da estabilidade. O mercado financeiro brasileiro acompanha a piora do ambiente externo, provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, além dos desdobramentos da crise política envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Por volta das 10h20, o dólar comercial avançava 0,26%, negociado a R$ 5,0977. Na abertura, às 9h12, a moeda norte-americana chegou a recuar 0,03%, cotada a R$ 5,0879. O contrato de dólar futuro para outubro, o mais líquido na B3, cedia 0,06% no início dos negócios, aos R$ 5,1100.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 0,54%, aos 186.361 pontos, no mesmo horário. O movimento reflete a cautela dos investidores diante do avanço do petróleo e da possibilidade de manutenção dos juros internacionais em níveis elevados por mais tempo.

Dólar muda de direção com aumento da aversão ao risco

A moeda norte-americana começou o dia acompanhando a desvalorização do dólar diante de outras divisas no exterior. Ao longo da manhã, entretanto, ganhou força no Brasil à medida que investidores buscaram ativos considerados mais seguros.

O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, pela primeira vez desde julho, depois de subir cerca de 3% e alcançar a máxima de US$ 100,95. O movimento ocorreu após novos episódios envolvendo Estados Unidos e Irã ampliarem o temor de interrupções no fornecimento de energia pelo Oriente Médio.

A valorização do petróleo tende a elevar os custos de transporte, produção e logística, alimentando preocupações com a inflação mundial. Esse cenário reduz as expectativas de flexibilização monetária e aumenta a procura por dólares, especialmente em mercados emergentes.

Apesar da pressão externa, o real ainda encontra algum suporte no diferencial de juros brasileiro, no fluxo de recursos estrangeiros e na posição do país como grande exportador de commodities.

Banco Central atua no mercado de câmbio

O Banco Central acompanha as oscilações da moeda e programou para esta quarta-feira seu leilão regular de rolagem, com oferta de 50 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de outubro.

Essas operações permitem renovar contratos que estão próximos do vencimento e ajudam a fornecer proteção ao mercado contra oscilações excessivas da taxa de câmbio. A atuação não representa, necessariamente, uma tentativa de estabelecer um preço específico para o dólar.

Na sessão anterior, a moeda norte-americana encerrou cotada próxima de R$ 5,09, acumulando desvalorização no mês e no ano. A trajetória recente mostra que o câmbio continua sensível tanto ao cenário político brasileiro quanto às mudanças nas expectativas para os juros dos Estados Unidos.

Ibovespa cai após superar 188 mil pontos

A Bolsa brasileira abriu em baixa depois de avançar 1,20% no pregão anterior, quando o Ibovespa terminou aos 188.197 pontos. Na parcial de setembro, o índice ainda conserva valorização expressiva, apesar da realização de lucros observada nesta quarta-feira.

O avanço do petróleo oferece sustentação às ações de empresas ligadas ao setor de energia, especialmente à Petrobras. A valorização das commodities também pode favorecer companhias exportadoras, mas não é suficiente para compensar integralmente o ambiente de aversão ao risco.

Na abertura desta quarta-feira, o Ibovespa recuava aproximadamente 0,48%, aos 186.623 pontos, em meio à queda das bolsas internacionais.

O mercado doméstico também monitora o cenário eleitoral, as expectativas para as contas públicas e os desdobramentos da crise institucional no STF. Notícias capazes de alterar a percepção sobre estabilidade política, responsabilidade fiscal ou governabilidade podem gerar novas oscilações no dólar, nos juros futuros e nas ações.

Bolsas globais recuam com petróleo acima de US$ 100

O aumento das tensões geopolíticas provocou perdas nos principais mercados acionários internacionais. Na Europa, o índice Stoxx 600 chegou a cair 1,5%, com pressão especialmente sobre bancos e empresas industriais.

Nos Estados Unidos, Wall Street abriu no campo negativo. O Dow Jones recuava 0,15%, o S&P 500 perdia 0,17% e o Nasdaq caía 0,36%, refletindo os temores de que a alta da energia dificulte o controle da inflação.

Além do petróleo, investidores aguardam novos indicadores de preços ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos. Os resultados serão importantes para as expectativas em torno da próxima decisão do Federal Reserve.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos operavam perto de 4,81%, patamar elevado que aumenta a atratividade da renda fixa dos Estados Unidos e pode retirar recursos de bolsas e mercados emergentes.

Ouro avança em busca por proteção

A cautela internacional também impulsionou o ouro, tradicional ativo de proteção em períodos de instabilidade. O metal avançava cerca de 1,1%, negociado próximo de US$ 4.403 por onça-troy.

O movimento reforça o quadro de aversão ao risco, marcado pela alta do petróleo, queda das bolsas e fortalecimento de moedas consideradas defensivas, como o iene japonês.

O que pode movimentar dólar e Bolsa nesta quarta-feira

Ao longo do pregão, o mercado financeiro deve permanecer atento a cinco fatores principais:

  • evolução do conflito no Oriente Médio e comportamento do petróleo;
  • novos acontecimentos políticos e institucionais no Brasil;
  • atuação do Banco Central no mercado de câmbio;
  • divulgação de indicadores de inflação nos Estados Unidos;
  • expectativas para as próximas decisões do Federal Reserve e de outros bancos centrais.

Com tantos vetores de incerteza, o dólar pode continuar oscilando perto de R$ 5,10, enquanto o Ibovespa tende a apresentar maior volatilidade. Para o agronegócio, a combinação entre câmbio, petróleo e juros merece atenção especial, pois influencia os preços de fertilizantes, defensivos, combustíveis, fretes e commodities exportadas pelo Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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