Soja dispara em Chicago e chega a R$ 155 nos portos com temor sobre safra dos EUA e forte demanda pelo Brasil
Contratos avançam mais de 3% na semana, enquanto menor potencial produtivo norte-americano, compras chinesas e exportações brasileiras aquecidas sustentam preços e prêmios
Publicado em: 21/08/2026 às 17:00hs
Os preços da soja registraram forte valorização ao longo da semana no mercado brasileiro, acompanhando o avanço dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). A alta alcançou tanto as principais regiões produtoras quanto os portos, permitindo uma melhora pontual na comercialização da oleaginosa.
O movimento foi sustentado principalmente pelas preocupações com o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos. As primeiras avaliações de campo reforçaram a possibilidade de rendimentos abaixo das expectativas iniciais, aumentando a atenção do mercado sobre a oferta norte-americana.
Além do cenário produtivo nos Estados Unidos, as compras chinesas, a valorização do petróleo, as tensões geopolíticas e os possíveis efeitos do El Niño contribuíram para fortalecer as cotações internacionais e manter a procura pela soja brasileira.
Preço da soja sobe até R$ 8 por saca no Brasil
A valorização foi expressiva nas principais praças brasileiras. Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a saca de 60 quilos passou de R$ 140 para R$ 147, acumulando avanço de R$ 7 no período.
Em Cascavel, no Paraná, a cotação saltou de R$ 136 para R$ 144 por saca, com ganho de R$ 8. Em Rondonópolis, Mato Grosso, o preço avançou de R$ 133 para R$ 138.
No Porto de Paranaguá, uma das principais referências para as exportações brasileiras, a saca subiu de R$ 147 para R$ 155. A alta de R$ 8 refletiu a valorização internacional e a permanência de prêmios firmes nos terminais de embarque.
Com a recuperação dos preços, parte dos produtores voltou ao mercado para aproveitar as oportunidades. Apesar disso, a comercialização permaneceu seletiva, com negócios concentrados nos momentos de maior valorização.
Soja avança mais de 3% na Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Chicago, o contrato da soja com vencimento em novembro, o mais negociado, acumulou alta de 3,05% na semana, encerrando cotado a US$ 12,32 por bushel.
Os agentes acompanharam os resultados do levantamento de campo realizado pelo Pro Farmer nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. As avaliações iniciais apontaram um potencial produtivo abaixo das projeções feitas no começo da temporada.
O cenário reforçou os sinais apresentados no relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que já havia indicado uma perspectiva menos favorável para a produtividade norte-americana.
Qualquer redução na safra dos Estados Unidos tende a aumentar a disputa pela oferta disponível no mercado internacional, especialmente diante da demanda aquecida da China e dos baixos estoques projetados em importantes países exportadores.
Compras chinesas de soja dos Estados Unidos crescem 164%
As importações chinesas de soja norte-americana alcançaram 1,11 milhão de toneladas em julho, crescimento de 164% em relação às 420,8 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025, segundo dados da Administração Geral da Alfândega da China.
O avanço mensal refletiu a chegada de cargas negociadas após o acordo firmado para encerrar as disputas comerciais do ano passado. Apesar da forte alta em julho, as compras acumuladas de soja dos Estados Unidos ainda apresentam retração.
Entre janeiro e julho, a China importou 10,29 milhões de toneladas da oleaginosa norte-americana, volume 38% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os números mostram que, embora o produto dos Estados Unidos tenha recuperado espaço no mercado chinês, a soja brasileira continua exercendo papel central no abastecimento do maior importador mundial da commodity.
Brasil mantém liderança nas vendas de soja para a China
As importações chinesas de soja brasileira totalizaram 9,78 milhões de toneladas em julho, recuo de 5,9% na comparação anual.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, entretanto, os embarques brasileiros para a China chegaram a 44,53 milhões de toneladas, crescimento de 5,37% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
O volume adquirido do Brasil no acumulado do ano foi mais de quatro vezes superior às importações chinesas originadas dos Estados Unidos. Essa diferença reforça a competitividade da oleaginosa brasileira, mesmo com o avanço da nova safra norte-americana e a retomada das compras chinesas naquele mercado.
