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Feijão e Pulses

Preço do feijão-carioca ganha força, enquanto feijão-preto encontra suporte no dólar e nas exportações

Retenção dos produtores reduz oferta imediata de feijão-carioca e valoriza lotes de melhor qualidade; mercado do feijão-preto permanece estável, com comércio exterior limitando quedas


Publicado em: 21/08/2026 às 17:30hs

Preço do feijão-carioca ganha força, enquanto feijão-preto encontra suporte no dólar e nas exportações
Foto: Everson Souza

O mercado brasileiro de feijão encerra a semana com comportamentos distintos entre as principais variedades. Enquanto o feijão-carioca passa por um movimento de reprecificação, impulsionado pela retenção dos produtores e pela menor disponibilidade de lotes superiores, o feijão-preto apresenta estabilidade, apoiado pelo equilíbrio entre oferta e demanda, pelo câmbio e pela competitividade das exportações.

Segundo análise de Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, o feijão-carioca continua disponível nas propriedades rurais, mas parte dos produtores reduziu a oferta imediata. A maior capacidade financeira permite aos vendedores elevar as pedidas e aguardar condições comerciais mais favoráveis.

No feijão-preto, a situação é diferente. O mercado apresenta menor disputa pela mercadoria e reposição mais administrada pelos compradores. Ainda assim, a ausência de pressão generalizada de venda e o desempenho das exportações ajudam a impedir quedas mais expressivas.

Retenção na origem fortalece preço do feijão-carioca

A principal transformação observada no mercado do feijão-carioca está relacionada à oferta efetivamente disponível para negociação. Mesmo com produto armazenado nas propriedades, a quantidade de lotes apresentados aos compradores diminuiu.

A retenção seletiva fortaleceu o poder de negociação dos produtores, principalmente daqueles com menor necessidade de caixa. Corretores também passaram a atuar com maior cautela, consultando previamente o interesse dos compradores antes de oferecer os lotes.

Esse comportamento mantém a liquidez limitada e torna mais lenta a consolidação de novas referências de preços. Para que os valores mais elevados sejam confirmados como tendência, será necessária a repetição de negócios nesses patamares, e não apenas a apresentação de ofertas com pedidas superiores.

Feijão-carioca extra chega a R$ 330 por saca

Na Bolsa de Cereais de São Paulo, o feijão-carioca extra, com notas entre 9,5 e 10, registrou negócios entre R$ 325 e R$ 330 por saca, na condição CIF São Paulo.

Os lotes classificados como nota 9 foram negociados próximos de R$ 310 por saca, enquanto o produto nota 8 apresentou referência ao redor de R$ 290.

Na origem, em negociações FOB, os melhores padrões do interior paulista alcançaram R$ 322 por saca. Em Minas Gerais, as referências chegaram a R$ 295. Para lotes com notas entre 8 e 8,5, o interior de São Paulo registrou preços de até R$ 295 por saca.

A diferença entre as cotações confirma que a qualidade se tornou o principal fator de transmissão das altas. Os lotes superiores encontram maior sustentação porque são menos abundantes e despertam interesse mais consistente dos compradores.

Empacotadores compram apenas para reposição

Os empacotadores continuam necessitando de mercadoria para recompor estoques, mas mantêm uma postura seletiva. Não há, até o momento, um movimento agressivo de formação de estoques.

A atual firmeza do feijão-carioca está mais relacionada à redução da oferta imediata de lotes adequados do que a uma expansão significativa do consumo. Os compradores reposicionam suas aquisições conforme a necessidade, mas procuram evitar que o aumento da matéria-prima comprometa ainda mais suas margens.

Essa cautela contribui para ampliar a distância entre as pedidas dos produtores e os valores efetivamente aceitos pelos compradores.

Terceira safra pode ampliar oferta de feijão

No curto prazo, o viés para o feijão-carioca permanece firme, especialmente para lotes com notas 9, 9,5 e 10. No médio prazo, porém, o mercado deverá acompanhar a chegada da terceira safra, principalmente em Minas Gerais e Goiás.

O potencial de pressão sobre os preços dependerá de três fatores principais: volume colhido, qualidade do produto e velocidade de comercialização na origem.

Mesmo com o crescimento da oferta física, o impacto sobre as cotações poderá ser limitado caso os produtores continuem capitalizados e mantenham parte da produção fora do mercado. Nesse cenário, a disponibilidade aumentaria nos armazéns, mas não necessariamente nas negociações.

Por outro lado, uma necessidade maior de caixa poderia acelerar as vendas, ampliar a oferta negociável e devolver poder de barganha aos compradores.

Feijão-preto mantém preços estáveis

O mercado do feijão-preto apresenta uma estrutura mais equilibrada do que a observada no carioca. A liquidez está menos pressionada, a disputa pelos lotes é menor e as negociações continuam ocorrendo principalmente por meio de amostras.

Nas referências FOB, o preço chegou a R$ 210 por saca no Sul do Paraná. No Oeste de Santa Catarina, a cotação alcançou R$ 218, enquanto o interior de São Paulo registrou R$ 229 por saca.

Os compradores não demonstram a mesma urgência verificada nos lotes superiores de feijão-carioca. Ao mesmo tempo, os vendedores ainda não encontraram condições para elevar as pedidas de forma generalizada.

Com isso, o mercado permanece lateralizado, com oscilações limitadas e maior equilíbrio entre oferta e necessidade de reposição.

Exportações ajudam a limitar quedas no feijão-preto

O comércio exterior representa um importante fator de sustentação para o feijão-preto. Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras de feijão, considerando todas as classes, totalizaram aproximadamente 256,2 mil toneladas.

O preço médio acumulado no período ficou próximo de US$ 783,25 por tonelada. Somente em julho, os valores médios de exportação do feijão comum preto avançaram para uma faixa entre US$ 1.000 e US$ 1.050 por tonelada.

A melhora dos preços externos amplia a atratividade das exportações e reduz a dependência exclusiva do consumo doméstico. O câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar também mantém favorável a paridade de exportação para determinados lotes.

Esse cenário estabelece uma referência econômica mais elevada para o produto e ajuda a limitar movimentos baixistas mais intensos no mercado interno.

Mercado acompanha câmbio, colheita e ritmo das vendas

Para o restante do segundo semestre, a expectativa para o feijão-preto é de estabilidade a leve valorização. A direção dos preços dependerá da oferta regional, da necessidade de reposição dos compradores, da cotação do dólar e da manutenção da competitividade no mercado internacional.

No curto prazo, a ausência de novas colheitas e de pressão vendedora generalizada, somada ao suporte das exportações, favorece a estabilidade.

Já o feijão-carioca tende a permanecer mais firme, especialmente nos padrões superiores. A consolidação das altas dependerá da continuidade dos negócios nos novos patamares e do comportamento dos produtores diante da aproximação da terceira safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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