Soja brasileira deve bater recorde de exportação com 110 milhões de toneladas na safra 2026/27
Projeções indicam produção próxima de 180 milhões de toneladas, forte demanda internacional e avanço do processamento interno impulsionado pelo biodiesel
Publicado em: 24/07/2026 às 15:00hs
A soja brasileira deve alcançar um novo marco histórico na safra 2026/2027, com expectativa de exportações recordes de 110 milhões de toneladas, segundo projeções da Safras & Mercado. O cenário aponta para uma combinação de oferta elevada, demanda internacional aquecida e crescimento do consumo doméstico, especialmente com a expansão do processamento da oleaginosa e do uso do óleo de soja na produção de biodiesel.
O analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, avalia que o mercado segue sustentado por fundamentos positivos, tanto no comércio exterior quanto na indústria nacional.
“Esperamos a continuidade do crescimento da demanda, tanto no mercado externo, com exportações ainda robustas, quanto no mercado interno, impulsionado pelo avanço do processamento da oleaginosa e pela maior utilização de óleo de soja na produção de biodiesel”, afirma o especialista.
Produção brasileira de soja deve superar 180 milhões de toneladas
Para a temporada 2026/27, a produção nacional de soja está estimada em 180,089 milhões de toneladas, crescimento sustentado principalmente pela ampliação de aproximadamente 1,2% na área plantada.
A oferta total deverá alcançar cerca de 190,7 milhões de toneladas, considerando:
- produção estimada em 180,089 milhões de toneladas;
- estoques iniciais de 9,7 milhões de toneladas;
- importações próximas de 900 mil toneladas.
O volume garante ampla disponibilidade interna e mantém o Brasil como um dos principais fornecedores globais da commodity.
Exportações de soja podem atingir recorde histórico
As vendas externas brasileiras devem alcançar 110 milhões de toneladas na safra 2026/27, impulsionadas pela demanda internacional e pela competitividade do produto nacional.
A projeção mantém o Brasil em posição de destaque no mercado mundial, mesmo diante de possíveis mudanças no fluxo comercial global, incluindo a retomada das compras chinesas de soja norte-americana.
Segundo a análise, a demanda de outros países importadores deve continuar fortalecida, ajudando a sustentar os embarques brasileiros em níveis elevados.
Processamento interno cresce com avanço do biodiesel
Além das exportações, o mercado doméstico deve exercer papel estratégico na demanda por soja brasileira.
O processamento industrial está projetado em 63,5 milhões de toneladas, podendo ser favorecido por uma eventual elevação da mistura obrigatória de biodiesel para B16, ampliando o consumo de óleo de soja pela indústria de biocombustíveis.
A demanda total pela oleaginosa deverá chegar a aproximadamente 177,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais podem alcançar 13,6 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica.
Apesar da oferta confortável, esse cenário pode pressionar os prêmios de exportação, especialmente no primeiro semestre de 2027, caso a produção estimada seja confirmada.
Mercado de farelo de soja mantém oferta elevada
O segmento de farelo também deve apresentar crescimento na próxima temporada.
A produção está estimada em 50,1 milhões de toneladas, somada a estoques iniciais de 8,841 milhões de toneladas, garantindo disponibilidade suficiente para atender ao mercado interno e às exportações.
As projeções indicam estoques finais próximos de 10,9 milhões de toneladas, mantendo o mercado abastecido diante da expansão da demanda.
Óleo de soja ganha importância com biodiesel
O mercado de óleo de soja deve continuar aquecido em função da demanda crescente do setor de biodiesel.
A produção está estimada em 12,38 milhões de toneladas, com estoques iniciais de aproximadamente 324 mil toneladas.
A demanda interna deve avançar, com o consumo da indústria de biodiesel podendo atingir cerca de 7 milhões de toneladas.
Já as exportações são projetadas em 1,4 milhão de toneladas, enquanto os estoques finais devem permanecer próximos de 407 mil toneladas, indicando equilíbrio entre oferta e consumo.
Safra 2025/26 tem ajustes nas projeções de produção e demanda
Para a safra 2025/26, a Safras & Mercado revisou alguns indicadores do balanço brasileiro de soja.
A produção passou a ser estimada em 178,34 milhões de toneladas, com ajustes principalmente em estados do Centro-Oeste.
O principal movimento ocorreu nos estoques de passagem, revisados para 9,7 milhões de toneladas, abaixo da projeção anterior de 12,6 milhões de toneladas, devido ao aumento das expectativas de exportação e processamento doméstico.
Exportações da safra atual seguem em ritmo forte
Os embarques brasileiros de soja na temporada 2025/26 devem alcançar aproximadamente 108 milhões de toneladas, mantendo ritmo elevado.
Segundo Rafael Silveira, a demanda internacional permanece aquecida, especialmente entre compradores fora da China, compensando parcialmente a retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos.
Indústria brasileira amplia esmagamento de soja
O processamento doméstico da safra 2025/26 também foi revisado para cima, alcançando 62,5 milhões de toneladas.
O desempenho é favorecido pelas margens positivas de esmagamento registradas no primeiro semestre, criando um ambiente favorável para a indústria de processamento.
No mercado de farelo, a produção está estimada em 49,3 milhões de toneladas, com exportações de 25,8 milhões de toneladas e consumo interno de 20,7 milhões de toneladas.
Os estoques finais permanecem confortáveis, próximos de 8,84 milhões de toneladas.
Brasil consolida liderança no mercado global de soja
As projeções para as próximas safras reforçam a posição estratégica do Brasil no comércio mundial de soja.
Com produção crescente, exportações recordes, expansão do processamento interno e maior demanda por biodiesel, o complexo soja deve continuar como um dos principais pilares do agronegócio brasileiro.
O desafio para o setor será administrar uma oferta cada vez maior, equilibrando logística, armazenamento, preços internacionais e competitividade no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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