Demanda pela soja brasileira supera 2025 em 5 milhões de toneladas
O mercado brasileiro segue apoiado pelo ritmo acelerado das exportações. Segundo análise da Safras & Mercado, a demanda atual pela soja nacional está aproximadamente 5 milhões de toneladas acima do volume observado no mesmo período de 2025.
Mesmo com a China ampliando as aquisições nos Estados Unidos, os portos brasileiros continuam registrando procura firme. Outros compradores internacionais também mantêm as compras, contribuindo para sustentar os preços e os prêmios de exportação.
As incertezas geopolíticas e os possíveis impactos do El Niño sobre importantes regiões produtoras levam os importadores a antecipar aquisições, recompor estoques e reduzir a exposição a eventuais problemas de abastecimento.
Exportações brasileiras podem atingir 112,5 milhões de toneladas
Diante da demanda internacional aquecida, a Safras & Mercado elevou sua projeção para as exportações brasileiras de soja em 2026 para 112,5 milhões de toneladas.
A estimativa de processamento doméstico também foi revisada para 63 milhões de toneladas. O aumento combinado dos embarques e do esmagamento interno reduz a disponibilidade da oleaginosa no país.
Com isso, a projeção para os estoques finais de 2026 caiu para apenas 4,883 milhões de toneladas. O volume representa uma margem reduzida diante do tamanho do consumo e das exportações brasileiras.
As estimativas anteriores consideravam que a China retomaria de forma mais consistente as compras de soja norte-americana, diminuindo sua dependência do produto brasileiro. Esse movimento, entretanto, não ocorreu na intensidade esperada, mantendo o Brasil como fornecedor estratégico para o mercado internacional.
Estoques menores mantêm prêmios firmes nos portos
A continuidade das exportações em ritmo elevado deverá deixar os estoques brasileiros mais apertados até o encerramento de 2026. Esse cenário oferece sustentação aos prêmios nos portos e pode limitar quedas mais intensas nos preços domésticos.
O comportamento das cotações, porém, continuará condicionado à Bolsa de Chicago, ao câmbio, ao desempenho da safra dos Estados Unidos e às decisões de compra da China.
A evolução do El Niño também será monitorada, principalmente pelos possíveis impactos sobre o regime de chuvas na América do Sul durante a implantação e o desenvolvimento da safra 2026/27.
Produção brasileira pode alcançar 180 milhões de toneladas em 2026/27
Para a safra brasileira de soja 2026/27, a Safras & Mercado mantém a produção projetada em 180,089 milhões de toneladas.
Considerando estoques iniciais de 4,883 milhões de toneladas e importações estimadas em 900 mil toneladas, a oferta total brasileira deverá alcançar 185,872 milhões de toneladas.
As exportações de soja em 2027 estão projetadas em 110 milhões de toneladas, enquanto o processamento interno poderá atingir 63,5 milhões. A demanda total é estimada em 177,1 milhões de toneladas.
Nesse cenário, os estoques finais da temporada 2026/27 poderão subir para 8,772 milhões de toneladas. A recomposição dependerá, contudo, da confirmação da produção recorde e do comportamento das exportações ao longo do próximo ano.
Petróleo e geopolítica reforçam valorização das commodities
A alta do petróleo também colaborou para o avanço da soja em Chicago. O barril caminhava para encerrar a semana com valorização próxima de 5%, impulsionado pela renovação das tensões no Oriente Médio.
O avanço da commodity energética tende a favorecer os preços dos óleos vegetais e dos biocombustíveis, ampliando o suporte ao óleo de soja e, indiretamente, aos grãos.
Com oferta brasileira mais ajustada, incertezas sobre a produtividade dos Estados Unidos e demanda internacional firme, o mercado da soja deverá permanecer volátil. No curto prazo, o potencial de novas altas dependerá dos próximos dados da safra norte-americana, das compras chinesas e das condições climáticas para o início do plantio no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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