Soja despenca em Chicago com queda do petróleo, clima favorável nos EUA e realização de lucros; mercado brasileiro acompanha pressão externa
Complexo da soja recua mais de 3% na Bolsa de Chicago após trégua geopolítica reduzir preços do petróleo. Clima favorável nos Estados Unidos e avanço da colheita no Brasil ampliam cautela dos produtores e investidores.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:10hs
O mercado internacional da soja iniciou a semana sob forte pressão, registrando uma expressiva correção nas cotações da Bolsa de Chicago (CBOT). A combinação entre a queda dos preços do petróleo, a realização de lucros por parte dos fundos, previsões climáticas favoráveis para as lavouras norte-americanas e o alívio das tensões no Oriente Médio levou os contratos futuros da oleaginosa a recuarem mais de 3%, movimento que também influenciou a formação dos preços no mercado brasileiro.
Após alcançar os maiores níveis em mais de dois anos na semana passada, a soja devolveu parte dos ganhos, enquanto investidores ajustaram posições diante de um cenário de menor percepção de risco geopolítico e perspectivas positivas para a safra dos Estados Unidos.
Petróleo em queda derruba complexo da soja
O principal fator de pressão veio do mercado de energia. A expectativa de avanço nas negociações entre Irã e Estados Unidos e a redução das tensões no Oriente Médio provocaram forte queda nas cotações internacionais do petróleo, impactando diretamente o complexo de óleos vegetais.
Como consequência, o óleo de soja liderou as perdas na CBOT, pressionando também os contratos do grão e do farelo.
No encerramento da segunda-feira, o contrato agosto da soja caiu 3,16%, fechando a US$ 12,08 por bushel. O vencimento novembro recuou 3,17%, enquanto o farelo perdeu 3,17% e o óleo de soja registrou retração superior a 3,5%.
O movimento foi intensificado pela realização de lucros dos fundos de investimento, que reduziram posições compradas após a forte valorização observada nas últimas semanas.
Clima nos Estados Unidos mantém mercado pressionado
Além do petróleo, os investidores seguem atentos às condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Os modelos meteorológicos indicam chuvas regulares e condições amplamente favoráveis ao desenvolvimento das lavouras durante os próximos dias. Embora as temperaturas permaneçam acima da média em parte do cinturão produtor americano, o mercado entende que, até o momento, o potencial produtivo da safra continua elevado.
Mesmo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzindo de 66% para 63% o percentual das lavouras classificadas entre boas e excelentes, a notícia teve impacto limitado sobre as cotações.
Na avaliação dos operadores, a pequena deterioração das condições das lavouras não foi suficiente para alterar as expectativas de uma grande produção norte-americana.
Demanda segue firme, mas não impede as perdas
Pelo lado da demanda, o mercado continua recebendo sinais positivos.
Exportadores privados dos Estados Unidos anunciaram vendas de 132 mil toneladas de soja para a China, além de outras 126 mil toneladas destinadas a compradores não revelados.
Apesar do bom ritmo das exportações americanas, especialmente para o mercado chinês, as notícias não conseguiram neutralizar a pressão provocada pelo petróleo, pelo clima favorável e pela realização de lucros.
Mercado brasileiro acompanha Chicago
No Brasil, o comportamento da Bolsa de Chicago continua sendo o principal direcionador das negociações, embora o câmbio e os prêmios de exportação permaneçam exercendo papel decisivo na formação dos preços internos.
Segundo análise da TF Agroeconômica, a trégua temporária no Oriente Médio reduziu a percepção de risco nos mercados globais, derrubando o petróleo e pressionando todo o complexo da soja.
A volatilidade internacional continua elevada e deverá permanecer no radar dos agentes ao longo da semana, à medida que novas previsões climáticas forem divulgadas para os Estados Unidos.
Colheita brasileira está praticamente concluída
Enquanto o mercado acompanha os desdobramentos internacionais, a colheita da safra brasileira 2025/26 está praticamente encerrada nas principais regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançaram aproximadamente 98% da área cultivada. A produção é estimada em 12,87 milhões de toneladas, volume cerca de 8,3% inferior à projeção inicial, reflexo da irregularidade das chuvas durante o ciclo.
Produtores gaúchos relatam que os preços médios obtidos ao longo da comercialização não foram suficientes para compensar integralmente os custos de produção.
Em Santa Catarina, parte da safra permanece armazenada, reduzindo a disponibilidade de espaço para os cultivos de inverno e retardando novas operações comerciais.
Paraná amplia produção, mas preços perdem força
No Paraná, a produção alcançou cerca de 26,3 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 6% em relação ao ciclo anterior.
Mesmo com os prêmios de exportação em Paranaguá permanecendo próximos dos maiores níveis do ano, algumas regiões registraram recuo nas cotações pagas aos produtores, refletindo principalmente o comportamento da Bolsa de Chicago.
Custos elevados preocupam produtores
Em Mato Grosso do Sul, o elevado custo do frete continua comprometendo a rentabilidade da atividade, podendo consumir até um quarto do valor recebido pelo produtor. Além disso, a contratação de crédito rural apresenta retração de cerca de 21%, aumentando a cautela para os investimentos na próxima temporada.
Já em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, o custo estimado para implantação da safra 2026/27 subiu aproximadamente 3,35%, alcançando cerca de R$ 4,3 mil por hectare. O aumento das despesas reforça a preocupação dos produtores diante das margens mais apertadas e das incertezas climáticas.
Perspectivas para o mercado
O mercado da soja deve permanecer altamente volátil nos próximos dias. Os investidores acompanharão atentamente as novas atualizações meteorológicas para o cinturão agrícola norte-americano, o comportamento do petróleo, o ritmo das exportações dos Estados Unidos e a evolução das negociações internacionais.
No Brasil, além da influência de Chicago, o comportamento do dólar e dos prêmios nos portos continuará determinando a competitividade da soja brasileira no mercado internacional e a rentabilidade dos produtores na reta final da comercialização da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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