Rabobank prevê pausa na expansão da soja no Brasil e estima produção menor na safra 2026/27
Banco holandês projeta colheita de 178 milhões de toneladas de soja no próximo ciclo, com estabilização da área plantada diante de margens menores, crédito mais restritivo e aumento dos custos de produção.
Publicado em: 23/07/2026 às 18:40hs
A expansão contínua da área cultivada com soja no Brasil pode entrar em uma nova fase a partir da safra 2026/27. Segundo projeção inicial do Rabobank, o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa deve registrar uma “pausa” no crescimento acelerado da área plantada, após mais de duas décadas de expansão média próxima de 4% ao ano.
O banco holandês estima que a produção brasileira de soja no ciclo 2026/27 alcance 178 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 2% em relação ao recorde esperado para a temporada anterior.
De acordo com o relatório elaborado pela analista sênior de grãos e oleaginosas do Rabobank, Marcela Marini, a redução projetada não está relacionada inicialmente a uma retração da área cultivada, mas a uma normalização da produtividade média após uma safra anterior com desempenho acima da tendência histórica.
Margens menores pressionam decisões dos produtores
O cenário econômico mais desafiador para os agricultores brasileiros é apontado como um dos principais fatores para a desaceleração da expansão da soja.
Entre os pontos destacados pelo Rabobank estão:
- preços internacionais da soja mais pressionados;
- redução das margens de rentabilidade;
- maior restrição na oferta de crédito rural;
- aumento dos custos financeiros;
- incertezas no mercado de fertilizantes e insumos agrícolas.
Segundo a instituição, esse ambiente reduz o incentivo para abertura de novas áreas agrícolas e leva produtores a priorizarem eficiência operacional, controle de custos e otimização dos recursos já disponíveis.
Área plantada deve passar por estabilização
O Rabobank avalia que a estabilização da área de soja representa uma mudança estratégica importante para o agronegócio brasileiro.
Após anos de crescimento baseado principalmente na incorporação de novas terras, a expansão futura tende a depender mais do aumento da produtividade, da adoção de tecnologia e da melhor gestão das áreas existentes.
“O cenário representa uma moderação no ritmo de expansão, refletindo condições econômicas mais restritivas para os produtores e um crescimento mais lento da demanda global”, aponta o relatório.
A análise destaca que a terra continua sendo o principal ativo dos produtores brasileiros, fator que reduz a possibilidade de uma queda estrutural da área cultivada.
Clima e fertilizantes são principais riscos para a safra 2026/27
Apesar da projeção inicial de produção em 178 milhões de toneladas, o Rabobank alerta para riscos que podem reduzir ainda mais o volume final da safra.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- possíveis impactos do fenômeno El Niño;
- aumento dos custos de fertilizantes;
- tensões geopolíticas internacionais;
- instabilidade nos mercados de insumos.
Segundo o banco, a estimativa atual ainda não incorpora eventuais impactos climáticos negativos associados ao El Niño.
A instituição lembra que eventos recentes do fenômeno climático afetaram importantes regiões produtoras brasileiras, como ocorreu na safra 2023/24, quando houve perdas relevantes em algumas áreas.
Brasil mantém liderança no mercado global de soja
Mesmo com uma possível desaceleração da expansão, o Rabobank ressalta que o Brasil continuará ampliando sua relevância no mercado internacional da oleaginosa.
A participação brasileira na produção global de soja cresceu de aproximadamente 28% em 2010 para 42% em 2026, impulsionada pelo avanço tecnológico, aumento da produtividade e expansão agrícola.
Para o banco, a nova fase não representa uma contração estrutural do setor, mas uma transição para um modelo de crescimento mais seletivo.
“A expansão futura será cada vez mais condicionada à rentabilidade, ao acesso ao crédito e à capacidade de gerenciamento de riscos”, destaca Marcela Marini.
Mercado de terras entra em fase de ajuste
O ambiente financeiro mais restritivo também começa a impactar o mercado de terras agrícolas.
Segundo o Rabobank, o aumento da necessidade de liquidez por parte de produtores pode elevar a oferta de áreas disponíveis para venda ou arrendamento.
Esse movimento tende a reduzir a velocidade de conversão de novas áreas, especialmente aquelas provenientes da transformação de pastagens em lavouras de soja.
A instituição avalia que o crescimento da cultura deve migrar para um modelo baseado na recuperação de eficiência e melhor aproveitamento das áreas já utilizadas.
Oferta global de soja pode ficar mais equilibrada
Caso a projeção de redução da safra brasileira se confirme, o Rabobank avalia que o movimento poderá contribuir para um cenário internacional de oferta e demanda mais equilibrado.
A menor produção brasileira pode favorecer:
- maior estabilidade nos fluxos de exportação;
- suporte moderado aos preços internos;
- melhora dos diferenciais de comercialização da soja brasileira;
- redução dos estoques globais em relação aos cenários de maior oferta.
A expectativa é que a safra 2026/27 marque uma nova etapa para a soja brasileira, com crescimento menos baseado em expansão territorial e mais concentrado em produtividade, tecnologia e eficiência financeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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