Margem do esmagamento de soja cai 11,97% em Mato Grosso, mas processamento bate recorde
Valorização do grão reduz a rentabilidade das indústrias, enquanto demanda por biocombustíveis mantém o processamento da soja em ritmo elevado no estado
Publicado em: 03/09/2026 às 10:40hs
A valorização da soja pressionou a rentabilidade das indústrias processadoras de Mato Grosso em agosto de 2026. A margem bruta de esmagamento recuou 11,97% em relação a julho e atingiu a média de R$ 383,31 por tonelada, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O resultado foi o menor registrado para agosto nos últimos três anos. Apesar da redução das margens, o processamento da oleaginosa permanece aquecido e alcançou volume recorde no acumulado de 2026, sustentado principalmente pela expansão da demanda do setor de biocombustíveis.
Preço da soja sobe 11,58% em Mato Grosso
A retração da margem industrial ocorreu em meio ao forte aumento do custo da matéria-prima. Em agosto, a soja foi negociada, em média, a R$ 130,88 por saca em Mato Grosso.
O preço avançou R$ 13,58 por saca em apenas um mês, equivalente a uma valorização de 11,58% frente à média registrada em julho.
A elevação das cotações foi influenciada pelo período de entressafra, quando a disponibilidade do grão costuma diminuir, e pelo comportamento do mercado internacional. As preocupações com a safra 2026/27 dos Estados Unidos também ofereceram sustentação aos preços.
Com a oleaginosa mais cara, as indústrias passaram a desembolsar mais para adquirir o principal insumo do processamento. Esse movimento reduziu a diferença entre o custo do grão e as receitas obtidas com a comercialização de farelo e óleo de soja.
Margem industrial cai ao menor nível em três anos
A margem bruta média de R$ 383,31 por tonelada representa o menor patamar para agosto desde 2023. O indicador mede o retorno potencial obtido pelas indústrias na transformação da soja em seus principais derivados, antes da dedução de determinadas despesas operacionais.
A queda mostra que a valorização da matéria-prima ocorreu em ritmo superior à capacidade de repasse dos custos aos produtos resultantes do esmagamento.
Mesmo diante desse cenário, a atividade industrial continua elevada. A forte procura por óleo de soja, especialmente para a fabricação de biodiesel, ajuda a sustentar a demanda pelo processamento dentro de Mato Grosso.
Esmagamento de soja alcança recorde em 2026
Entre janeiro e julho, Mato Grosso processou 8,26 milhões de toneladas de soja. O volume representa crescimento de 4,62% em comparação com o mesmo período de 2025 e estabelece um novo recorde para os sete primeiros meses do ano.
O desempenho evidencia a ampliação da capacidade de transformação da oleaginosa dentro do estado. Em vez de comercializar apenas o grão, Mato Grosso avança na produção de farelo e óleo, agregando valor à matéria-prima e fortalecendo a cadeia industrial.
A expansão também acompanha o crescimento do mercado brasileiro de biocombustíveis, que tem aumentado a necessidade de óleo de soja para a produção de biodiesel.
Biocombustíveis fortalecem demanda interna
O setor de biocombustíveis tornou-se um dos principais vetores do processamento de soja em Mato Grosso. A demanda crescente por óleo mantém as indústrias em atividade, mesmo em períodos de margens mais estreitas.
O farelo resultante do esmagamento também encontra mercado na fabricação de rações destinadas às cadeias de aves, suínos e bovinos. Dessa maneira, o avanço do processamento atende simultaneamente aos segmentos de energia e proteína animal.
Esse cenário cria dois movimentos distintos no mercado mato-grossense: enquanto o encarecimento da soja reduz a rentabilidade imediata das indústrias, a procura por derivados sustenta o ritmo de produção.
Mercado interno limita avanço das exportações de soja
O fortalecimento da demanda doméstica também interfere na disponibilidade da soja destinada ao mercado internacional. Embora Mato Grosso continue registrando volumes relevantes de exportação, o maior consumo pelas indústrias locais limita uma expansão mais expressiva dos embarques do grão.
Parte crescente da produção permanece no estado para ser transformada em óleo e farelo. A mudança amplia a agregação de valor, mas acirra a disputa pela matéria-prima entre indústrias processadoras e empresas exportadoras.
Com isso, a formação dos preços passa a refletir não apenas o comportamento das bolsas internacionais e do câmbio, mas também a necessidade de abastecimento das unidades industriais instaladas no estado.
Indústrias enfrentam desafio entre custo e demanda aquecida
A perspectiva para o setor dependerá do equilíbrio entre o preço da soja e a valorização de seus derivados. Caso o custo do grão permaneça elevado sem avanço proporcional do óleo e do farelo, as margens industriais poderão continuar pressionadas.
Por outro lado, a demanda aquecida do mercado de biocombustíveis deve manter o esmagamento em níveis elevados. O resultado é um cenário de atenção para as processadoras: a atividade cresce e bate recordes, mas a rentabilidade por tonelada diminui.
Em Mato Grosso, portanto, a soja atravessa uma fase marcada pela combinação entre preços firmes, forte consumo interno e expansão industrial. A dinâmica reforça o papel dos biocombustíveis na cadeia da oleaginosa e amplia a importância do processamento para a economia estadual.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias