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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo mantém preços firmes no Brasil com alta na Argentina, safra menor e colheita atrasada

Valorização de 7,8% do trigo argentino encarece a paridade de importação e sustenta as cotações brasileiras, mas demanda fraca por farinha limita os negócios nos moinhos


Publicado em: 21/08/2026 às 16:00hs

Trigo mantém preços firmes no Brasil com alta na Argentina, safra menor e colheita atrasada
Foto: Brandt

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços firmes, porém com baixa liquidez. A valorização do cereal na Argentina, principal fornecedora do Brasil, elevou o custo de reposição externa e reforçou a sustentação das cotações domésticas.

Apesar do suporte vindo do mercado internacional, as negociações continuam lentas. A demanda enfraquecida por farinha mantém os moinhos cautelosos, enquanto os produtores resistem em vender nos valores oferecidos pelos compradores.

A entrada gradual da safra brasileira de trigo 2026 também passou a influenciar as expectativas do setor. Entretanto, o volume colhido ainda é pequeno e insuficiente para exercer pressão significativa sobre os preços.

Trigo argentino sobe 7,8% e encarece importações

A principal mudança da semana ocorreu na Argentina. A referência do trigo com características adequadas à moagem avançou de US$ 230 para US$ 248 por tonelada, valorização de 7,8% no período.

O aumento ganhou relevância para o mercado brasileiro porque o preço argentino é uma das principais referências utilizadas no cálculo da paridade de importação. Com a reposição externa mais cara, diminui a capacidade das importações de limitar as cotações no Brasil.

Segundo Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, o movimento de alta na Argentina reforça o viés positivo da paridade de importação, especialmente em um cenário de menor disponibilidade nacional.

O mercado argentino também apresenta oferta mais restrita de trigo com teor adequado de proteína. Há escassez de lotes com 11% de proteína, levando compradores a admitirem tolerância para produtos com 10,5%.

Essa limitação qualitativa pode elevar ainda mais o custo do cereal destinado à moagem, principalmente para compradores brasileiros que necessitam de trigo com padrões específicos para a produção de farinha.

Demanda fraca por farinha limita negócios

Mesmo com a valorização do trigo argentino e a expectativa de uma safra nacional menor, a comercialização no Brasil permanece travada.

A demanda enfraquecida por farinha reduz a necessidade de novas aquisições por parte dos moinhos. Muitas unidades industriais já estão abastecidas para as próximas semanas e adotam postura seletiva antes de ampliar a cobertura.

Dessa forma, o mercado apresenta uma disputa entre compradores e vendedores. Os produtores buscam preços mais elevados diante do custo de reposição externa, enquanto os moinhos evitam aumentar suas ofertas em razão das dificuldades para repassar os custos ao mercado de farinha.

Trigo no Paraná chega a R$ 1.500 por tonelada

No Paraná, as referências ficaram próximas de R$ 1.450 por tonelada FOB no interior. Nos Campos Gerais, o trigo remanescente da safra anterior alcançou R$ 1.500 por tonelada CIF.

Para a nova safra, as indicações variam conforme o prazo de entrega. Os negócios para setembro são sinalizados ao redor de R$ 1.450 por tonelada CIF, enquanto as ofertas para novembro recuam para aproximadamente R$ 1.400 por tonelada.

Os primeiros lotes da safra 2026 começaram a ser colhidos no norte paranaense. O volume disponível, entretanto, ainda é limitado e não provoca pressão relevante sobre as cotações.

Nas próximas semanas, o mercado deverá acompanhar principalmente a qualidade do cereal recém-colhido. Características como peso hectolítrico, teor de proteína, força do glúten e ocorrência de grãos avariados serão determinantes para a formação dos preços.

Na avaliação de Elcio Bento, o mercado mantém viés de sustentação no curto prazo, diante da expectativa de menor produção brasileira e do encarecimento da reposição via importações.

Negociações seguem travadas no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB no interior.

Os compradores apresentam ofertas próximas de R$ 1.320 por tonelada, enquanto os vendedores buscam aproximadamente R$ 1.350. A diferença entre as pontas impede um avanço mais expressivo dos negócios.

Além da divergência de preços, parte dos moinhos gaúchos está abastecida até o fim de setembro. A cobertura reduz a urgência por novas aquisições e contribui para a lentidão do mercado físico.

O desempenho fraco das vendas de farinha também permanece como fator limitante. Sem espaço para repassar integralmente os custos, a indústria tende a manter uma estratégia conservadora na compra de matéria-prima.

Excesso de umidade ameaça trigo gaúcho

O clima representa outro ponto de atenção para a safra de trigo no Rio Grande do Sul. O excesso de umidade, combinado à baixa luminosidade, pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras e elevar a incidência de doenças.

As condições também dificultam a entrada de máquinas nas áreas e a realização dos tratos culturais no momento adequado. Atrasos na aplicação de fungicidas e em outros manejos podem comprometer a produtividade e a qualidade do cereal.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, a elevada umidade exige acompanhamento constante das lavouras. O risco sanitário aumenta quando períodos chuvosos prolongados limitam as operações de campo e favorecem a proliferação de patógenos.

A evolução climática nas próximas semanas será decisiva, principalmente nas áreas que avançam para fases mais sensíveis do desenvolvimento das plantas.

Colheita do trigo alcança 4,7% no Brasil

A colheita da safra brasileira de trigo 2026 atingiu 4,7% da área cultivada até 14 de agosto, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Na semana anterior, os trabalhos alcançavam 3,3%. Apesar do avanço semanal de 1,4 ponto percentual, a retirada do cereal das lavouras permanece atrasada em relação aos principais parâmetros históricos.

Em igual período de 2025, a colheita chegava a 6,3% da área. A média dos últimos cinco anos para esta época é de 6,1%.

O acompanhamento considera Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Juntos, os oito estados representam 99,9% da produção brasileira de trigo.

Qualidade da nova safra definirá preços do trigo

A chegada gradual da safra 2026 tende a ampliar a oferta disponível no mercado brasileiro durante as próximas semanas. Isso não significa, entretanto, que os preços necessariamente entrarão em trajetória de queda.

O impacto dependerá do volume efetivamente colhido e, sobretudo, da qualidade do cereal. Caso uma parcela relevante da produção apresente problemas provocados pelo excesso de umidade ou baixo teor de proteína, os lotes adequados à moagem poderão continuar valorizados.

A menor perspectiva para a produção nacional e o encarecimento do trigo argentino também limitam o potencial de queda. Nesse cenário, a demanda fraca por farinha aparece como o principal fator de contenção das cotações.

O mercado brasileiro entra, portanto, em um período de definição. De um lado, a nova colheita tende a elevar a disponibilidade interna. De outro, os riscos climáticos, a menor oferta nacional e a alta da paridade de importação sustentam os preços, enquanto compradores e vendedores aguardam sinais mais claros sobre volume, qualidade e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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