Soja chega a 180,41 milhões de toneladas, mas queda no crédito e El Niño elevam alerta para nova safra
Produção de soja cresce 5,2% e milho alcança 144,01 milhões de toneladas em 2025/26; para o próximo ciclo, restrição financeira e distribuição irregular das chuvas exigem maior planejamento
Publicado em: 23/09/2026 às 18:00hs
A safra brasileira de grãos 2025/26 avança com produção elevada, sustentada principalmente pela soja e pelo milho. Ao mesmo tempo, a retração dos desembolsos do crédito rural e os riscos climáticos associados ao El Niño ampliam a necessidade de planejamento para o ciclo 2026/27.
Segundo análise de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, os dados do 12º Levantamento de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram desempenhos diferentes entre as principais culturas brasileiras.
Enquanto soja, milho, mamona, sorgo e amendoim registraram crescimento, produtos como gergelim, arroz e feijão apresentaram redução na produção. Para a próxima temporada, as primeiras projeções indicam expansão da área cultivada, mas com sinais de pressão sobre a produtividade.
Produção de soja cresce 5,2% na safra 2025/26
A produção brasileira de soja alcançou 180,41 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, aumento de 5,2% em relação à temporada anterior.
O resultado mantém a oleaginosa como uma das principais responsáveis pelo volume total da safra brasileira e reforça sua importância para as exportações, o processamento industrial, a produção de farelo e óleo e o abastecimento da cadeia de proteína animal.
O milho também apresentou crescimento. Considerando as diferentes safras cultivadas no país, a produção total atingiu 144,01 milhões de toneladas, avanço de 2% sobre 2024/25.
Os volumes elevados de soja e milho sustentaram o desempenho agregado da produção, mesmo diante das perdas registradas em outras culturas.
Mamona e sorgo lideram crescimento da produção
Entre as maiores altas proporcionais da safra, a mamona apresentou expansão de 21%. A produção de sorgo cresceu 20,4%, enquanto a de amendoim avançou 10,5%.
Na direção oposta, o gergelim registrou a maior retração, com queda de 44,2%. A produção de arroz diminuiu 13,2%, enquanto o feijão apresentou redução de 3,6%.
As diferenças refletem as particularidades de cada cultura, incluindo área plantada, produtividade, condições climáticas e decisões econômicas tomadas pelos produtores antes e durante o ciclo.
Safra 2026/27 pode ter maior área e produtividade pressionada
O primeiro levantamento para a safra 2026/27 indica perspectiva de crescimento da área cultivada no Brasil. A produtividade, entretanto, começa o ciclo sob pressão.
A combinação entre custos de produção, menor disponibilidade de crédito e incertezas climáticas pode limitar o potencial produtivo, mesmo com a expansão das lavouras.
Nesse cenário, o desempenho final dependerá da regularidade das chuvas, do acesso dos produtores aos recursos financeiros e da capacidade de realizar as operações dentro das janelas recomendadas para cada cultura.
Crédito rural recua 37,9% e aumenta preocupação no campo
A restrição do crédito aparece como um dos principais pontos de atenção para a nova temporada. Segundo os dados apresentados na análise, os desembolsos do crédito rural recuaram 37,9% em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, R$ 207,4 bilhões da carteira já seriam classificados como operações problemáticas. O montante equivale a quase um em cada quatro reais do saldo total exigindo maior acompanhamento.
A redução dos financiamentos pode afetar a compra de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e demais insumos necessários à implantação das lavouras. Também tende a aumentar a importância do fluxo de caixa, das negociações antecipadas e das alternativas privadas de financiamento.
El Niño aumenta atenção sobre distribuição das chuvas
No clima, o fortalecimento do El Niño adiciona incerteza ao desenvolvimento da safra 2026/27. A perspectiva é de chuvas mais concentradas no Centro-Sul, enquanto o Centro-Norte poderá enfrentar maior irregularidade nas precipitações.
Para os produtores dessas regiões, o acompanhamento das previsões meteorológicas será decisivo na definição do momento de semeadura e na condução das lavouras.
Mais do que o volume total de chuva, a distribuição ao longo do ciclo poderá determinar o potencial produtivo. Períodos prolongados sem precipitação durante fases críticas das culturas podem comprometer o estabelecimento das plantas e o enchimento dos grãos.
Produção de carnes terá movimentos distintos em 2027
A análise também aponta mudanças no mercado de proteínas animais. A oferta de carne bovina poderá diminuir em 2027, enquanto as produções de frango e carne suína tendem a avançar.
Esse movimento deverá ampliar a disputa pela preferência dos consumidores, especialmente diante das diferenças de preços entre as proteínas.
O desempenho da pecuária e da avicultura continuará diretamente relacionado à oferta e ao custo dos grãos utilizados na alimentação animal. Por isso, os resultados das safras de soja e milho serão determinantes para as margens das cadeias de carnes.
Com produção elevada no ciclo atual, o agronegócio entra na safra 2026/27 diante de um cenário mais complexo. A expansão da área oferece potencial de crescimento, mas crédito restrito, operações financeiras problemáticas e riscos climáticos exigem maior controle de custos e planejamento das decisões no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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