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Soja

Soja dispara em Chicago, rompe novos patamares e cria oportunidades de venda; clima nos EUA e novo risco no campo entram no radar

Mercado internacional é impulsionado pela alta do petróleo, valorização do óleo de soja e preocupações climáticas nos Estados Unidos, enquanto preços acima de R$ 150 por saca fortalecem negócios no Brasil, apesar dos desafios com frete, armazenagem e qualidade das sementes


Publicado em: 23/07/2026 às 11:10hs

Soja dispara em Chicago, rompe novos patamares e cria oportunidades de venda; clima nos EUA e novo risco no campo entram no radar

O mercado da soja vive uma semana de forte valorização nos mercados internacional e brasileiro. As cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) seguem renovando máximas dos últimos meses, sustentadas pela combinação entre a alta do petróleo, o avanço do óleo de soja, compras técnicas dos fundos de investimento e preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

No Brasil, os reflexos são imediatos. Os preços avançam nos portos e no interior, ampliando as oportunidades de comercialização da safra disponível e da temporada 2025/26. No entanto, o cenário positivo para as cotações vem acompanhado de novos desafios no campo, como o aumento dos custos logísticos, a disputa por armazenagem e a preocupação com a qualidade das sementes em áreas afetadas por percevejos.

Chicago amplia ganhos com petróleo, óleo de soja e clima nos EUA

Após encerrar a quarta-feira em alta, o mercado voltou a operar no campo positivo nesta quinta-feira (23), mantendo a tendência de valorização observada nas últimas semanas.

Os contratos futuros registravam ganhos entre 4 e 5 pontos nas primeiras negociações do dia. O vencimento agosto era negociado a US$ 12,38 por bushel, enquanto o contrato janeiro alcançava US$ 12,56 por bushel, níveis próximos dos maiores registrados desde meados de 2024.

Na sessão anterior, o contrato agosto havia encerrado cotado a US$ 12,33 por bushel, com valorização de 1,11%, enquanto setembro avançou 1,28%, fechando a US$ 12,26 por bushel.

O complexo soja também apresentou desempenho positivo:

  • Farelo de soja para agosto: alta de 1,50%, para US$ 331,60 por tonelada curta;
  • Óleo de soja: avanço de 1,59%, encerrando a 75,48 centavos de dólar por libra-peso.
Petróleo fortalece demanda por biocombustíveis

Um dos principais fatores de sustentação do mercado continua sendo o petróleo.

Com a commodity avançando mais de 4% nesta quinta-feira, cresce novamente o interesse pelas matérias-primas utilizadas na produção de diesel renovável, especialmente o óleo de soja.

Esse movimento fortalece toda a cadeia da oleaginosa, elevando a demanda e oferecendo suporte adicional às cotações internacionais.

Além disso, investidores seguem atentos ao cenário geopolítico global, que continua influenciando diretamente os mercados de energia.

Clima nos Estados Unidos mantém mercado em alerta

Outro fator decisivo para a valorização da soja é o comportamento do clima no Meio-Oeste americano.

Os modelos meteorológicos seguem indicando temperaturas acima da média e precipitações abaixo do normal justamente durante uma fase crítica do desenvolvimento das lavouras.

Embora ainda existam previsões de chuvas pontuais, o mercado acompanha diariamente as atualizações dos mapas climáticos em busca de sinais que possam reduzir o potencial produtivo da safra norte-americana.

Qualquer deterioração nas condições das lavouras tende a gerar novas altas em Chicago.

Exportações e China permanecem no radar

Além do clima, operadores acompanham atentamente o comportamento da demanda internacional.

As exportações norte-americanas seguem sendo monitoradas, especialmente diante da expectativa pelos números semanais de vendas externas divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O mercado também observa possíveis movimentações da China nas compras internacionais, fator que pode aumentar ainda mais o suporte aos contratos da nova safra americana.

Fundos ampliam posições compradas

Do ponto de vista técnico, a valorização ganhou força após o rompimento de importantes níveis de resistência.

Com isso, fundos de investimento voltaram a ampliar suas posições compradas na CBOT, movimento que ajuda a acelerar o ritmo das altas e amplia a liquidez do mercado.

Brasil acompanha movimento e preços superam R$ 150 por saca

A valorização internacional, somada aos prêmios firmes nos portos brasileiros, impulsionou os preços internos.

Segundo especialistas do mercado, esta tem sido uma das melhores semanas para a comercialização desde o encerramento da colheita.

Nos portos, diversas negociações já superam R$ 150 por saca.

Levantamentos de consultorias de mercado apontam inclusive operações futuras chegando a R$ 160 por saca, para entrega em novembro e pagamento em maio de 2027 no porto de Rio Grande.

A recomendação predominante entre analistas é aproveitar o momento para realizar vendas gradativas, reduzindo riscos diante da elevada volatilidade do mercado internacional.

Portos lideram valorização nas principais regiões produtoras

Os preços avançaram em praticamente todas as regiões produtoras brasileiras.

No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande alcançou R$ 147 por saca, com alta superior a 2%.

Em Santa Catarina, o porto de São Francisco do Sul também registrou negócios próximos de R$ 147 por saca.

No Paraná, Paranaguá chegou a R$ 146,50 por saca, acumulando valorização superior a 7% ao longo de julho.

Em Mato Grosso do Sul, diversas praças registraram altas de até R$ 2 por saca, enquanto em Mato Grosso algumas regiões apresentaram ganhos superiores a 3%, com destaque para Rondonópolis.

Anec reduz projeção de exportações

Apesar do cenário positivo para os preços, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou para baixo sua estimativa de embarques brasileiros em julho.

A nova projeção aponta exportações de aproximadamente 13,5 milhões de toneladas, redução de cerca de 1,9% em relação à estimativa anterior.

Novo risco preocupa produtores brasileiros

Enquanto os preços seguem estimulando os negócios, produtores enfrentam desafios importantes para a próxima safra.

O aumento do preço do diesel continua elevando os custos do frete, reduzindo parte da rentabilidade obtida com a valorização da soja.

Ao mesmo tempo, a entrada do milho safrinha intensifica a disputa por espaço nos armazéns, aumentando a pressão sobre a logística nacional.

Outro fator que desperta preocupação está em Mato Grosso, onde a maior incidência de percevejos nas lavouras elevou o risco de comprometimento da qualidade das sementes destinadas ao próximo ciclo produtivo.

Perspectivas seguem positivas, mas exigem estratégia

O mercado permanece sustentado por fundamentos sólidos, combinando clima adverso nos Estados Unidos, fortalecimento do complexo soja, valorização do petróleo e prêmios elevados nos portos brasileiros.

Entretanto, especialistas alertam que a volatilidade deve continuar elevada nas próximas semanas. A evolução das condições climáticas nos Estados Unidos, o comportamento da demanda chinesa, os relatórios do USDA e os desafios logísticos internos continuarão sendo os principais direcionadores das cotações.

Diante desse cenário, produtores brasileiros encontram um dos momentos mais favoráveis para a comercialização da safra, mas a recomendação é adotar uma estratégia de vendas escalonadas, aproveitando os atuais níveis de preços sem perder flexibilidade diante das oscilações do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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