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Algodão

Algodão mantém preços firmes no Brasil, mas cautela limita negócios no mercado físico

Colheita da safra 2025/26 avança para 59,6% da área, enquanto custos de produção sobem em Mato Grosso e vendas dos Estados Unidos reforçam atenção sobre a demanda global


Publicado em: 21/08/2026 às 16:30hs

Algodão mantém preços firmes no Brasil, mas cautela limita negócios no mercado físico
Foto: CNA

O mercado físico brasileiro de algodão encerrou a semana com preços firmes e pequenas variações nas principais regiões produtoras. Apesar da sustentação das cotações, a comercialização permaneceu cautelosa, concentrada em operações pontuais para entrega imediata e em alguns contratos destinados a períodos mais longos.

De acordo com a Safras Consultoria, os compradores seguem seletivos nas aquisições, enquanto os produtores demonstram maior disposição para negociar e alguma flexibilidade nas pedidas. Esse comportamento contribui para preservar a competitividade do prêmio da pluma brasileira em relação aos contratos negociados na Bolsa de Nova York.

O mercado também acompanha o avanço da colheita da safra 2025/26, a elevação dos custos de produção em Mato Grosso e o desempenho das exportações norte-americanas.

Preço do algodão apresenta leve alta em São Paulo e Mato Grosso

Em São Paulo, o algodão foi indicado ao redor de R$ 4,23 por libra-peso, valorização de 0,24% em comparação com a quinta-feira anterior, dia 13.

Em Rondonópolis, Mato Grosso, a pluma alcançou R$ 134,15 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 4,06 por libra-peso. Uma semana antes, o produto era negociado a R$ 133,85 por arroba, ou R$ 4,05 por libra-peso.

As pequenas altas confirmam a firmeza do mercado físico, mas não representam uma retomada consistente da liquidez. A demanda permanece cautelosa, evitando aquisições volumosas diante das incertezas sobre o consumo e o comportamento das cotações internacionais.

Flexibilidade dos produtores mantém algodão brasileiro competitivo

A maior disposição dos cotonicultores para negociar tem favorecido a realização de negócios específicos. A flexibilidade nas condições comerciais ajuda a manter o algodão brasileiro competitivo no mercado internacional, especialmente na comparação com os contratos futuros negociados em Nova York.

Esse equilíbrio entre vendedores mais acessíveis e compradores seletivos sustenta os preços, mas limita movimentos mais expressivos de valorização. No curto prazo, a tendência é de continuidade das operações pontuais, principalmente para atendimento de necessidades imediatas da indústria.

Custo de produção do algodão sobe em Mato Grosso

O custo de produção do algodão em Mato Grosso atingiu R$ 18.778,27 por hectare em julho, conforme relatório mensal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em junho, o desembolso estava estimado em R$ 18.512,95 por hectare.

A variação representa um aumento de R$ 265,32 por hectare, equivalente a aproximadamente 1,43% em apenas um mês. Os cálculos correspondem à temporada 2026/27.

A elevação dos custos aumenta a preocupação dos produtores com as margens da atividade, especialmente em um cenário no qual as cotações apresentam pouca variação e os compradores mantêm postura conservadora.

Colheita do algodão alcança 59,6% da área nacional

A colheita da safra brasileira de algodão 2025/26 atingiu 59,6% da área cultivada nos sete principais estados produtores até 14 de agosto, segundo levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Juntos, esses estados respondem por aproximadamente 98% da produção nacional.

Na semana anterior, os trabalhos alcançavam 43,7% da área, o que representa um avanço de 15,9 pontos percentuais em sete dias. O ritmo também está acima dos 48,9% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar da aceleração, a colheita continua abaixo da média de 64,5% observada nos últimos cinco anos. O avanço dos trabalhos amplia gradualmente a disponibilidade de pluma e pode influenciar as estratégias comerciais dos produtores nas próximas semanas.

Vendas de algodão dos Estados Unidos somam 209,4 mil fardos

No mercado internacional, as vendas líquidas de algodão upland dos Estados Unidos totalizaram 209,4 mil fardos na semana encerrada em 13 de agosto. Os dados correspondem à temporada 2026/27, iniciada em 1º de agosto, conforme informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O Vietnã liderou as compras, com 55,4 mil fardos, o equivalente a cerca de 26,5% do volume comercializado no período.

Para a temporada 2027/28, as vendas antecipadas norte-americanas alcançaram mais 64,9 mil fardos. O desempenho dos Estados Unidos permanece no radar dos agentes brasileiros por influenciar a concorrência internacional, as referências negociadas em Nova York e os prêmios da pluma exportada pelo Brasil.

Mercado do algodão monitora oferta, custos e demanda internacional

Nas próximas semanas, o comportamento dos preços deverá ser influenciado pelo avanço da colheita brasileira, pela disponibilidade de pluma, pelo ritmo das exportações e pelas oscilações dos contratos futuros em Nova York.

A elevação dos custos em Mato Grosso tende a limitar a disposição dos produtores para aceitar preços mais baixos. Por outro lado, a cautela da demanda e a entrada da nova safra no mercado podem conter movimentos mais fortes de valorização.

Nesse ambiente, o mercado físico do algodão deve continuar marcado por negociações seletivas, preços relativamente firmes e atenção redobrada à competitividade da pluma brasileira no comércio internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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