Preço do arroz se aproxima de R$ 80 com retenção da oferta, mas indústria enfrenta limite para novos reajustes
Chuvas, atrasos no preparo das lavouras e restrição de crédito reduzem a disponibilidade negociável no Rio Grande do Sul; resistência do varejo pressiona as margens do beneficiamento
Publicado em: 21/08/2026 às 19:00hs
O mercado brasileiro de arroz encerrou a semana com preços firmes no Rio Grande do Sul, principal estado produtor e referência nacional para a formação das cotações. A baixa disponibilidade de lotes e a postura cautelosa dos produtores aproximaram o arroz em casca do patamar de R$ 80 por saca de 50 quilos.
Apesar da valorização, o movimento não reflete necessariamente um crescimento expressivo da demanda. Segundo Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado, a principal força de sustentação está na retenção da oferta pelos orizicultores.
Ao mesmo tempo, a indústria encontra dificuldades para repassar o aumento do custo da matéria-prima ao atacado e ao varejo, ampliando o descompasso entre o arroz em casca e o produto beneficiado.
Produtores de arroz reduzem oferta disponível
Os produtores gaúchos demonstram pouca flexibilidade nas negociações diante das incertezas que envolvem a implantação da próxima temporada. O excesso de chuvas, os atrasos no preparo das áreas e a escassez de crédito aumentaram a cautela na comercialização dos estoques remanescentes.
Nesse ambiente, o arroz disponível passou a ser mais valorizado na origem. A expectativa de possíveis dificuldades operacionais na safra 2026/27 incentiva parte dos produtores a postergar as vendas em busca de preços mais elevados.
A redução da oferta efetivamente negociável, portanto, tornou-se o principal elemento de sustentação das cotações no mercado gaúcho.
Excesso de chuva atrasa preparação das lavouras
Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, um período de 15 a 20 dias de chuvas praticamente impediu o preparo do solo em determinadas áreas. A interrupção dos trabalhos aumenta o risco de atraso na janela agrícola e reforça a postura defensiva dos vendedores.
Mesmo assim, o cenário exige cautela. Os problemas operacionais registrados até o momento ainda não são suficientes para indicar redução da produtividade ou quebra da próxima safra.
A evolução das condições climáticas e o ritmo de retomada do preparo das áreas serão decisivos para dimensionar os efeitos sobre o plantio de arroz no estado.
Indústria encontra resistência para repassar custos
Enquanto o arroz em casca se valoriza na origem, a indústria começa a enfrentar dificuldades para transferir o aumento da matéria-prima aos demais elos da cadeia.
No Sul do país, o fardo de arroz beneficiado é negociado entre R$ 104 e R$ 110, mas novos reajustes já encontram resistência no atacado e no varejo. Esse limite reduz o espaço para valorização do produto industrializado e pressiona as margens das beneficiadoras.
Diante desse cenário, a tendência é de maior seletividade nas compras. As indústrias devem priorizar reposições de curto prazo e evitar a formação de estoques elevados enquanto os preços permanecerem nos atuais patamares.
Consumo pode limitar sustentação do arroz a R$ 80
A manutenção do arroz em casca próximo de R$ 80 por saca dependerá do equilíbrio entre a oferta retida e a capacidade de absorção da indústria.
Entre os fatores que podem interromper a valorização estão uma resistência mais intensa dos consumidores, a redução do ritmo de processamento e o surgimento de lotes de oportunidade no mercado.
Caso o varejo não consiga absorver novos reajustes, as indústrias poderão diminuir as compras, criando um limite para o avanço das cotações na origem.
Indicador do arroz sobe mais de 21% em um mês
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com rendimento entre 58% e 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira cotado a R$ 77,81 por saca de 50 quilos.
Na comparação semanal, o indicador acumulou alta de 3,61%. Em relação ao mesmo período do mês anterior, a valorização chegou a 21,60%, enquanto o avanço na comparação com 2025 alcançou 12,12%.
Os números confirmam a rápida recuperação do preço do arroz, mas o mercado passa a testar até que ponto a indústria e o consumidor conseguirão absorver a valorização da matéria-prima.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias