Colheita de café atinge 94% da safra 2026/27 no Brasil, mas atraso ainda preocupa o mercado
Tempo seco acelera os trabalhos nas principais regiões produtoras, enquanto colheita do conilon chega ao fim e produção do Espírito Santo pode sofrer novos ajustes negativos
Publicado em: 21/08/2026 às 18:40hs
A colheita de café da safra 2026/27 entrou na reta final no Brasil, favorecida pelo predomínio do tempo seco nas principais regiões produtoras. Até 19 de agosto, 94% da produção nacional havia sido retirada das lavouras, segundo levantamento da Safras & Mercado.
O avanço foi de quatro pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da aceleração dos trabalhos, o ritmo continua abaixo do observado em temporadas anteriores, mantendo o mercado internacional atento ao encerramento da colheita brasileira.
Colheita de café segue abaixo do ritmo histórico
No mesmo período de 2025, os cafeicultores brasileiros já haviam colhido 99% da produção. O índice atual também permanece abaixo da média de 96% registrada nos últimos cinco anos, considerando o intervalo entre 2021 e 2025.
O atraso acompanha a safra desde o início dos trabalhos. Nas últimas semanas, porém, as condições climáticas mais favoráveis permitiram acelerar a retirada dos grãos e reduzir parte dessa diferença.
Além de beneficiar as operações no campo, o tempo seco favorece a secagem do café e reduz interrupções provocadas pela umidade. O clima durante a fase final também é importante para preservar a qualidade dos lotes que ainda permanecem nas lavouras.
Colheita do café conilon está encerrada no Brasil
A colheita do café canéfora, grupo que reúne conilon e robusta, foi concluída nas regiões produtoras. As informações vindas do campo, entretanto, reforçam a perspectiva de uma produção inferior à registrada na temporada anterior, principalmente no Espírito Santo.
Segundo o analista da Safras & Mercado Gil Barabach, novos ajustes negativos na estimativa da safra capixaba ainda não estão descartados. O desempenho das lavouras no estado tem ficado abaixo das expectativas iniciais, ampliando a atenção sobre o volume efetivamente produzido.
Mesmo diante dessa redução, a expectativa é de que a safra de conilon do Espírito Santo fique próxima do resultado alcançado em 2024. Esse cenário, combinado ao bom desempenho das lavouras de Rondônia, deve garantir ao Brasil uma produção relativamente elevada de café canéfora.
Rondônia ajuda a sustentar produção brasileira de robusta
O desempenho positivo de Rondônia ganha relevância diante das perdas observadas no Espírito Santo, maior produtor brasileiro de conilon. A expansão e a evolução da produtividade das lavouras rondonienses ajudam a compensar parcialmente a menor produção capixaba.
Com isso, embora a safra nacional de conilon e robusta possa ficar abaixo do volume registrado no ciclo anterior, o resultado brasileiro ainda deve permanecer em patamar expressivo.
A definição do tamanho da produção será importante para o equilíbrio da oferta doméstica, para o abastecimento da indústria de café solúvel e para o desempenho das exportações brasileiras.
Colheita do café arábica chega a 91%
Nas áreas produtoras de café arábica, a colheita avançou cinco pontos percentuais em uma semana e alcançou 91% da produção estimada. Os trabalhos também entraram na fase final, impulsionados pelas condições de tempo firme.
Apesar da evolução, o ritmo permanece atrasado. No mesmo período de 2025, a colheita do arábica estava em 98%, enquanto a média dos últimos cinco anos para esta época é de 94%.
A diferença mostra que os produtores ainda precisam avançar sobre uma parcela relevante das lavouras para concluir a temporada. O mercado acompanha especialmente a qualidade dos grãos colhidos na fase final e o volume de café que poderá chegar às cooperativas e aos armazéns nas próximas semanas.
Mercado internacional acompanha oferta de café do Brasil
Como maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil exerce influência direta sobre a formação dos preços internacionais. Por isso, o encerramento da colheita 2026/27, os possíveis ajustes na produção do Espírito Santo e a confirmação do volume de arábica permanecem no centro das atenções.
A conclusão dos trabalhos tende a ampliar a disponibilidade física do produto, mas o comportamento das vendas dependerá da estratégia dos produtores, dos preços nas bolsas internacionais e da cotação do dólar.
Enquanto o conilon já teve a colheita encerrada, o arábica avança para os últimos 9% da produção. Com a manutenção do clima seco, a expectativa é de continuidade dos trabalhos e redução gradual do atraso nas principais regiões cafeeiras do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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