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Soja

Soja atinge máxima em 26 meses e mantém viés de alta com demanda chinesa e risco climático

Após acumular valorização de 4,12% na semana, oleaginosa passa por ajuste em Chicago, mas clima nos Estados Unidos, compras da China e incertezas sobre a safra brasileira 2026/27 sustentam o mercado


Publicado em: 31/08/2026 às 11:30hs

Soja atinge máxima em 26 meses e mantém viés de alta com demanda chinesa e risco climático

Os preços da soja iniciaram a semana com leves perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), em um movimento de realização de lucros após a forte valorização registrada nas sessões anteriores. Apesar da correção, o mercado permanece sustentado pela demanda internacional, pelas condições climáticas desfavoráveis nos Estados Unidos e pelas incertezas relacionadas à safra brasileira 2026/27.

A oleaginosa encerrou a semana anterior na máxima dos últimos 26 meses, completando três semanas consecutivas de valorização. No acumulado semanal, os contratos da soja avançaram 4,12%, enquanto o farelo subiu 6,32% e o óleo de soja ganhou 1,94%.

Na segunda-feira (31), porém, as cotações passaram por ajustes negativos, acompanhando as perdas observadas nos mercados de farelo, óleo de soja e trigo. Mesmo com a pressão pontual, os vencimentos mais longos permaneceram acima de US$ 13 por bushel, com março cotado a US$ 13,04 e maio a US$ 13,08 por bushel.

Soja alcança maior preço em mais de dois anos

No fechamento da semana anterior, o contrato de setembro avançou 1,57%, para US$ 12,7625 por bushel, enquanto novembro subiu 1,58%, para US$ 12,88 por bushel.

A valorização foi impulsionada pelas compras técnicas, pelo avanço dos derivados e pela demanda chinesa. O farelo encontrou suporte adicional na expectativa de maior utilização em rações animais diante da menor disponibilidade de milho nos Estados Unidos.

O óleo de soja, por sua vez, acompanhou a valorização do petróleo e as expectativas relacionadas à ampliação das cotas de biocombustíveis norte-americanos para 2027.

Clima nos Estados Unidos mantém prêmio de risco

O calor intenso e a falta de chuvas em áreas das Planícies e da metade sul do Meio-Oeste norte-americano seguem no centro das atenções do mercado.

As previsões indicam temperaturas elevadas e precipitações abaixo da média em importantes regiões produtoras. Para a soja, o risco climático ganha relevância na fase final de desenvolvimento das lavouras, período em que a maturação acelerada e a ocorrência de doenças podem comprometer a produtividade.

Avaliações realizadas em campo também aumentaram as dúvidas sobre o potencial produtivo da safra. Levantamento do Crop Tour Grupo Labhoro–Notícias Agrícolas identificou perdas potenciais em lavouras de soja e milho em Illinois, apesar da boa aparência visual das plantas.

Embora a produção norte-americana continue projetada em níveis elevados, os agentes passaram a incorporar um prêmio climático maior às cotações até que a produtividade efetiva seja confirmada.

China mantém demanda aquecida pela soja dos Estados Unidos

A demanda chinesa continua sendo um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou vendas de 182 mil toneladas de soja para a China e outras 226 mil toneladas para destinos não revelados, referentes à safra 2026/27.

Também foram informadas vendas de 200 mil toneladas de farelo de soja para Alemanha e Holanda.

Estimativas de mercado indicam que a China já teria contratado entre 11 milhões e 11,5 milhões de toneladas de soja norte-americana até o final de agosto. Os traders acompanham a possibilidade de novas aquisições antes do encontro previsto para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Problemas climáticos na própria China também podem reforçar a necessidade de importação. Regiões produtoras enfrentam episódios de calor intenso e enchentes, com riscos para a qualidade e o rendimento de algumas culturas.

Conflito no Mar Negro amplia incertezas sobre oferta de grãos

A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia permanece como fator de atenção para as commodities agrícolas. Novos ataques contra infraestruturas ucranianas aumentam as preocupações com a logística e o fluxo de grãos pelo Mar Negro.

Eventuais dificuldades para o escoamento da produção da região podem levar países importadores a ampliar as compras nos Estados Unidos e na América do Sul, oferecendo suporte adicional aos preços em Chicago.

Biocombustíveis influenciam mercado do óleo de soja

O mercado também monitora as discussões sobre a política de biocombustíveis dos Estados Unidos. Uma reunião entre o presidente Donald Trump e representantes das refinarias está prevista para esta terça-feira.

O encontro deve abordar as isenções concedidas a pequenas refinarias, conhecidas como SREs, e seus possíveis efeitos sobre o consumo de matérias-primas destinadas à produção de combustíveis renováveis.

Mudanças nas regras podem afetar diretamente a demanda por óleo de soja e, consequentemente, influenciar os preços do grão e do farelo na Bolsa de Chicago.

Preço da soja sobe no Brasil com vendedor retraído

No mercado brasileiro, a valorização externa e a firmeza da demanda também sustentam os preços. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), parte dos produtores reduziu a oferta disponível e decidiu postergar novas vendas diante das incertezas climáticas e da expectativa de novas altas.

Nas operações realizadas no mercado spot, vendedores têm aceitado prazos mais longos para o recebimento, mas exigem preços maiores.

Mesmo diante da valorização em Chicago, os prêmios de exportação permanecem firmes no Brasil. Essa combinação elevou os preços FOB nos portos nacionais aos maiores patamares dos últimos três anos.

Soja em Paranaguá chega a R$ 159,76 por saca

No Paraná, o Indicador Esalq/B3 da soja no Porto de Paranaguá alcançou R$ 159,76 por saca, com valorização de 3,04%.

Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria mantém ágios no mercado físico. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade atrasa o desenvolvimento e o manejo das culturas de inverno, o que pode reduzir a janela disponível para a semeadura da soja 2026/27.

Em Mato Grosso do Sul, os produtores acompanham o calendário do vazio sanitário. Já em Mato Grosso, a baixa umidade do solo exige a ocorrência de 30 a 50 milímetros de chuva antes do início do plantio.

Apesar do avanço dos indicadores de referência, as cotações apresentaram movimentos distintos entre as regiões brasileiras. Em algumas praças, os preços chegaram a recuar, mostrando que a valorização internacional ainda não foi transferida de maneira uniforme ao mercado interno.

El Niño aumenta incerteza sobre a safra brasileira 2026/27

As possíveis consequências do El Niño sobre o regime de chuvas no Brasil ampliam a cautela antes da semeadura da soja 2026/27. A distribuição irregular das precipitações pode afetar o calendário de plantio, a germinação das sementes e o estabelecimento inicial das lavouras.

Esse cenário contribui para a retração dos vendedores e mantém os compradores atentos à disponibilidade do grão. Com prêmios de exportação firmes, demanda internacional aquecida e riscos climáticos nos dois hemisférios, o mercado da soja tende a permanecer volátil.

A correção observada em Chicago no início da semana é interpretada como um ajuste após os ganhos recentes. A trajetória dos preços dependerá, principalmente, do clima nos Estados Unidos, do ritmo das compras chinesas e das condições para o plantio da próxima safra brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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