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Soja

Soja cai mais de 1% em Chicago e safra volumosa pressiona preços para 2027

Colheita nos Estados Unidos e avanço do plantio brasileiro pesam sobre as cotações; compras chinesas oferecem suporte, mas negócios seguem lentos no mercado nacional


Publicado em: 26/10/2026 às 10:50hs

Soja cai mais de 1% em Chicago e safra volumosa pressiona preços para 2027
Foto: CNA

Os preços da soja iniciaram a segunda-feira (26) com perdas superiores a 1% na Bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela expectativa de elevada oferta na safra brasileira 2026/27. No Brasil, compradores abastecidos e produtores cautelosos mantêm a comercialização em ritmo lento.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a paridade de exportação para embarques em 2027 atingiu, na semana passada, o menor nível desde agosto. A perspectiva de uma safra volumosa tem levado consumidores a evitar grandes aquisições, tanto para entrega imediata quanto para o próximo ano.

As compras chinesas de soja norte-americana ajudam a contrabalançar a pressão da oferta, mas ainda não garantem sustentação contínua às cotações. No mercado físico brasileiro, os preços apresentam diferenças regionais, influenciados por demanda local, frete, condições de entrega e disponibilidade de compradores.

Soja para novembro volta abaixo de US$ 12,50 em Chicago

Por volta das 7h23, no horário de Brasília, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,4175 por bushel, queda de 14,75 centavos de dólar, equivalente a aproximadamente 1,17%.

Os demais vencimentos também recuavam:

  • Janeiro/27: US$ 12,5300 por bushel, baixa de 15,50 centavos;
  • Março/27: US$ 12,6100, redução de 15 centavos;
  • Maio/27: US$ 12,6925, queda de 14,75 centavos;
  • Julho/27: US$ 12,7500, recuo de 14,25 centavos.

O movimento devolvia os ganhos da sexta-feira, quando o novembro/26 encerrou a sessão em alta de 0,28%, a US$ 12,5650 por bushel. Mesmo com aquela recuperação, os principais contratos acumularam perdas entre 0,38% e 0,64% na semana passada.

Colheita nos EUA amplia disponibilidade de soja

O avanço da colheita norte-americana permanece entre os principais fatores de pressão sobre Chicago.

Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 64% da área de soja estava colhida até 18 de outubro, após avanço de 18 pontos percentuais em uma semana. O resultado ficou próximo da média histórica de 65%.

As condições climáticas favoráveis em parte do Meio-Oeste permitem a continuidade dos trabalhos e ampliam a entrada de produto no mercado. A atualização do acompanhamento das lavouras prevista para esta segunda-feira deve oferecer uma nova referência sobre o andamento da colheita.

China responde pela maior parte das vendas semanais dos EUA

Pelo lado da demanda, as vendas externas norte-americanas apresentaram recuperação expressiva. O USDA registrou 2,841 milhões de toneladas em vendas líquidas na semana encerrada em 15 de outubro, das quais 2,179 milhões foram destinadas à China.

O desempenho oferece suporte ao mercado, embora a entrada da safra dos Estados Unidos continue limitando as tentativas de valorização.

Além de possíveis novas compras chinesas, os operadores acompanham os dados de inspeções de exportação para avaliar o ritmo de escoamento da produção.

Compradores brasileiros evitam grandes volumes

No Brasil, o Cepea identifica resistência dos consumidores à contratação de volumes elevados. Em geral, esses agentes estão abastecidos para o curto e o médio prazos e realizam compras pontuais.

Parte dos compradores pretende concentrar as aquisições na entrada da nova safra brasileira, diante da expectativa de preços menores. Segundo o Centro de Pesquisas, essa percepção também aparece na curva de preços para 2027.

A demanda industrial pelo grão enfrenta outro limitador: a redução recente das vendas de farelo e óleo de soja. No caso do farelo, consumidores que ampliaram as compras em setembro formaram estoques e diminuíram a participação no mercado disponível.

Como contraponto, a análise da TF Agroeconômica cita uma projeção de processamento de 66 milhões de toneladas de soja no Brasil em 2027, perspectiva que pode contribuir para a demanda doméstica.

Preço da soja sobe em praças do Sul, mas recua em Mato Grosso

O levantamento regional da TF Agroeconômica mostrou movimentos distintos nas referências mais recentes. Esses valores retratam o período pesquisado e não correspondem necessariamente a negócios realizados na abertura desta segunda-feira.

No Rio Grande do Sul, houve aumento de R$ 2 por saca em três praças:

  • Passo Fundo: R$ 148;
  • Santa Rosa: R$ 149;
  • Rio Grande: R$ 155.

Apesar dos reajustes, a comercialização permaneceu restrita.

Em Santa Catarina, Abelardo Luz avançou R$ 1, para R$ 148 por saca, na condição FOB. No Paraná, Cascavel também subiu R$ 1, atingindo R$ 142, enquanto Paranaguá apresentou referência de R$ 153.

A menor disposição de compra e as limitações logísticas nos portos restringiram o fechamento de negócios no mercado paranaense.

Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande passou a R$ 140 por saca, mesmo patamar mantido em Dourados. Já em Mato Grosso, as cinco praças acompanhadas registraram recuos no disponível, com Rondonópolis a R$ 139,70 e Sorriso a R$ 133,40.

Plantio avança em Mato Grosso e enfrenta excesso de umidade no RS

A semeadura brasileira apresenta diferenças importantes entre as regiões. Em Mato Grosso, o plantio chegou a 75,81% da área prevista até 23 de outubro, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

No Rio Grande do Sul, o levantamento da Emater/RS-Ascar indicou 3% da área semeada, abaixo da média histórica de 5%. A umidade elevada dificulta a entrada de máquinas e afetou a emergência em algumas áreas, embora os estandes sejam considerados satisfatórios, em geral.

No Paraná, a semeadura alcançou 47%, abaixo da média superior a 55% observada nas três temporadas anteriores. Em Mato Grosso do Sul, chegou a 32%, com maior avanço no sul do estado.

A evolução das chuvas e o desenvolvimento das lavouras permanecem relevantes tanto para o potencial produtivo da soja quanto para a janela de implantação do milho de segunda safra em 2027.

Comercialização exige atenção às margens e aos custos de armazenagem

Diante da pressão sobre os preços, a TF Agroeconômica defende uma comercialização distribuída ao longo do tempo, com avaliação das oportunidades de venda e dos custos de manter o produto estocado.

Na análise da consultoria, os preços-alvo precisam considerar produção, armazenagem, frete, câmbio e necessidade de capital de giro. Para a safra futura, instrumentos de proteção podem ser avaliados quando permitirem assegurar margens compatíveis com o planejamento da atividade.

A orientação também envolve comparar ofertas de indústrias e exportadores, organizar a armazenagem e evitar a formação de estoques baseada apenas na expectativa de recuperação das cotações.

Para o mercado, o desafio será medir se a demanda chinesa e o processamento brasileiro conseguirão absorver a maior disponibilidade esperada. Até lá, a colheita norte-americana, o clima no Brasil e a evolução das margens industriais continuam entre os principais fatores para a formação dos preços da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

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