Preço do milho sobe no Brasil com produtores retraídos e melhora da paridade de exportação
Cotação média nacional avançou 1,46%, para R$ 64,01 por saca, enquanto vendedores reduziram a oferta à espera de novas altas e compradores encontraram dificuldades para fechar negócios
Publicado em: 21/08/2026 às 18:00hs
O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com valorização em importantes regiões produtoras. A menor disposição dos agricultores para negociar, o avanço dos contratos futuros e a melhora da paridade de exportação fortaleceram as expectativas de preços mais elevados no curto prazo.
Segundo a Safras & Mercado, os produtores mantiveram postura cautelosa na fixação da oferta e passaram a selecionar com maior rigor as oportunidades de venda. Essa retração limitou a disponibilidade de lotes no mercado físico e abriu espaço para reajustes nas cotações.
Produtores seguram milho à espera de preços melhores
A valorização recente dos contratos futuros e o ambiente mais favorável às exportações estimularam os produtores a reter parte do milho disponível. Com isso, muitos vendedores passaram a solicitar valores acima das ofertas apresentadas pelos compradores.
Do lado da demanda, os consumidores continuaram relativamente comedidos. Parte das indústrias ainda recebe volumes adquiridos anteriormente, o que reduz a necessidade imediata de novas compras.
Apesar disso, alguns compradores começaram a atuar de forma mais ativa na procura por milho. O principal obstáculo tem sido encontrar volumes disponíveis dentro dos patamares de preços considerados viáveis pelas empresas.
Colheita da safrinha avança, mas ainda exige atenção
A colheita da segunda safra de milho continua avançando no Brasil, ampliando gradualmente a disponibilidade do cereal. O trabalho de campo, entretanto, ainda tem espaço para evoluir em estados como São Paulo e Minas Gerais.
Embora a entrada da safrinha normalmente exerça pressão sobre as cotações, a resistência dos produtores em vender impediu uma queda mais expressiva e contribuiu para sustentar o movimento de alta observado durante a semana.
Milho sobe em Chicago com sinais de menor produtividade nos EUA
No mercado internacional, os contratos futuros do milho avançaram na Bolsa de Chicago. A valorização ocorreu diante de indicações de que a produtividade das lavouras norte-americanas poderá ficar abaixo dos níveis registrados em 2025.
Os levantamentos da Crop Tour apontaram rendimentos menores em áreas produtoras de Ohio, Nebraska, Indiana, Illinois e oeste de Iowa. Os resultados elevaram a atenção dos agentes sobre o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos e deram suporte às cotações internacionais.
Preço médio do milho chega a R$ 64,01 por saca
A cotação média da saca de milho no Brasil alcançou R$ 64,01 em 20 de agosto. O valor representa alta de 1,46% em relação aos R$ 63,09 registrados no encerramento da semana anterior.
Em Cascavel, no Paraná, o preço disponível ao produtor subiu de R$ 61 para R$ 63 por saca, valorização semanal de 3,28%.
Na referência Campinas/CIF, a cotação avançou 2,19%, passando de R$ 68,50 para R$ 70 por saca. Na região paulista da Mogiana, o cereal registrou alta de 1,59%, de R$ 63 para R$ 64.
Cotações avançam em Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca do milho foi negociada a R$ 62, alta de 3,33% em comparação com os R$ 60 da semana anterior.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço de venda avançou 3,28%, passando de R$ 61 para R$ 63 por saca. Já em Rio Verde, Goiás, a cotação chegou a R$ 59, aumento de 1,72% diante dos R$ 58 observados anteriormente.
Em Erechim, no Rio Grande do Sul, o preço permaneceu estável em R$ 70 por saca.
Exportações de milho somam 2,2 milhões de toneladas em agosto
As exportações brasileiras de milho alcançaram 2,216 milhões de toneladas nos dez primeiros dias úteis de agosto, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior. A média diária de embarques ficou em 221,630 mil toneladas.
A receita acumulada no período atingiu US$ 480,477 milhões, com média de US$ 48,047 milhões por dia. O preço médio do cereal exportado foi de US$ 216,80 por tonelada.
Na comparação com agosto de 2025, a receita média diária recuou 25,6%, enquanto o volume médio embarcado por dia caiu 32%. Em sentido contrário, o preço médio por tonelada avançou 9,5%.
Oferta restrita pode manter preços sustentados
O comportamento das cotações nas próximas semanas dependerá principalmente do ritmo final da colheita da safrinha, da disposição dos produtores para negociar e da demanda dos setores consumidores.
A evolução da paridade de exportação e os resultados definitivos da safra dos Estados Unidos também devem influenciar o mercado. Caso os produtores brasileiros continuem restringindo as vendas e os compradores ampliem a procura por reposição, os preços do milho poderão permanecer sustentados nas principais praças do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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