Soja sobe em Chicago e consolida patamar de US$ 12, mas especialistas alertam: clima sozinho não garante nova disparada nos preços
Mercado acompanha tensões no Mar Negro, demanda aquecida pela soja dos EUA e dados do USDA, enquanto estudo mostra que apenas o El Niño não costuma sustentar fortes altas nas cotações
Publicado em: 16/07/2026 às 11:20hs
A soja voltou a registrar valorização na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (16), consolidando as cotações acima do importante patamar de US$ 12 por bushel. O avanço ocorre em meio ao fortalecimento dos mercados de grãos, impulsionado pelas tensões geopolíticas envolvendo a região do Mar Negro, pela demanda aquecida e pela expectativa dos investidores em relação aos novos dados de exportação que serão divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Apesar do cenário positivo no curto prazo, especialistas destacam que fatores climáticos, isoladamente, dificilmente serão suficientes para sustentar uma nova escalada consistente dos preços internacionais da soja.
Soja avança em Chicago acompanhando alta dos grãos
Nas primeiras horas do pregão, os contratos mais negociados da soja registravam ganhos próximos de 3,5 pontos, levando os vencimentos de agosto e novembro para US$ 12,05 por bushel, enquanto o contrato de janeiro de 2027 avançava para US$ 12,19 por bushel.
O movimento acompanha a valorização observada também no milho, trigo, farelo e óleo de soja.
O principal combustível para a alta continua sendo a preocupação com o conflito entre Rússia e Ucrânia. Novos ataques à infraestrutura portuária na região do Mar Negro elevaram os riscos para o escoamento mundial de grãos, especialmente milho e trigo, provocando forte reação dos investidores nas bolsas internacionais.
O trigo, por exemplo, acumulou expressiva valorização na sessão anterior, reforçando o ambiente positivo para todo o complexo de grãos.
Demanda forte reforça sustentação do mercado
Além das questões geopolíticas, os fundamentos da demanda seguem oferecendo suporte às cotações.
Os números divulgados pela NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos) mostraram que o esmagamento de soja no país ficou acima das expectativas do mercado e registrou crescimento de aproximadamente 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro fator observado pelos operadores é o retorno mais ativo da China às compras de soja norte-americana, movimento que fortalece as perspectivas para as exportações dos Estados Unidos.
Agora, as atenções se voltam para a divulgação das vendas semanais de exportação pelo USDA, indicador considerado estratégico para medir o ritmo da demanda internacional.
Clima segue no radar, mas cenário é menos preocupante
As condições climáticas continuam sendo monitoradas pelos mercados, porém os mapas meteorológicos mais recentes indicam um cenário menos adverso para as principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
Ainda existem áreas sob alerta climático, mas as previsões apontam melhora nas condições para os próximos dias. Em contrapartida, parte das regiões agrícolas da Europa e da Ásia continua enfrentando adversidades climáticas que podem afetar a produção.
Estudo mostra que El Niño, sozinho, não costuma impulsionar grandes altas da soja
Embora o clima permaneça entre os principais fatores acompanhados pelo mercado, uma análise desenvolvida pela Veeries indica que o comportamento histórico da soja sugere cautela quanto à expectativa de fortes altas baseadas apenas na formação de um novo El Niño.
Segundo Marcos Rubin, CEO e fundador da empresa, o cruzamento de 26 anos de dados, comparando as cotações da soja em Chicago com os regimes climáticos de El Niño e La Niña desde 2000, revela um padrão consistente.
O levantamento mostra que os maiores movimentos de valorização da soja ocorreram predominantemente durante episódios de La Niña, enquanto os anos marcados por El Niño apresentaram, na maioria das vezes, oscilações mais moderadas.
La Niña historicamente aumenta o risco de perdas simultâneas
De acordo com o estudo, a diferença está diretamente relacionada à distribuição geográfica dos riscos climáticos.
Durante o El Niño, embora haja maior preocupação com parte do Brasil Central, normalmente as condições climáticas tornam-se mais favoráveis para importantes regiões produtoras, como:
- Rio Grande do Sul;
- Argentina;
- Estados Unidos.
Já durante episódios de La Niña, esse equilíbrio tende a se inverter, aumentando a probabilidade de perdas simultâneas em várias dessas regiões produtoras, fator que historicamente gera maior impacto sobre a oferta global e impulsiona reações mais fortes nos preços internacionais.
Mercado depende de novos gatilhos para sustentar altas
A conclusão da análise reforça que o comportamento futuro da soja dependerá de um conjunto de fatores, e não apenas das condições climáticas.
Além do clima, os investidores continuarão monitorando:
- evolução da demanda mundial;
- compras chinesas;
- ritmo das exportações norte-americanas;
- desenvolvimento da safra dos Estados Unidos;
- conflitos geopolíticos;
- logística internacional;
- estoques globais;
- decisões dos grandes importadores.
Nesse cenário, embora a soja mantenha viés positivo e permaneça negociada acima de US$ 12 por bushel, analistas avaliam que uma valorização mais intensa exigirá novos fundamentos capazes de alterar de forma significativa o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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